Quinta, 11 de Junho de 2026
13°C 20°C
Curitiba, PR
Publicidade

O que há por trás da inventividade do neo-swing e das bandas que mesclam techno e swing?

Mais um capítulo do livro de Augusto Pellegrini, exclusivo para a Plataforma Nacional do Facetubes.

31/03/2025 às 18h18 Atualizada em 31/03/2025 às 18h36
Por: Mhario Lincoln Fonte: Augusto Pellegrini
Compartilhe:
Augusto Pellegrini e Banda.
Augusto Pellegrini e Banda.

Por trás da inventividade do neo-swing e das bandas que mesclam techno e swing sem o menor pudor existe um embrião muito forte, concebido no início dos anos 1970: as “rock big bands”.


Num determinado ponto da história do jazz, durante os anos 1970, começou a inevitável fusão do jazz com o rock.
Esta fusão teve várias e diferentes direções.


Uma delas penetrava diretamente no mundo dos instrumentos eletrônicos ou sintetizados. A semelhança com o rock era conceitual, e se limitava à parte da melodia e dos arranjos. Ao contrário do que normalmente acontece com o rock, este tipo de jazz-rock não previa um cantor.
O núcleo desta música possuía elementos estruturais do jazz, com fortes pinceladas de rock.
Este estilo, denominado “fusion”, utilizava instrumentos eletrificados e originou grandes intérpretes, como Jean-Luc Ponty, Chick Corea, John McLaughlin, Weather Report, Jeff Beck e Pat Metheny, e modificou a trajetória de alguns jazzistas como Miles Davis, Herbie Hancock, Larry Coryell e Stanley Clarke.

Continua após a publicidade


A outra direção apontava para um rock que abdicava do seu som ácido e agrupava sob o mesmo denominador comum instrumentos eletrônicos e acústicos convencionais, produzindo um som forte e vigoroso, e criando uma harmonia peculiar sem comprometer a musicalidade.
Adicionou-se a voz áspera e cortante do vocalista, que era revestida de blues, mas transmitia um bocado de agressividade, o que dava à música um tom de rebeldia, que é uma parte integrante da essência do rock.


Neste caso, o núcleo da música possuía elementos estruturais do rock, com fortes pinceladas de jazz.


As rock big bands foram uma consequência direta desta forma de fusão, e conseguiram unir dois públicos que caminhavam em direções opostas, por professarem filosofias diferentes, embora baseadas na mesma origem – o blues. 


As principais bandas responsáveis por este fenômeno foram Blood, Sweat & Tears, comandada pelo cantor David Clayton-Thomas; a Chicago, que possuía uma pegada mais pop, liderada pelo cantor Peter Cetera; a Dreams, mais jazzista, liderada pelo baterista Billy Cobham e pelo trompetista Randy Brecker; Pink Floyd e seu rock psicodélico: ou ainda Frank Zappa e Soft Machine, que economizaram nos metais, mas mantiveram o mesmo padrão.


Com as rock big bands ficou garantida uma continuidade no desenvolvimento do jazz orquestrado, onde big bands aparentemente convencionais começaram a utilizar as tendências e os elementos do rock and roll e da música popular contemporânea da época.
A passagem das rock bands para as bandas de neo-swing foi apenas uma questão de tempo, pois ambas possuíam a mesma proposta e eram cultivadas pelo mesmo tipo de público.


Para aqueles saudosistas que já haviam se conformado em lamentar a morte do swing, o neo-swing trouxe uma injeção de estímulo e uma sensação de volta ao passado. Pode não ser a mesma coisa ter ouvido Count Basie nos bons tempos de Kansas City e ouvi-lo agora com uma roupagem diferente, mas tudo não passa de uma questão de costume.

Continua após a publicidade


Com o tempo, os novos ouvidos e os seus humores irão se rendendo aos poucos à novidade, e a descoberta de um novo riff ou de uma menção estilizada de uma passagem que havia se tornado inesquecível poderá tranformar um saudosista teimoso num novo swingster convicto.
Para os ainda renitentes sempre restará o recurso de se trancar no quarto, usar a sua aparelhagem de som ou programar uma música com a orquestra da sua preferência, fechar os olhos e se transportar para o mundo mágico dos salões. Ou procurar num vídeo ou num registro do youtube alguma coisa que possa fazê-los retornar no tempo. Ou ainda então ingressar no admirável mundo novo do swing revival.
É sempre possível sonhar, pois como dizia Duke Ellington, a música não é mais do que um sonho.

 

VÍDEO-BÔNUS

O Todo Pellegrini

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Victor Há 1 ano Aveiro Excelente amigo, artista e pessoa, merecedora de todo o sucesso e homenagens, abraço de Portugal do seu amigo, Victor Castro
Mostrar mais comentários
OITO ANOS: em bela cerimônia, a AMCLAM reconhece colaboradores, incorpora novos membros e reafirma sua função no campo sociocultural do Maranhão
SOLENIDADE OCTONÁRIA Há 2 semanas Em A História Conta

OITO ANOS: em bela cerimônia, a AMCLAM reconhece colaboradores, incorpora novos membros e reafirma sua função no campo sociocultural do Maranhão

A liderança inconteste do Cel. PMMA Veterano CARLOS AUGUSTO FURTADO MOREIRA, presidente da AMCLAM, é uma amostra de que a dignidade e o dinamismo ultrapassam dificuldades e tornam o sonho em incomensurável realidade.
Textos Escolhidos: “Petit, o Menino do Rio”
TEXTOS ESCOLHIDOS Há 2 semanas Em A História Conta

Textos Escolhidos: “Petit, o Menino do Rio”

A história que emociona até hoje. Leia sobre o que aconteceu ao “Menino do Rio”.
Imortal Carlos Cunha: o menino grande que feriu a aurora com seu existencial de Maio
Exclusivo Há 3 semanas Em A História Conta

Imortal Carlos Cunha: o menino grande que feriu a aurora com seu existencial de Maio

No dia em que se celebra o aniversário de nascimento do poeta, jornalista e trovador Carlos Cunha, a UBT de São Luís do Maranhão e a Academia Maranhense de Trovas divulgam o resultado do III Concurso de Trovas, promovido em homenagem à escritora Dagmar Desterro e Silva. A escolha da data amplia o sentido da homenagem, pois Carlos Cunha foi o primeiro Delegado da UBT em São Luís e liderou o movimento de fundação da Academia Maranhense de Trovas. Para Wanda Cunha, coordenadora do concurso, a divulgação do resultado nesta segunda-feira, 18 de maio, reafirma a permanência de Cunha na memória literária do Maranhão e celebra a trova como forma viva de expressão poética.
Uma entrevista com Joana Bittencourt que ratifica o amor da escritora pela arte bonequeira
EXCLUSIVO Há 3 semanas Em A História Conta

Uma entrevista com Joana Bittencourt que ratifica o amor da escritora pela arte bonequeira

Ela consegue levar adiante o legado que o irmão, Beto Bonequeiro deixou no Brasil e ainda hoje repercute positivamente.
Curitiba, PR
15°
Parcialmente nublado

Mín. 13° Máx. 20°

15° Sensação
1.38km/h Vento
96% Umidade
100% (4.7mm) Chance de chuva
06h59 Nascer do sol
05h34 Pôr do sol
Sex 19° 11°
Sáb 17°
Dom 15°
Seg 12° 11°
Ter 18° 10°
Atualizado às 19h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 -1,64%
Euro
R$ 5,91 -1,23%
Peso Argentino
R$ 0,00 -2,94%
Bitcoin
R$ 343,084,06 +3,16%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias