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Resenha da obra recém-lançada no Brasil, "A Incrível Lavanderia de Corações", de Yun Jungeun

Há quem veja na obra, certa similitude com uma metodologia que ganha corpo no Brasil a cada ano: "Constelações Familiares".

04/06/2024 12h20 Atualizada há 3 semanas
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação do Facetubes
Yun Jungeun, autora sul-coreana
Yun Jungeun, autora sul-coreana

Redação do Facetubes

Obra de autora coreana mostra possibilidades de curas existenciais

 

Yun Jungeun, autora sul-coreana, recentemente lançou seu livro "A Incrível Lavanderia de Corações", uma obra que explora a possibilidade de reescrever o passado para apagar as dores e arrependimentos da vida. O romance, publicado pela Editora Intrínseca, mergulha no gênero de ficção de cura, discutindo temas como amor, esperança e o alívio de sentimentos dolorosos através de uma narrativa mágica e envolvente.


A trama gira em torno de Jieun, uma jovem com o poder de realizar desejos, que acidentalmente faz seus pais desaparecerem. Desesperada para corrigir seu erro, ela embarca em uma jornada de renascimentos, na tentativa de alterar o passado. A história culmina com Jieun transformando uma antiga lavanderia em um espaço onde usa seus dons para ajudar pessoas a se livrarem de suas tristezas.


Em entrevista, Yun revela que a inspiração para o livro surgiu de reflexões pessoais e histórias de vida que a rodeavam, ponderando sobre as marcas que experiências dolorosas deixam em nossos corações. Ela destaca a importância de equilibrar a tristeza com momentos de alegria, uma temática presente em sua narrativa.


A ascensão da literatura sul-coreana no Brasil, especialmente de autoras, é um fenômeno que Yun comenta com entusiasmo, embora ressalte sua relutância em ser categorizada apenas como "autora – mulher - coreana". Seu desejo é que suas obras transcendam tais rótulos e sejam reconhecidas pela capacidade de tocar profundamente os leitores, independentemente de gênero ou nacionalidade.


Yun, que iniciou sua carreira literária aos 26 anos, considera a leitura e a escrita como suas maiores paixões e as vê como um refúgio para sua timidez na infância. Ela continua a explorar temas humanos universais em seus trabalhos, com planos futuros que incluem romances sobre relações apaixonadas e as complexidades do amor e da vida cotidiana. Essa nova obra de Yun Jungeun não apenas fortalece a presença da literatura coreana no exterior, mas também oferece uma reflexão sobre como enfrentamos e transformamos as dores e perdas de nossas vidas em algo curativo e libertador.

 

Capa.

O LIVRO

"A Incrível Lavanderia dos Corações", que dá nome ao livro, está localizada no cume da mais elevada colina da Vila dos Cravos. Não é meramente um local surgido entre um torvelinho de pétalas vermelhas. Esta peculiar instituição, sob a gerência da enigmática Jieun, oferece mais do que um simples serviço de lavanderia. Com um chá quente sempre à mão, Jieun promete aos seus visitantes uma renovação espiritual, uma chance de reconciliação com suas histórias mais dolorosas.

Jieun, contudo, não é uma anfitriã comum. Dotada de habilidades extraordinárias para realizar desejos e apaziguar sofrimentos, ela proporciona aos seus clientes uma oportunidade única: compartilhar memórias de aflições passadas e decidir se desejam ou não apagar as lembranças que mais os atormentam. Este chá de consolação oferecido por ela, abre um portal para uma reflexão profunda sobre as implicações de tal escolha.

Através de um enredo que entrelaça a fantasia com questões existenciais, "A Incrível Lavanderia dos Corações" convida os leitores a questionarem a natureza de suas próprias angústias. Será que eliminar nossas memórias dolorosas é realmente o caminho para a felicidade? Estamos dispostos a sacrificar partes essenciais de quem somos em busca de alívio? E mais importante: o que resta de nós quando as camadas mais complexas de nossa história são removidas?

Em uma narrativa repleta de encontros e desencontros, desilusões amorosas, arrependimentos e sonhos abandonados, esta obra não apenas desafia nossas concepções sobre dor e felicidade, mas também nos passa uma valiosa lição de empatia. Ao costurar emoções que conectam tristeza e alegria, a obra revela como as cicatrizes que carregamos moldam nossas identidades, oferecendo, ao final, uma poderosa mensagem sobre a coragem necessária para verdadeiramente abrir nosso coração.

 

RESENHA

Ouvido por nossa equipe, o jornalista Mhario Lincoln, editor-sênior deste Facetubes (www.facetubes.com.br), após ler algumas resenhas da obra de Yun Jungeun, acabou comparando a "metodologia" apresentada a algumas similitudes com um movimento que vem ganhando muita força no Brasil pós-pandêmico: as Constelações Familiares. Mhario nos informou que realmente há semelhanças com essa abordagem terapêutica criada por Bert Hellinger, "(...) e elas podem ser encontradas na ênfase da possível 'cura emocional' e na importância das 'memórias afetivas e experiências passadas' (...)", diz Mhario Lincoln.

"No livro, - continua Mhario -  Jieun (a anfitriã dessa 'lavanderia dos corações') oferece uma oportunidade para seus clientes refletirem e potencialmente escolherem apagar memórias dolorosas, o que sugere uma intervenção nas recordações pessoais que afetam o bem-estar emocional atual. Da mesma forma, as Constelações Familiares operam sobre a premissa de que traumas e padrões negativos são frequentemente herdados ou influenciados por dinâmicas familiares passadas, e que a consciência e a ressignificação dessas influências podem levar à cura. Eu mesmo participei de Constelações para apaziguar problemas íntimos, que me afligiam há muito. Uma tentativa de apagar memórias ruins de infância, envolvendo um familiar, num grau de parentesco muito importante no meu círculo materno. Confesso que saí de lá com uma sensação maravilhosa de ter controlado essas situações adversas", reforça Mhario Lincoln.

Desta forma, parece haver alguma similitude entre esses dois eventos literários/psicoterapêuticos. Na verdade, Bert Hellinger, o fundador das "Constelações Familiares", desenvolveu essa abordagem baseado em observações de várias culturas e suas experiências como padre e posteriormente como psicoterapeuta. Por isso, a relação entre as duas teorias pode sim, ter um ponto comum: reside na importância atribuída às memórias e como elas moldam a experiência humana.

Enquanto Jieun em seu chá de consolação aborda a memória individual e a escolha pessoal sobre manter ou apagar lembranças específicas, as 'Constelações Familiares' focam mais amplamente nas dinâmicas e memórias familiares, sugerindo que a cura individual muitas vezes requeira uma compreensão e reajuste das relações e padrões herdados. Ambas as abordagens (uma, ficcional, no livro), reconhecem o poder das memórias, sejam elas pessoais ou familiares, no bem-estar emocional e na construção da identidade do indivíduo.

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