
Nota do Editor: quando a poeta Soraya Fialho Felix publicou esse texto em 1991, nos primordios das redes sociais. Essas redes deram lugar a outras redes mais modernas e o texto ficou guardado a sete chaves, na nuvem. Daí, em razão de tantas pessoas pedirem que ela republicasse o referido texto, Soraya decidiu fazer um exercício de memória e, com sabedoria, resgatou "Um Papo Muito Diazepânico". Realmente incrível.
Por isso, hoje, vamos republicar em grande estilo para a felicidade de seus admiradores.
UM PAPO MUITO DIAZEPÂNICO
- Alô, alô, alô...
- Calma "Quirida" porque tanto alô? Bastava um.
- Soca, tu mudaste de remédio?
- Siiiim é claro.
- Eu ainda estou tomando Olgadil
- Olgadil não, Olcadil, com C.
- Até tua voz está diferente. Como tu estás?
- Estou óooootima "Quirida", minha vida está linda.
- Soca, eu ando bem ruizinha.Que remédio é esse?
- Não posso te falar o nome. "Jamé tujú". Vai no
meu médico, aquele da clínica famosa, o melhor
de São Luís, te disse mil vezes
- Qual Soca? O que a família toda é psiquiatra?
O da clínica da Raposa? Os Palhares?
- Palhares não, Palhanos. Yes my darling.
- Hum, tu tá falando até inglês.
- Soca, tu não tivestes efeitos colaterais?
- Quase nada. Tive efeitos bem leves, visão
borrada, sensação de desmaio, pressão baixa,
língua pesada, fadiga, perda dos reflexos prisão
de ventre, boca seca, dores musculares, refluxo, e
mais nada.
- E como tu estás? Me parece muito bem.
- Óoootima, com algumas coisinhas banais e
irrelevantes. Lapsos de memória, um pouquinho
desorientada, levemente tonta, as vezes me
confundo nos retornos pegando o rumo errado,
trocando os nomes dos meus filhos e dos meus
netos, essas coisa normais que todo mundo
tem. Mas, estou óóótima, felicíssima.
.
- Alô, alôôô, "Quirida", "Quirida"... Que será
que aconteceu? Ela desligou ou a ligação caiu?
ando preocupada com "Quirida", acho que ela
não está nada bem...
Soraya Fialho Felix.
Julho 1991
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