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editor-sênior, jornalista Mhario Lincoln
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Leonardo de Magalhaens: Poesia Mineira. "O vinho que sobrou". 2024. Do poeta Luiz Edmundo Alves

O colaborador, poeta e resenhista, Leonardo de Magalhaens foi ao lançamento de mais um livro do poeta Luiz Edmundo Alves.

16/06/2024 10h40 Atualizada há 1 semana
Por: Mhario Lincoln Fonte: Poesia Mineira. Leonardo de Magalhaens
O poeta e sua obra.
O poeta e sua obra.

1.Saudações, poeta e fotógrafo e fazendeiro Luiz Edmundo Alves! Seja bem-vindo! Realmente muito feliz com a novidade de mais uma colheita de Poesia : O Vinho que sobrou! e curioso para saber como é a vida de fotógrafo que é poeta e agora fazendeiro. Quantas identidades o artista pode ter?

LUIZ EDMUNDO ALVES: Sou multidisciplinar. Gosto de fazer coisas diferentes.Desde muito jovem sou assim. Já gostei de marcenaria. De fazer esculturas com galhos secos.Por 25 anos fui videomaker profissional, por isso produzi uma série de videpoemas, reunidos em Lampejos, que pode ser assistido no YouTube. Já fui web design. Mas minha verdadeira identidade está no poeta. Sou poeta por vocação, me dedico à poesia sempre. Todas as grandes escolhas que fiz na vida foram influenciadas pela poesia.Ao herdar uma fazenda optei por cuidar dela percebendo que teria uma vida mais tranquila e que me permitisse dedicar mais à escrita, estou feliz por isso. Já publiquei oito livros. Sou o poeta quese ancora no poema para ler a vida. Aquele que só existe pelas mãos do poema.Meu maior orgulho é ser reconhecido como poetaem qualquer lugar que vou. 


2.Obras de Luiz Edmundo Alves, tais como Fotogramas de agosto e Uvas Verdes e Zuns zum zoom, marcaram época em BH graças aos saraus e declamações nos idos de 2004, 2006, 2011, 2015... Bienal do livro, Terças Poéticas... Depois a cena poética em BH foi declinando... O que será que aconteceu?


LUIZ EDMUNDO ALVES: Não tenho uma explicação coerentepara isso. Mas creio que parte está no fato de a vida é feita de fases. Osrecitais viveram essa fase muito interessante, com enorme popularidade. Houve um esgotamento dos eventos. Há também a questão do desinteresse oficial pela cultura. Vejo que atualmente isso está voltando, muito lentamente, mas é real. O lado oral da poesia não morre, jamais morrerá.Muitos poetas não gostam dos recitais, preferem ser lidos de forma mais intimista, silenciosa. Outros gostam de ler poemas, mas muitas vezes o fazem de forma descompassada, eu diria desafinada, sem ritmo. E isso afasta a audiência.Se atores ensaiam, músicos ensaiam, então sugiro aos poetas que ensaiem também, se preparem, em nome do amor que têm pela própria poesia.Só têm a ganhar.Não faltará quem quer ouvir.


3.Luiz Edmundo Alves, a sua poética e suas crônicas, verdadeiros poemas em prosa, são carregadas de nostalgia e de referências aos livros e autores. Baudelaire e Rimbaud e Prevert e Guimarães Rosa estão em citações e intertextos. Como é o poeta enquanto leitor? Qual o seu paideuma ou cânone?


LUIZ EDMUNDO ALVES: Sou um leitor contumaz. Gosto de ler poesia, seja os clássicos, seja os novíssimos. Acho importante e me inspira. Amo os autores que você citou, importante para a formação qualquer poeta, ou escritor.Faz sentido o conceito de Paideuma estabelecido por Pound, mas é preciso também estar atento ao próprio tempo, aos novos escritores e poetas. Tenho grande admiração por Drummond e João Cabral, assim como por Ferreira Gullar, acho o Poema Sujo maravilhoso, traz inovações formais e tem um conteúdo político e social que me encanta.Da mesma forma admiro os concretistasHaroldo e Augusto de Campos. Galáxias do Haroldo é realmente extraordinário.José Paulo Paes merece citação, assim como Chacal, Ana Cristina Cesar, Manoel de Barros.


4.Falando sobre leituras e referências e intertextos, vamos continuar para além dos canônicos, os medalhões, os clássicos... Quais autoras e autores o poeta Luiz Edmundo Alves hoje em dia tem contato de leitura e de antropofagia literária? Alguém das novas gerações? Da novíssima geração?


LUIZ EDMUNDO ALVES: A poesia contemporânea brasileira tem grandes poetas, mulheres extraordinárias que escrevem com consistência e encantamento, gosto de Ana Elisa Ribeiro, Bruna Mitrano, Carla Andrade, Maria Esther Maciel, Ana Martins Marques,Mônica de Aquino, dentre outras. Entre os homens existem tantos que fica difícil citar sem cometer injustiça, mas mesmo assim gosto da poesia experimental 
de Dijami Sezostre. Gosto também de Fabrício Marques, Ricardo Aleixo, Antonio Barreto, um poeta importante que hoje anda meio esquecido. Não posso deixar de citar Ricardo Domeneck  autor de um dos melhores livros que li em 2024: “Cabeça de galinha em chão de cimento”. Entre os novíssimos destaco Nathália Lima, Daniela Guimarães,Isabela Scalabrini, etc.


5."O Vinho que sobrou" é o título do seu novo livro agora publicado. Gostaria que dissesse aqui pra nós o que as leitoras e os leitores podem esperar da nova safra de poemas. Mais proustiano? Mais daquela madureza da qual falava o Carlos Drummond?

LUIZ EDMUNDO ALVES: É um livro que tem memória e tem maturidade. Natural na obra de poetas velhos, rsrsrrsrs. Contudo há um certo frescor de quem redescobre o gosto de viver quase todos os dias.Discorro sobreo amor, a solidão,a morte, o desamparo, a pandemia. É um caleidoscópio. Tem rock e tem jazz. Uma infinidade de referências da vida moderna.É proustiano no sentido de que resgata o tempo, ou pelo menos tenta. O tempo e a memória se relacionam de forma inevitável. Mas há sempre o filtro poético. Dar enfoque poético aos fatosé minha intenção permanente.


6.Então chegamos aos finalmentes desta entrevista com o poeta Luiz Edmundo Alves lançando agora a obra O Vinho que sobrou. Gostaria que deixasse aqui uma mensagem quântica esotérica cabalística sobre literatura ou poesia ou... vinhos... Agradecemos ao poeta Luiz Edmundo Alves e à parceria com o poeta Mhario Lincoln do facetubes. Até a próxima! Au revoir!


Poesia, embora prevaleça a vida prática.
Poesia, embora prevaleça os interesses.
Poesia, embora prevaleça os discursos malemolentes.
Poesia!
Au revoir!

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Poesia brasileira. O Vinho que sobrou. 2024. Livro de poemas de Luiz Edmundo Alves [BA, 1959-] poeta e fotógrafo e fazendeiro.

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VÍDEO-BÔNUS

Luiz Edmundo Alves. Poema in O Vinho que sobrou. 2024. Poesia brasileira. (in Leonardo de Magalhaens, vídeos).

 

ÁLBUM DE FOTOS

 

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