
Bons dias meu povo, boas tardes, boas noites, boas semanas do mês mais bonito da nossa terrinha. Junho de céu estrelado, mês de estrela boieira, bumba meu boi, matracas, pandeirões, fogueiras e folguedos, espalhados pela nossa cidade.
Benção Santo Antônio, Benção São João, Benção São Pedro, nossos Santos padroeiros abençoe as boiadas, Nossa Senhora do Bom Parto, dê uma boa parida para a doida da Catarina que encantou o pobre marido a matar o boi bonito só para comer sua língua(*).
Santo Antônio, obrigada pelo meu par dessa grande quadrilha da vida que o Senhor me deu, mas pra quem não tem, arranje um bem bonzinho, bonitão, galante e 'dos bons' (meu Santo sabe o que tô falando). Aceite nosso pão e obrigada pelo lírio cheiroso.
São João, o Senhor que é o Santo festeiro, adora nossas festanças, gosta de um forró bem nordestino, perdoe nós tudinho de nossos pecados, aceite o golinho de nossa cachaça que sempre lhe ofertamos antes de tomar nosso primeiro gole. Interceda por nós quando escorregamos nas tentações, elas são muitas.
São Pedro, o Senhor que era pescador, abençoe os nossos pescadores, encha suas redes de peixes; esse é o sustento deles com seus barcos em alto mar, queimando no sol e tremendo no frio da noite. Abençoe muito meu marido, apaixonado pela sua profissão doidinho por uma pescaria, é um "bão" homem meu Santo, acredite. E se um de vocês encontrarem um "caboquinho" tocando violão aí em cima, com certeza é meu paizinho, o nome dele é Wilson, abracem ele por mim e lhes digam que vivo troncha de saudades dele por aqui.
Recebam nossos foguetes, as bombinhas da criançada, essa zoada toda, as bandeirinhas colorindo nossos "arraiá", as toadas dos boieiros, o arrasta pés das quadrilhas, as meninas rebolando, um esfrega esfrega danado, enfim, nos abençoe e escutem nossos Padre Nossos, nossas Ave Marias e todas nossas rezas. Dêm o nosso grande abraço em Nossa Senhorinha, Nossa Mãezinha e no Nosso Paizinho Jesus Cristinho.
"Inté".
Soraya Fialho Felix. 10.06.2024.
São Luís - MA.
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(*) A História da Língua do Boi
A lenda do Bumba-Meu-Boi do Maranhão envolve um casal de empregados numa rica fazenda, ele, capataz, chamado Pai Francisco e ela, Mãe Catirina. Catirina, grávida, deseja comer a língua de um boi, mas não de qualquer boi. Ela quer a língua do novilho mais querido do patrão. Pai Francisco, apesar dos riscos, atende ao pedido da esposa e mata o boi. O patrão descobre e manda vaqueiros atrás dele, mas os pajés e feiticeiros conseguem ressuscitar o boi e tudo vira festa de São João.
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