
Por Mhario Lincoln, jornalista e poeta, Editor Sênior da Plataforma Nacional do Facetubes
A história do Brasil reserva detalhes surpreendentes sobre a formação de grandes personagens, especialmente das mulheres que, muitas vezes, estiveram próximas ao poder.
No artigo “ Meus caros paes : A educação das Princesas Isabel e Leopoldina”, de Jaqueline Vieira de Aguiar e Maria Celi Chaves Vasconcelos, foi descoberto como Dom Pedro II enfrentou dificuldades para encontrar uma preceptora adequada às herdeiras do trono, respeitando as tradições da Corte portuguesa.
No entretanto, pesquisas em cartas, diários e registros históricos preservados no Museu Imperial de Petrópolis (cheguei a conhecer quando estive nessa cidade em 2017, junto com o cantor e amigo Betto Pereira), e na Biblioteca Nacional revelaram o cotidiano educativo das princesas, que seguiram horários específicos e estudaram disciplinas variadas, das ciências e letras a habilidades domésticas.
Esse processo de instrução era desenvolvido tanto no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, quanto no Palácio Imperial de Petrópolis, em ambientes cuidadosamente adaptados para aulas sob a supervisão da Condessa de Barral e diversos mestres.
Havia grande preocupação com línguas estrangeiras, como francês, inglês e alemão, essenciais para a corte cosmopolita e as relações diplomáticas do Império. As princesas trocavam cartas com Dom Pedro II, demonstrando interesse pelos temas treinados e recebendo resultados sobre seu progresso. Isabel se destacou pela dedicação, construindo a imagem de futuro governante qualificado, algo confirmado em sua atuação na questão abolicionista.
A educação formal das princesas durou cerca de 14 anos, terminando em 1864, quando se casaram. Além do rigor disciplinar, elas receberam uma formação religiosa sólida, comum à elite do século XIX. O artigo referido acima, de Jaqueline Vieira de Aguiar e Maria Celi Chaves Vasconcelos, não aborda os impactos diretos da transição da educação clássica para a educação moderna, mas especialistas apontam a perda de estudo aprofundado em línguas antigas e de maior ênfase em humanidades, elementos que contribuíram para o pensamento crítico e uma ampla visão de mundo.
Ao mesmo tempo, a educação moderna oferece domínio tecnológico e prático voltado para as demandas do mercado de trabalho, gerando um dilema entre preservar o legado humanístico e acompanhar as transformações sociais. Neste caso específico, trocando 'humanidades' por tecnologia exacerbada, é necessário pelo que o Mundo hoje apresenta, ou não? (Um dos ítens para seu comentário).
O caso de Isabel e Leopoldina ilustra como a formação intelectual de mulheres na monarquia poderia ser exigente, mesmo num ambiente cercado por rígidos protocolos de gênero. Isto é, as duas princesas se deram exemplos de dedicação e atenção constante de um imperador que via nos estudos um pilar fundamental para o desenvolvimento das filhas. (Quer queiram ou não, isso valorizou, de certa forma, suas decendentes).
Mais que um ensinamento sobre tradições ou ideologias ou supremacia feminina, a história delas sugere a importância de equilibrar conhecimento científico e humano, tradição e inovação, para formar cidadãos (homens, mulheres etc) completos e capazes de refletir e agir criticamente no mundo que os cerca.
Lembre-se: sua opinião nesta nossa conversa de hoje é importantíssima.
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(original do Canal "Petrópolis Sob Lentes")
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