
O poema "ENTRE FLORES, CORES E AROMAS" de Maura Luza Frazão me deixou impressionado por ser uma construção essencialmente lírica, por isso, enraizada no romantismo, utilizando o jardim como metáfora da vida e as flores como representações de seus sentimentos e conquistas pessoais.
Gosto de ler Maura porque em muitos de seus poemas, ela deixa transparecer muito de sua intimidade romântica, através de uma linguagem sensível e emotiva, criando uma atmosfera de introspecção e autodescoberta.
Nestes versos que a ela pedi para resenhar, na primeira estrofe, a há explícita afirmação do cultivo de belas flores, adotando uma "visão shakespeariana". Essa referência a Shakespeare, a meu ver, foi muito bem colocada em razão buscar uma profundidade emocional e complexidade em suas experiências enquanto poeta. Ora, se sabe que Shakespeare é o "bardo do avon", um dos maiores dramaturgos da história, o que dá ao verso, maturidade e prova do crescimento de Maura Luza, no campo poético.
Por outro lado, ao "regar seus interiores com fragrâncias, cores, sabores", Maura Luza sugere um processo de nutrição espiritual, social e filosófico, onde os elementos sensoriais enriquecem seu mundo interior. Ou seja, há na alma da autora, uma visível autenticidade de produção genérica, onde ela consegue navegar, sem nenhuma dificuldade, em todos os gêneros poéticos.
A segunda estrofe enfatiza a autonomia e criatividade da autora: "Meu jardim? Eu mesmo projetei". Aqui, o jardim simboliza a vida que ela está construindo, espalhando "pedacinhos de mim por todos os canteiros". Essa dispersão de si mesma representa a forma como ela investe pessoalmente em cada aspecto de sua existência, deixando marcas pessoais em tudo o que toca.
No terceiro estrofe, a figura do "beija-flor" é induzida. Este ser cativo de que "permanece entre laços, fitas, aromas" pode ser interpretado como uma metáfora para um amor ou inspiração constante em sua vida. A palavra "aquiesce" denota uma tranquilidade em atmosfera encantadora que ela criou e passa para o leitor como fator primordial de paz.
Li e reli com muito prazer esse poema simbolista (mas autoexplicativo) de Maura Luza Frazão. Li sabendo que essa sua produção lírica me levou a entender o poder de concepção construtiva que ela tem. Se não, leia-se: "Ao decorar minha alma, encantei-te sem pudor. Sou tua verdade, tua amante, teu amor."
Como se lê, aqui, a autora revela que, ao embelezar seu próprio ser e expressar-se autenticamente, ela é capaz de encantar o outro profundamente. A ideia de ser "sua verdade" sugere uma conexão genuína e essencial entre ela e os seus afetos.
Claro que não poderia deixar de analisar o poema através de meu olhar filosófico. E me surpreendi ao constatar que o poema também explora temas como autoconhecimento e autorrealização, pois Maura, enfatiza a importância de cultivar o próprio interior para alcançar a plenitude e estabelecer relacionamentos significativos. O ato de projetar e cuidar de seu jardim interno reflete a filosofia de que a verdadeira beleza e sucesso vêm de dentro.
Nesse ponto de vista, tive que convidar para a mesma mesa a inesquecível poetisa portuguesa Florbela Espanca, cuja expressão intensa de emoções e uso de simbolismos ligados à natureza e ao amor me fez pensá-la junto com Maura Frazão. Ambas transmitem uma sensibilidade lírica que explora profundamente os anseios da alma e as nuances do coração.
Parabéns, Maura, por trazer para o papel e para o público, sentimentos sensitivos, que norteiam a sua personalidade de mulher que a cada dia cresce em relação à inteligência intuitiva e lírica, elevando (e muito) a sensibilidade intrínseca à própria criação.
Destarte, finalizo com uma frase que bem representa a criatividade da poeta, membro da APB/MA:
Ela é de Ralph Waldo Emerson, filósofo e ensaísta americano: "Acredite em seu próprio pensamento, acredite que o que é verdadeiro para você em seu coração privado, pode ser verdadeiro para todos".
Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.
ENTRE FLORES, CORES E AROMAS
Cultivei belas flores
Adotando visão Shakespeariana
Regando meus interiores
Com fragrâncias, cores, sabores.
Meu jardim?
Eu mesma projetei
Pedacinhos de mim
Por todos os canteiros espalhei.
Meu beija-flor?
Cativo permanece
Entre laços, fitas, aromas. Aquiesce.
Ao decorar minha alma
Encantei-te sem pudor
Sou tua verdade, tua amante, teu amor.
Maura Luza Frazão. São Luís – MA/Brasil.
Mín. 13° Máx. 20°