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“QUE COISA!” Nova crônica do poeta e escritor ELOY MELONIO

Convidado especial do Facetubes.

16/02/2025 às 11h06 Atualizada em 16/02/2025 às 19h10
Por: Mhario Lincoln Fonte: Eloy Melonio
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Prof. Eloy Melonio
Prof. Eloy Melonio

Eloi Melonio

 

Depois de escrever muita coisa sobre tanta coisa, chegou a hora de eu direcionar meu holofote literário para essa "coisinha" charmosa, brincalhona, alegre, irreverente e muitas outras coisas. E que tanta atenção dispensa a mim e aos meus leitores.

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Em cena, sem subterfúgio, a nossa estrela lexical: coisa.

Ante tal “coisastação”, acho que vou seguir a sabedoria popular: “uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”. Ou seja, é tudo uma questão coisada naquilo que se vê realmente e naquilo que se queria ver. E aí, percebe-se que nem sempre uma coisa e outra coisa são a mesma coisa, não é verdade?

Então, vamos lá! De coisa em coisa, a gente vai se apropriando de algumas das muitas possibilidades de que essa palavra se reveste. Porque ela parece estar em toda parte, quando “tudo é muita coisa” e até quando “nada é coisa nenhuma”.

“A coisa tá preta!”, diz um pessimista, reclamando da vida. Do outro lado da rua, o grito é de um otimista: “Agora a coisa vai”. Entre um e outro, o cético simplesmente acha que os dois não estão dizendo “coisa com coisa”.

Quem pensa que “coisinha” é pouca coisa se engana "coisadamente". Essa palavrinha pode ser um baita elogio: “Sua cadela é a coisinha mais fofa que eu já vi”. Esse diminutivo é usado para dar a ideia de alguém ou algo delicado, sensível, belo. E foi Beth Carvalho quem a popularizou com a música “Coisinha do Pai” (1979), cujo refrão está gravado em nossa memória afetiva. Já “coisinha de nada” dá a ideia de insignificância ou desvalorização, assim como “qualquer coisa”, quando assume o caráter de generalidade. Um casal que se desentende por qualquer coisa, mesmo que seja uma coisinha de nada, não vai muito longe, ou vai?

E “coisão ou coisona”, será que existem? Se existirem, são um desserviço à notoriedade da “coisa” nossa de cada dia.

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Uma coisa qualquer pode virar uma obra de arte na vibe de um gênio da estirpe de Caetano Veloso. Ou seja, uma viagem de Salvador a Marrakesh para levar um papo “qualquer coisa”. Brincando com as palavras, esse baiano arretado revela como isso é possível: “Mexe qualquer coisa dentro doida/ Já qualquer coisa doida, dentro, mexe”. O sentido, bem..., o sentido é que “esse papo seu já 'tá de manhã'” ("Qualquer coisa", 1975). Nem todo mundo gosta dessa "coisa" desencontrada do Caetano, mas, para os críticos, é aí que reside a sua genialidade.

E o verbo “coisar”, hein? Xá pra lá! Acho que não vale a pena explorar a opção sexual das palavras. Isso é coisa do capeta cara de pau. Até porque, segundo o dito popular, "quem coisa quer casa". Ou "casar", numa versão mais moderna. No fundo, no fundo, é a mesma coisa, não acha?

Se alguém não diz “coisa com coisa” é porque suas ideias estão desconexas. Mas, para encurtar uma conversa, “e coisa e tal” serve como uma luva. Já “coisa de louco” é algo tão esquisito quanto queimar cem cédulas de cem dólares.

Duas mulheres conversam sobre um casal de amigos: “Alguma coisa provocou essa separação”. “Certamente. E não foi coisa banal não”. “É verdade. Mas acho que logo vão se acertar, pois sabem resolver suas coisas”, enfatiza a primeira. E a segunda recorre à poesia: “Se foi coisa do coração, o Quintana tem um conselho: ‘Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho’”.

Que coisa, siô!”, reage um humilde senhor maranhense ao ver uma foto em que um casal homossexual esconde, com as mãos, as suas coisas. Não tão diferente, o gaúcho Roberto Kovalick (“Hora Um”, REDE GLOBO), quando indignado com uma notícia indesejada, costuma dizer: “Que coisa!”

Entre coisas pra lá e coisas pra cá, peço-lhe, enfim, permissão para citar um versinho de "Travessia" (set/2021), meu segundo livro de poemas: "Ah, a vida são tantas coisas!"

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Goreth Trabulsi Há 1 ano São Luís MAMuito bom!! Tá uma coisa!! ????????
THAYLOW RAMALHO Há 1 ano São LuísEloy Melonio é uma daquelas pessoas cheio de coisas boas.
Antonio GarciaHá 1 ano São Luís/MAMeu querido Prof. Eloy, o senhor está cada vez mais “coisado”!!!
JaimeHá 1 ano BSB/DFEloy demônio, pública um texto muito interessante e que nos leva, a reflexões magníficas.
MARIA DAS NEVES OLIVEIRA E SILVA AZEVEDOHá 1 ano São LuísEssa coisa é muito bem bolada. Só pode ser do Eloy Melonio. ???? ???? ???? ????
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