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Resenhas: “O EXATO CONTRAPONTO POÉTICO”, de Mhario Lincoln

Hoje, analiso uma nova e forte produção poética da escritora e poeta Nauza Luza Martins, da APB/DF.

15/10/2024 às 09h43 Atualizada em 02/01/2025 às 11h09
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Nauza Luza Martins
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Nauza Luza, poeta e escritora/APB-DF
Nauza Luza, poeta e escritora/APB-DF

 

*Mhario Lincoln

  

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Existem muitas cicatrizes dentro de mim

Nauza Luza Martins

 

Existem muitas cicatrizes dentro de mim, Rasgos profundos na alma, feridas abertas

Já tentei enterrá-las em esquecimento

Mas elas renascem como fênix da cinza

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A menor faísca reacende a dor.

 

Um gatilho, uma lembrança, um som,

E me vejo afogada em um mar de sofrimento.

Cicatrizes, marcas indeléveis,

Que me acompanham por toda a vida.

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Mas a esperança é uma luz que brilha,

E um dia eu serei livre.

 

A esperança, lua prateada,

Ilumina meu caminho, a cada noite.

As baladas antigas, melodias suaves,

Acalmam minha alma, ferida e cansada.

Meu refúgio, um porto seguro,

Onde encontro paz, em cada madrugada.

 

Em meu refúgio, um castelo de sonhos,

Construo um mundo livre de dor.

Entre livros e canções,

Encontro a força para seguir em frente.

Um dia, as feridas se curarão,

E eu serei mais forte, mais livre.

Até lá, seguirei buscando a luz,

Em cada canto do meu ser.

 

 

Quando leio poemas fortes de Nauza Luza Martins sinto dentro de mim algo que fervilha, porque os versos instigam a uma profunda reflexão sobre a solidão e a dor, no entretanto, me traz, de forma imediata, uma grande esperança em remodelar meus sentimentos pessoais.

Isso porque é exatamente através de imagens poderosas e metáforas evocativas, que a poética de Nauza (especificamente neste momento), me leva a explorar as minhas cicatrizes internas (e quem não as tem), que acompanham a todos nós, enquanto lá no fundo do cenário lírico, parece acender a luz da bonança, mecanismo fundamental para superar o sofrimento.

É incrível como a força de Nauza Luza reverbera em nosso entendimento, ao dedilhar com os olhos, casa verso, denso, mas essencialmente real. A realidade - essa como é colocada pela autora – me fez compreender a profundidade do sofrimento e, simultaneamente, a direção que deve ter esse tipo de mensagem, tipo um start inverso, objetivando reconquistar a felicidade, não só da poeta, mas do aflito leitor. Desta forma, ela se reafirmar como uma mulher vitoriosa e líder em suas atividades.

Claro e evidente que Nauza Luza tem total direito de expor todas as suas liberdades poéticas. E isso é muito bom. É como se o ficcional, no futuro, se tornasse realidade. Um toque mágico, sem dúvida.

Por isso, neste poema há grande significância dessa liberdade poética, mesmo sendo contundente: "Existem muitas cicatrizes dentro de mim, / Rasgos profundos na alma, feridas abertas". Aqui, Nauza utiliza metáforas corporais para representar dores emocionais profundas.

"Mas elas renascem como fênix da cinza / A menor faísca reacende a dor."  Essa referência ao Fênix sugere um ciclo contínuo de renascimento da dor, enquanto poesia pura, cuja essência traduz-se na dificuldade em superar traumas passados, onde memórias podem ser desencadeadas por estímulos pueris.

A criação da autora é tão exuberante que ela mesma não deixa o verso vencer a sua intuição lógica. Logo em seguida ela versifica: "Mas a esperança é uma luz que brilha, / E um dia eu serei livre." Na mosca! A esperança, nesse caso explícito, é personificada como uma luz que guia a narradora em direção à libertação.

Eu realmente achei excelente esse contraponto pois leva o leito a passear entre a angustia, mas, em seguida, à formulação de algo que pode ser mudado mais na frente. Esse poema a mim me pareceu um romance muito bem costurado onde os sentimentos humanos se entrelaçam como exemplos e caminhos.

Em seguida, há um autocuidado em aplainar sentimentos negativos: "As baladas antigas, melodias suaves, / Acalmam minha alma, ferida e cansada." Ou seja, a

Arte sempre será um porto seguro, oferecendo conforto e permitindo que a narradora se reconecte-se consigo mesma.

E é essa visão de mundo pessoal e intransitivo, muito bem colocada a seguir: "Em meu refúgio, um castelo de sonhos, / Construindo um mundo livre de dor." Aqui, há a criação de um espaço mental seguro onde a dor não tem lugar e a imaginação sonhada é uma ferramenta poderosa para a superação e o fortalecimento pessoal.

Neste exato momento de minha análise abro um parêntese para chamar para a mesma mesa Jean-Paul Sartre, donde repito uma frase inexorável dele: “o homem está condenado a ser livre”. Ora, nem só o leitor, nem o resenhista, mas a poeta também se torna responsável por dar significado à própria vida; e consequentemente, atinge o mundo em sua volta, pois Nauza, quando escreve, tem o poder de redefinir seu caminho e encontrar a liberdade que almeja, favorecendo quem a lê.

Claro que lembrei também Sêneca neste poema épica: "A dificuldade vem de não sabermos usar com sabedoria o que nos acontece." Desta forma, quanto a autora usa sua liberdade poética para falar de suas cicatrizes e dores, ela o faz imediatamente calçando a ideia de que há forte possibilidade de tais ‘gatilhos’ se transformarem em força e sabedoria. É assim que vejo a escrita de Nauza Luza.

Aliás, como Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, que escreveu - “Poema em Linha Reta” -, onde expressa suas frustrações e angústias em relação à sociedade e a si mesmo, de suas falhas e a hipocrisia que observa ao seu redor. No entanto, encontra uma forma de resistência e autenticidade em meio a essas adversidades. Essa é a tônica de –“Existem muitas cicatrizes dentro de mim”, que ora analiso.

Por essa razão, reconheço a autenticidade dessas liberdades poéticas que atiçam um olho mal direcionado. Contudo, na profundidade do entendimento acadêmico, Nauza faz desses versos, palavras que refletem uma jornada profunda de autoconhecimento e resistência.

Cada cicatriz é um testemunho da sua capacidade de superar adversidades, com explícita capacidade de renascer, não para reviver a dor, mas para emergir mais forte e resiliente. Epicteto disse: "Não são as coisas que nos perturbam, mas a opinião que temos delas." Assim, ao redefinir a percepção de suas experiências, a autora, como num passe de mágica lírica, acaba por transformar o dor em aprendizado e a solidão em autodescoberta.

Aprendi muito lendo Nauza Luza Martins, APB/DF.

Obrigado, poeta e confreira!

..........................

*Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.

 

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Zecca PaimHá 2 anos Porto Velho-ROQue texto rico em todos os sentidos, revira sentimentos, ainda bem que existem Castelos e refúgios, nós os notívagos, a taça, o copo, a caneta ou velho teclado, faz nascer temas que aliviam a alma, o coração. Ficam as cicatrizes, mas seguimos com muito aprendizado! Nauza Luza Martins e seus belos textos que nos fazem voar.
Maura Luza Frazão Há 2 anos São Luís - MaQuão instigante é acompanhar de perto a sensibilidade poética de Nauza Luza Martins. Os poemas da Nauza possuem a essência provocadora da intensidade da sua alma de mulher plena em seus sentimentos. Tenho o privilégio de beber da fonte da sua sapiência e autenticidade todos os dias. Querido Mhário, você como sempre, conseguiu nos trazer todas as nuances implícitas e explícitas nos versos lindamente construídos da nossa querida poeta Nauza Luza Martins. Meus parabéns aos dois.
Marli Firmina de FreitasHá 2 anos Dom Cavati Parabéns pelo belíssimo trabalho poético! A poesia é um instrumento de cura coletiva. Quando expressamos os nossos sentimentos, uma mágica porta se abre para uma nova versão mais resiliente.
CarolinaHá 2 anos Brasília É possível sentir a dor e a constante luta e esperança para a chegada de dias melhores. A verdadeira arte da poesia é a coragem de expor suas vulnerabilidades para que outras pessoas leiam e se sintam acolhidas, que saibam que não estão sozinhas, e é assim que me sinto ao ler as poesias de Nauza Luza Martins, minha mãe.
Joizacawpy Há 2 anos São luís Que poema, que resenha, Nauza traz a chama viva de seu ser em forma de uma escrita intimista sem medo de se mostrar, e isso é para quem já ultrapassou muitos degraus da subida da vida. Mhario capta essa essência de forma genial e provoca em si mesmo reflexão que se propaga aos demais leitores, gatilhos, lembranças, foco de um porto seguro que alimenta a esperança diante da dificuldade. Parabéns aos dois.
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