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Especial Leopoldo Vaz: texto "Sociedade dos Poetas Esquecidos" resgata Aurora Felix

Leopoldo Gil Dulce Vaz é da Academia Poética Brasileira.

11/07/2024 às 08h34 Atualizada em 11/07/2024 às 13h11
Por: Mhario Lincoln Fonte: Leopoldo Gil
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A obra da poeta Aurora Felix. Encantadora.
A obra da poeta Aurora Felix. Encantadora.


 
AURORA CORREIA LIMA FELIX 
 
Por LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ 
 
 
Em nossa busca por aqueles poetas que pertencem à Sociedade dos Poetas Esquecidos – em contraposição à Sociedade dos Poetas Mortos – e aproveitando o dia, apresento AURORA CORREIA LIMA FELIX
 
Nasceu em São Luís do Maranhão, a 15 de setembro de 1919. Fez o curso preparatório no antigo Liceu Maranhense, onde foi aluna de Nascimento de Moraes, Mata Roma e Rubem Almeida, eméritos professores e homens de letras. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Luís, em 1940, tendo escolhido a carreira do Ministério Público. Serviu como promotora de Justiça nas comarcas de Flores, Rosário e Codó, respectivamente de primeira, segunda e terceira entrâncias, sendo depois promovida para a Comarca da Capital, de quarta entrância. Desta foi afinal promovida para o cargo de Procurador de Justiça do Estado, o último cargo de sua carreira -- no qual funcionou durante dez anos antes de se aposentar, por tempo de serviço, em 1973.
 
Escreveu seu primeiro poema aos 11 anos, mas os poemas da adolescência se perderam.
 
Publicou pela primeira vez alguns poemas no Anuário de Poetas do Brasil 1982 e 1983. O apresentador deste livro  — Dr. Ramiro Azevedo, “Toda a poesia de Aurora é uma exaltação mística:  “Elevamos para o Azul/o nosso pensamento; ou a reafirmação do Bem Absoluto”... / “Ó formas, cores e sonhos/ que me encantam e me inspiram / O mundo é belo tal como aparece / aos nossos olhos / Isto me basta.” FÉLIX, Aurora Correia Lima.  Poemas brancos.  Capa: José Franklin. Apresentação: “Aurora e Lirísmo Místico”, pelo Dr. Ramiro  Azevedo.  São Luís – Maranhão SIOGE,  1988.  67 p. 
 

Obra muito elogiada na época.

Versos escritos à mão, no rodapé do poema PERCEPÇÃO”, no livro “Poemas brancos”, em 1968:  “confundir-me na unidade infinita /de ser tudo e nada ser.”
 
In POETAS BRASILEIROS DE HOJE 1985.  Rio de Janeiro: Shogum Ed. e Arte, 1985.  114 p. Ex. bibl. Antonio Miranda -  MEUS OITO ANOS // A poesia vem com a tarde / que, lenta, desce do céu; / há sombras claras entre as mangueiras / e a leve areia zune sob um pé-de-vento, / a água é uma constante / como as espirais de fumo anunciando o jantar.  // Tempo d´infância perdido / eu venho te procurar, / com meus pés de sonho eu piso / os caminhos doutra idade, / com os olhos do meu sonho eu busco as nuvens de carneirinhos / que em rebanho enchiam o azul. //
Hoje tudo está mudado, / e eu mudei, já não sou; / serão de outras infâncias os caminhos que busquei.
 
NOSTALGIA AZUL // A janela aberta / mostra um retângulo do céu no entardecer, / um retalho de nuvens / suavemente azul: / belo, puro e distante / como a perfeição inatingível... // São Luís, no mirante em 20.O7.1957 
 
 É membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras de Anápolis -- Goiás.

***

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Nota do editor do Facetubes.  Aurora Felix era casada com o irmão de minha mãe, Wilson Felix. Portanto, minha dileta tia. Convivi muito pouco com ela. Mas tenho, com dedicatória a minha mãe Flor de Lys Felix, seu livro "Poemas Brancos". Guardo-o com um significado imenso, na mais alta pratileira de minha bilbioteca do coração. Assim, uma das Salas Poéticas (será publicada na semana que vem) da APB, terá seu nome, honrosamente, em razão de ter sido (e ainda é) um dos grandes nomes da poesia maranhense, também esquecido para a Academia Maranhense de Letras, numa época em que homens, era maioria absoluta. Vale agradecer o confrade Leopoldo Gil (APB), por essa surpresa sentimental e importante resgate.

 

Aliás, abaixo, o prefácio completo do professor Ramiro Azevêdo, no livro "Poemas Brancos" e a reprodução de um do poemas curtos (e fortes) de Aurora. Ela recitou esse mesmo poema em uma reunião de família na casa de Tio Vicente, no Tirirical, em meados de 63 ou 65. Não me lembro ao certo. Mas ficou na memória. O poema reproduzo abaixo, junto com a apresentação de Ramiro. (Mhario Lincoln).

ANGUSTIA
Não vejo mais
a chama dessa rosa vermelha
que o vento consumiu;
ausente do mar distante,
cujo fragor ainda ressoa
nos meus ouvidos mortos,
sem ti, perdida estou,
onde e quando?
Em vão tento encontrar-me.

***

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Prof. Ramiro.

AURORA E LIRISMO MÍSTICO

Ramiro Azevêdo (a).

Os anos não desfiguraram nem embotaram a poesia idilicamente expansiva, mas fincadamente mística e cristã, cristã, universalista, de Aurora Correia Lima Felix!


Seu comprometimento permanece único: Verdade, Beleza, Expressão.


Em todos os poemas respira-se luz, paz (ainda quando pervague ligeira agitação amorosa) exaltação do Belo e ternura cristã. O passar dos anos não lhe desfigurou o estro. Em 1934 escreveu.


Vês, ao longe, as montanhas,
douradas pelo sol que morre?
Como são belas na sua grandeza impassível!
Sentinelas do Infinito,
a fronte nimbada de luz, tocando as nuvens,
fogem do mundo enganador
para as alturas.

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Em 1979, trinta e cinco anos depois, escrevia ainda:


Ponde-me entre as mãos postas
uma rosa vermelha
ou amarela,
as cores da alegria
e na vitrola uma berceuse
que eu apenas durmo
e logo despertarei.


Toda a poesia de Aurora Correia Lima Felix é uma exaltação mística:


elevemos para o Azul/o nosso pensamento;
ou a reafirmação do Bem Absoluto:
As estrelas brilharão sempre,
os mares rolarão suas vagas pela eternidade,
a terra produzirá sementes
que irão novamente fecundá-la
e assim os homens mo
e todos os seres viventes.


Mas também sai de Aurora, nossa tempestade habitual do viver cotidiano, um arrebatamento lírico, terno, forte:


Amo!
E sou feliz por viver deste amor,
que deu a minha vida, apagada, sem cor,
o brilho da primavera,


Há momentos em que o universalismo de Aurora transfigura-se num universalismo induísta:


... o profundo e apaixonado anseio
de me dar inteiramente,
de confundir-me na unidade infinita,
de ser tudo e nada ser.


Diria, enfim, que, como Tagore, ela busca nas coisas pequeninas vários motivos para o seu estro, várias inspirações para lavrar sua poesia:


O Pato Selvagem
Ei-lo:
Asas desfraldadas,
em pleno voo;
os pés retesados no esforço de subir....
Ó Liberdade.
bendita liberdade.

Paisagem:
Um perfume de trevo
na límpida manhã,
de céu azul
e o sol dourado.

'Beautiful Night'
Noite,
toda vestida de estrelas,
cheia de encantamento e mistério!.


(a) Dr. Ramiro Azevedo
Professor da Universidade Federal do Maranhão

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