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ESCREVER É PRECISO. LER É FUNDAMENTAL. 5 Parte 1

Soraya Fialho Felix é convidada da Academia Poética Brasileira

11/07/2024 às 12h41
Por: Mhario Lincoln Fonte: Soraya Fialho Felix
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Escritora e poeta Soraya Fialho Felix
Escritora e poeta Soraya Fialho Felix

 

CORRE MENINA LÁ VEM ALMA PENADA.

Soraya Fialho Felix

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Todas férias ia com meus pais passar no sítio, eu amava isso. 
O sítio era encantador um verdadeiro paraíso, localizado no município de Paço do Lumiar.

Me soltava naquele lugar brincando com  crianças que moravam ali, desbravando a mata, tomando banho de rio, subindo em árvores aproveitando tudo que a natureza proporcionava naquele lugar.


Mas, segundo a lenda e para meu desespero, aquela pitoresca cidadezinha era mal assombrada. E não eram só as crianças que me contavam, as pessoas que trabalhavam no sítio se aproveitavam do medo que eu tinha das tenebrosas estórias e se divertiam me assombrando. Diziam que toda quinta feira, a meia noite saía uma alma penada do cemitério, que dava gritos tão alto que, quem escutava fazia xixi na cama.

Deus sabe como tinha medo das noites de quintas feiras, pulava para a cama dos meus pais e não tinha quem me tirasse de lá. Ao meio dia, o currupira (como é chamado aqui), assoviava e quem escutasse ficava encantado entrava na mata e nunca mais voltava, nesse horário me agarrava no colo de meu pai e só saía lá pelas duas da tarde. 

 

"Alma Penada". Arte: Mhario Lincoln (IA).

A cidade não tinha luz elétrica, a energia alimentada por grupo gerador,  era ligado às dezoito horas e desligado às vinte e uma horas, daí meu pai arrodeava a casa com lampiões a gás. 

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A criançada toda noite decia para a pracinha e faziam o teste das almas que dormiam na igreja. Até hoje não sei porque eu ia. As crianças faziam a fila, todos com um talinho na mão para meter na fechadura da porta da igreja, se o talinho caísse para dentro elas abriam a porta e puxavam o eleito para dentro.

 

Chegou minha vez, tremia de pavor, meti o talinho e creio eu, por causa da tremedeira o talinho caiu para dentro.Todo mundo saiu correndo, subi a ladeira para chegar ao sítio chorando aos berros chamando pelo meu pai, que já estava no portão. Pulei nos braços dele.
- Filha, você está toda xixada! Já lhe falei que não quero mais ver você ouvindo essa bobagens de alma penada, isso não existe minha *cacuca...
- Existe sim pai, eu vi. Quase me levaram.

Até hoje tenho medo.


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*Apelido dado por meu pai.

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Esmeralda Costa Há 2 anos Campos Sales-CE Espetacular E quem nunca teve medo das penadas. Rsrs, mas é bem por aí mesmo, Almas penadas, lendas urbanas, tudo que envolve o sobrenatural nos deixa um pouco receosos e com medo, principalmente quando estamos sozinhos a noite, seja em casa ou fora dela.
alcina maria silva azevedoHá 2 anos Campinas- SPÉ muito interessante essas histórias de medo, em cidades pequenas. Elas aterrorizam sim. Eu vivi uma infância em Botucatu, e tb ouvia muitas dessas histórias. A noiva que aparecia na porta da Catedral a meia noite. Nossa! Até os policiais saiam correndo, qdo ela aparecia. Depois fiquei sabendo, que era meu primo quem se vestia de noiva e fazia isso.kkkkk
Dr. Graciliano SoaresHá 2 anos Caxias MaQue crônica salutar, senhora soraya. Folgo em lê-la para meus netos. Uma graça insosfimável esse testemunho infantil.
Maria José GondimHá 2 anos São Luís MaEu morei 20 anos do lado do Cemitério do Gavião. Eu era criança quando um dia, uma forte chuva derrubou o muro e desenterrou vários caixões. Quando fui sair pra aula, vi os ossos jogados na calçada. Foi o maior susto da minha vida. Nesse ano, não passei na escola.
Laila CintraHá 2 anos Barreirinha Maeita que a infância era tão boa.
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