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Novo texto do acadêmico APB, Eloy Melonio: "Letras, Palavras & Ideias".

Eloy Melonio é convidado do Facetubes (www.facetubes.com.br).

25/06/2024 às 16h48 Atualizada em 01/07/2024 às 10h14
Por: Mhario Lincoln Fonte: Eloy Melonio
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Autor: Eloy Melonio
Autor: Eloy Melonio

LETRAS, PALAVRAS & IDEIAS

 Eloy Melonio*

 

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Um passeio pela avenida alfabética da nossa língua para destacar palavras e soletrar ideias.

 

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A/a e A/α (alfa) são primas parecidas. E balizas, puxando uma turma de enfileiradas que se tornam personagens. Pretendo, aqui, expor algumas ideias sobre elas e suas afilhadas e sobre esta nossa vida.

 

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B/b também tem uma prima (B/β [beta]) com quem divide a formação da palavra “alfabeto”. Metido à besta, não bate palmas a borboletas bêbadas, mas brilha na inicial do nome do nosso país. "Big", gigante pela própria natureza, é triplicado no nome do reality show da Rede Globo. Houvesse mais dois, dava para imaginar "Bando de Bestas", não dava?

 

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C/c é do c*! Não sei o que você pensou, mas eu quis dizer "coração". E também "caminho", sem pedra no meio. E — pasme! — pronome da nossa linguagem informal (“Cê já ouviu falar do C DE ALHO, bloco carnavalesco da minha cidade?”). Aos noivos, o velho conselho: “quem casa quer casa”. "Colher de chá" é mais que uma segunda chance de se fazer alguma coisa. É presente de amigo. Caramba, C é mesmo do cacete!

 

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D/d Dizem que o "D" é demais. Uns pensam logo em "dinheiro", outros em "doidos". Porque antigamente os doidos rasgavam dinheiro. Hoje, mais espertos, guardam-no em cuecas. E ainda dizem: "Pouco dinheiro lá em casa eu tenho é muito". Doido é só doideira, não é mesmo? Para aceitar uma sugestão ou proposta, ainda se diz: "Tá certo". Mas, para a galera, agora é mais gentil dizer "De boa!"

 

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E/e traz na testa a encarnação de "ser", de unir e de explicar. Dependendo do contexto, soa suave ou tonicamente. E se é assim, assim será. Mesmo curtinha, é palavra com a mesma força de "eletronicamente".

 

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"F/f é f*!" Se você inferiu outra coisa, "se ferrou-se" (sim, duplamente), porque essa letrinha é fantástica. Sua essência está no seu desejo de ser feliz, de unir o útil e o agradável. Antes do ponto final, fique frio, pois "final não é da mesma classe gramatical de fim".

 

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G/g Essa me lembra de meu pai, que, genial, gostava de dizer: “Gente é bicho complicado”. Gravei esse aforismo no coração e percebi que governantes gulosos podem se passar por gaivotas gordas. E aí, uma constatação: os bichos às vezes se parecem com a gente.

 

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H/h está na canção do Ney Matogrosso. Também sou do time do “H” (honesto e honrado), e não tenho medo de lobisomem. Seja qual for a sua reputação, na hora "H", acho inadiável impetrar um habeas corpus. É que, hoje, a balança pesa mais para o lado da vantagem oportunizada. E, em tempo de IA, que tal uma "hode" ao "odierno"?

 

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I/i é isso e isso. Infinito, imagético. E é nome de mulher "amada amante" (Obrigado, Ivelyse, por ser assim.). Imagine de quem me lembrei agora? Do John Lennon ("All the people living life in peace"). Sem jamais esquecer que "imaginar o impossível é desejar o inadiável".

 

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J/j Essa "joia" sempre jogou no meu time. J. Alves, repórter da TV Difusora (São Luís-MA), entrevistou-me quando passei no vestibular, em 1974. Jocelyn (filha) é homenagem a uma professora norte-americana. Josy, a nora que me deu dois netos. Desde jovem, já sabia que a vida joga a nosso favor quando a gente joga o jogo do amor.

 

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K/k não é uma qualquer, como o "Q", de “quadrado". É presente de King e é tão versátil que ri à toa: “KKK”. OK, se a língua tá troncha, esta pergunta de Luiz Gonzaga resume tudo: "Kd a flor que tava aqui?"

 

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L/l — literalmente levado — lava muita roupa suja: ladrão, libertino... Num lapso de segundo, "eLe" vai do harém ao “hoje não tem pra ninguém”. Mas serve para nome de gente (Luís) e nome de bicho (Lulu). Nesse lero-lero, vai levando a vida "leve e solto" por aí.

 

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M/m é mandachuva, porque é de sua natureza mandar. E, literalmente, "manda quem pode, obedece quem tem juízo”. "M é M, o resto é merda mole", dizem seus amigos. "Isso mermo!", confirma um magistrado “Autoritário” e "Mandão".

 

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N/n Dizem os negacionistas que "N" não tá com nada. Que a pobrezinha não passa de uma joana-ninguém. Para eles, "Nadinha" não é nome de mulher. É nada mesmo, nadica de nada. Tem uma turma aí que aprendeu com o apóstolo Pedro a negar, negar, negar. Porque negar três vezes não é pra qualquer "companheiro". Agnaldo Timóteo defende que “ninguém é de ninguém”. Quanto a mim, “Só sei que sei nada sei”.

 

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O/o é uma dessas letras com obstinação. Está na "hora" do relógio, no "hoje" do calendário, na "oração" do crente. Ora bolas! Quem disse que o “o” é um zero à esquerda?!

 

P/p tem paixão por palavras positivas. No contexto pornográfico, junta-se a outras letras para fazer a festa ("pn"/ "fdp"). E tem seu lado desaforado: "Que porra é essa?!" Agora peço licença à norma culta para "consertar uma pescada". Ou seja, "escamar e tirar as vísceras do peixe". Pesquei essa do livro "How to Speak Maranhês", de Jáder Cavalcante, que, por sinal, está no prelo.

 

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Q/q é questionador, desses que quase não se queda. E se queixa com qualidade: Que que isso, minha gente?! E aí, cara, que qui tá pegando? Qual é? O "q" da questão é que esse queridinho é quase tudo e quase nada. Seja como for, sempre bota pra quebrar. "Pqp!"

 

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R/r reforça a razão de que “rir é o melhor remédio”. Especialmente se for um riso rasgado. Os palhaços também riem ao desafiar a plateia: "Quem rir, ganha". Não sei se Jesus era de dar risadas, mas sei que "chorou" o versículo mais curto da Bíblia (Jo 11:35).

 

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S/s não sabe se sobrevive entre "ser ou não ser". Se tivesse de escolher sócios em abreviaturas, acho que fugiria do "F" e do "T" como Satanás foge da cruz. Por quê? Sei lá, pura intuição! Não sei se você sabe, mas o "s" não é só isso que se sabe. Lulu Santos bem que podia cantar assim: "S é S e solidão".

 

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T/t é símbolo de "trabalho". Tô pra ver quem tenha mais técnica e talento. Mesmo cansado, não larga do trampo. "T" é duro qual o José do Drummond. Taí um bom tema para "troianos" de todas as toadas gregas.

 

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U/u me lembra Coxinho, saudoso cantador de toadas do nosso Maranhão. Cantava certinho, e não precisava dele (U) para expressar o pretérito perfeito: “Urrô, urrô/ Meu novilho brasileiro/ Que a natureza criô”.

 

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V/v é vivacidade, vigor para viver a vida. E viajar na velocidade da imaginação. Em janeiro, virada de ano em Veneza. Só não vale vacilada, nem Valentine’s Day em fevereiro.

 

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W/w Essa tem cara de gringa, não tem? Whitney Houston, John Wayne. E também "world", "web", "winner". Walker, o Johnny, vive bebendo por aí. E tentando induzir seus seguidores a trilhar seus passos: Keep walking.

 

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X/x serve para "checar", dizer que algo já está resolvido. Mas se faltar alguma coisa, aí temos o famoso "X" da questão. Sem hesitar, meu amigo Xavier grita: "Xá comigo".

 

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Y/y é primo legítimo do W. Acho até que, originalmente, procedem de Wysconsin (EUA). E sempre me traz à mente as águas melodiosas de "Yellow River" (Christie) e o casamento taoísta "yin-yang".

 

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Z/z se abre e se fecha num zoom de possibilidades. Zero, zen, zona, zoeira. Uma sequência de "Zs" (zzzz) sugere sono ou cansaço? Então, pode acordar e ouvir dois caipiras numa zorra política: "Cê sabia que o Zé já é prisidente?"; "Qual Zé, cumpade?"; "O Zé Lensque, fio da cumade Ucrânia”; "É mermo?! Ah, meu Deus! A coisa tá é russa!"

 

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E aqui expresso minha admiração e gratidão aos nossos eternos Zagalo (1931 –  5/1/2024) e Ziraldo (1932 – 6/4/2024).

 

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(*) Eloy Melonio é professor, escritor, letrista e poeta.

 

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Gutemberg Silva Braga Há 2 anos SÃO LUÍS-MA Eloy Molonio meu amigo e excelente poeta por natureza, eu sempre afirmei que você tem o dom de falar com a escrita porque tudo que escreve o leitor tem a sensação de ver, é como se tiver presenciando aquilo que escreve. Se dependesse de mim você já estaria na academia maranhense de letras. Um forte abraço. Seu fã número um Gutemberg Silva Braga.
Karla Castro Há 2 anos São Luís -Maranhão Olha o alfabeto inteirinho aí na passarela e muito bem desfilado, diga-se de passagem. Brilhante personificação de cada letra, tenho certeza de que cada uma delas se sentiu muito bem apresentada.
Artur de Ribamar Góes FreireHá 2 anos SAO JOSE DE RIBAMARMetalinguagem bem divertida e inteligente! Parabéns, Eloy, por presentear seus leitores com mais uma crônica saborosíssima.
Jorge Passinho Há 2 anos Maranhão Ah...se as letras do alfabeto falassem, falariam Eloy é nosso herói
JADER CAVALCANTE DE ARAUJOHá 2 anos SÃO LUÍSO cronista Eloy Melonio, a cada dia, demonstra sua habilidade crescente no ato de escrever. Parabéns, Sir!!!
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