“Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do lunch
Eu ando de ferryboat” Zeca Baleiro
Pois é, chegamos a 2025 como “no pulo do gato”, a todo vapor. Velocidade acelerada como todas as transformações que o mundo dá, tudo é tão rápido, que não observamos tais mudanças, quando pensamos que não, estamos frente a um notebook, usando o mouse para fazer correções ortográficas. Não, não estou querendo trollar meu editor não, estou tentando escrever um texto em português. E como já dizia nosso mestre Luis Fernando Verissimo:
E TUDO MUDOU...
O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib, que virou silicone
(...)
Mas devem estar pensando: “o que há de errado com isso”? Realmente, não há nada de errado. Nossa Língua (materna) é pulsante, dinâmica e nada mais justo que siga o curso das mudanças, não é? Mas tenho certeza que muitos aqui – sejam jovens ou adultos – já se sentiram um peixe fora d’água com todas essas mudanças, spoiler logo abaixo:
E nosso vocabulário, ah, nosso vocabulário! Nunca mais será o mesmo. Outro dia um aluno do Ensino Médio chegou esbaforido em sala e disse: “Tia, fui expulso do banheiro, porque disseram que eu tava jackando as meninas”. De ímpeto, fiquei sem saber o que dizer, simplesmente porque não sabia o que significava aquilo. O aluno explicou: “É tipo, ta assediando de forma discreta as meninas, tipo assim”. Outro exemplo, estava fazendo a chamada e pulei o nome de uma aluna, ela imediatamente arguiu: “humm tia, eu to pôdi”? Pensei “meu Deus, o que eu fiz? Nada, só havia esquecido de chamar o nome dela.
Claro que temos que conviver com nossa riqueza vocabular, afinal a língua é o maior fator de identidade de um povo e deve ser respeitado, é nossa bandeira. Como bem disse Ariano Suassuna “O primeiro bem cultural de um país, de uma nação é sua língua”. Vivemos em um país imensamente grande e em cada pedacinho de chão de nosso Brasil, tem uma maneira própria de falar, além do sotaque, temos as variedades linguísticas, essa riqueza ninguém nos roubará, né mermã? Heim-heim, ninguém. Sei não, mas este texto tá meio aziado. A comunicação acontece de norte a sul do país, usando nosso velho e bom português, entendedores entenderão, como em:
Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.
Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.
— O senhor quer que eu deite logo no divã?
— Bom, se o amigo quiser dançar uma marcha, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.
(Luís Fernando Veríssimo, O Analista de Bagé)
Continuando nessa bad da calejada língua portuguesa, encontramos muitas pérolas, como esta. Nós que lutemos:
A princípio o que fazer? E nesse caso, qual nosso papel em sala de aula? Corrigimos? Deixamos assim mesmo? Ou nos juntamos a ele? Este pequeno texto não é nenhuma análise crítica do uso da língua portuguesa, é apenas uma reflexão sobre tantas mudanças pelas quais passamos todos os dias e cada dia há um novo vocábulo surgindo, que de uma certa maneira, enriquece (ou empobrece?) principalmente a oralidade. Por falar na língua oral, nossa língua é de uma riqueza sem tamanho, a exemplo disso:
Alguém aqui é capaz de decifrar esse enigma? Como já dizia Gabriel Perissé “Na palavra coisa viajam todos os significados. Coisa é tudo: é mistério e objeto, é invisível e visível, é lugar-comum, e devora. Nesse sentido, o que importa é a riqueza vocabular, as múltiplas interpretações. E nem nos perder nesse longo caminho. Não podemos deixar de lado, a língua formal, pois, uma hora ou outra precisaremos dela mais que nunca.
E a pesar de tantas mudanças, de tantas influências de outros povos na formação de nosso idioma, a língua portuguesa nunca deixou de ser a nossa língua materna, ela só abarcou outras contribuições, humildemente aceitando outros vocabulários, o que não podemos é esquecer de onde viemos
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA, que, aliás, é comemorada hoje, 05 de maio, data, instituída no Brasil em 2006, pela Lei nº 11.310 como forma de homenagear o grande intelectual Ruy Barbosa, que faz aniversário nesse dia.
Ah, podem responder, se quiserem: AFINAL, QUE LÍNGUA NÓS FALAMOS?
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