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Músico Chiquinho França engrossa campanha à favor do Couvert Artístico: “o couvert é Pagamento. Não Favor!”

URGE Legalidade, profissionalismo e dignidade no palco invisível dos bares brasileiros. Por uma lei Nacional, já!

18/05/2025 às 16h53 Atualizada em 18/05/2025 às 17h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Chiquinho França
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Arte: MHL
Arte: MHL


Por Mhario Lincoln c/a editoria-geral da Plataforma Nacional do Facetubes

Por várias vezes paguei "couvert artístico". Porém, nunca parei para pensar na importância desse ato. Todos sabem (e alguns se negam a pagar) que a cobrança do "couvert artístico" — aquela taxa geralmente embutida na conta de bares e restaurantes durante apresentações musicais — é uma tentativa de arrecadar dinheiro para pagar o artista que se apresenta no local. Mas não é apenas uma doação ou ajuda ao artista. Longe disso: é um pagamento real pelos serviços prestados pelo profissional da música. No entanto, na prática, esse entendimento esbarra em uma série de impasses legais, éticos e estruturais que merecem mais atenção do que se costuma dar.

 

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Exemplo rápido se prende ao próprio "Código de Defesa do Consumidor (CDC)", que determina que "qualquer cobrança adicional precisa ser previamente informada de forma clara ao consumidor". Isso inclui o valor do "couvert", o nome do artista e a natureza da apresentação. Sem essa informação, a taxa se torna abusiva — e, portanto, ilegal. Mas, para a maioria dos legisladores, tal fato não é apenas um capricho legislativo. Porém, uma questão de transparência, respeito e equilíbrio entre as partes. Mas e mesmo assim. Nada acontece.

 

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No entanto, não há uma legislação federal específica sobre o tema. Estados como Alagoas, São Paulo, Paraná e Ceará criaram normas próprias que variam em detalhes, mas todas convergem em um ponto central: o direito à informação prévia e clara. (Alguns donos de bares não seguem as regras, para não afastar mais fregueses).

 

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No Ceará, a Lei Estadual nº 15.112, de 2 de janeiro de 2012, diz literalmente:


"Ficam os estabelecimentos comerciais, bares, restaurantes e congêneres que adotam o serviço denominado couvert artístico, obrigados a fixar, em local visível e de fácil leitura, informação clara e precisa sobre o seu valor.
Parágrafo único. A informação a que se refere o caput deverá ser afixada em placas com dimensões mínimas de 50cm (cinquenta centímetros) de altura por 40cm (quarenta centímetros) de largura."

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Essa norma, em vigor desde fevereiro de 2012, visa garantir a previsibilidade e a transparência da cobrança. Mais recentemente, foi apresentado o Projeto de Lei nº 1044/2023, que pretende fortalecer ainda mais os direitos dos músicos. Dentre suas propostas:
Obrigatoriedade de repasse de, no mínimo, 90% do total arrecadado com o couvert artístico aos artistas. //// Criação de um selo “Estabelecimento Amigo da Música”, para locais que valorizam a arte local. //// Obrigação de manter por 1 ano os contratos e registros de arrecadação referentes ao couvert artístico, tornando-os acessíveis ao público.

 

Chiquinho França, S.Luís-MA.

Esse projeto representa um avanço significativo no reconhecimento da música como trabalho e na regulamentação dos direitos dos artistas da noite. E é neste ponto que o depoimento do músico Chiquinho França dado a mim, no começo da manhã, em áudio do WhatsApp, se torna um documento quase histórico:


A grande polêmica do barzinho ainda é o 'couvert artístico', a forma de pagamento. Os bares que arrecadam muito preferem pagar um cachê. Os que arrecadam pouco oferecem o 'couvert artístico', mas não repassam. É complicado o artista saber quanto foi arrecadado, nunca sabe. Por isso estou lutando para que essa arrecadação tenha um caráter de um trabalho profissional, igual a tantos outros, entre o contratado e o contratante.” Acrescenta Chiquinho França.

 

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Nessa fala sensível, registrada especialmente para esta matéria do Facetubes (www.facetubes.com.br), Chiquinho expõe a realidade de centenas de artistas, vários músicos que atuam sem contratos formais, sem garantias legais e, muitas vezes, sem o respeito básico à sua arte. Ele revela, com dureza, que muitos tocam para mesas que celebram aniversários, conversam alto ou sequer notam a presença do artista.

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“Algumas pessoas confundem, acham que o 'couvert artístico' é uma ajuda para o artista, e não é. É pagamento! O artista é profissional, está prestando um serviço, levando música ao ambiente.” Diz França.

 

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Há aqui um conflito essencial: a arte vista como entretenimento gratuito versus a arte como trabalho remunerado. A primeira concepção infantiliza o artista; a segunda, reconhece sua dignidade profissional. Chiquinho ainda cita Milton Nascimento: “todo artista tem que ir aonde o povo está”. Mas se o artista vai, é preciso que o povo — e os donos dos estabelecimentos — entendam que isso tem um custo justo, mensurável e legalmente respaldado.

 

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1 - É imperativo, portanto, que o Brasil caminhe para uma normatização nacional clara do 'couvert artístico', garantindo:
2 - Informação visível e objetiva ao consumidor;
3 - Repasses transparentes e documentados aos artistas;
4 - Proibição de cobrança disfarçada ou não autorizada;
5 - Proteção legal a artistas que se sustentam com essas apresentações.

 

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A cultura ao vivo é um ativo financeiro essencial da vida noturna brasileira. A voz no microfone, o violão afinado, a melodia de um samba ou de um jazz no canto do salão são mais do que sons: "são trabalhos, histórias, suor e talento. Desrespeitá-los — seja com silêncio, com desinformação ou com omissão de repasses — é comprometer o futuro da cultura popular nos palcos improvisados dos bares", diz ainda o músico e produtor musical (e meu parceiro em várias músicas), mestre Chiquinho França.

"Mhario Lincoln, essa é uma luta por justiça para os profissionais da noite. E a justiça, como a música, também precisa tocar aonde o povo está", complementa CF.

Gostaria muito que esse texto fosse enviado para muitos dos músicos conhecidos e desconhecidos a fim de que possa ser formada uma aliança nacional para, definitivamente, legalizar o "couvert artístico" e assim, garantir aos músicos e outros envolvidos o sustento legal a quaisquer que sejam as pessoas que tomem a música, como seu objetivo profissional de vida.


Façam seus comentários, e entrem nessa jornada. É humana e legal.

*****


Mhario Lincoln c/editoria-geral da Plataforma Nacional do Facetubes.
Depoimento exclusivo: Chiquinho França (músico e compositor)

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alcina maria silva azevedoHá 1 ano Campinas -SPEu apoio com fervor essa luta. É injustiça acharem que a arte musical é apenas um deleite. É um trabalho que deve ser valorizado. Meus aplausos ao Chiquinho França que é um extraordinário músico e artista.
Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 1 ano São José de Ribamar Bravo Chiquinho França!
Francisco Baia Há 1 ano São Luis Maranhão Já paguei várias vezes os couvert, porém nunca, nenhum proprietário dos "barzinhos" informaram antes do show e o porque da cobrança feita pelos garçons, pensamos até que é pra pagá-los, não os artistas. Agora diante desse quadro, urge e é claro que haja realmente uma regulamentação pra assegurar o artista o direito de ter no contrato seu real valor acordado entre o artista e os proprietários. Vamos ajudar se for preciso assinar alguma coisa que dê sustentação aos nossos artistas.
Arlinda MattosHá 1 ano Caxias MaFinalmente Jesus ouviu as minhas preces. Meu filho trabalha de quinta a domingo sem nenhuma proteção trabalhista, nem insalubridade. Mas quer ser músico e aí. O barzinho que ele toca já foi assaltado duas vezes e nessas duas vezes ele voltou sem nada pra casa. Chiquinho. Deus te abençoe.
Aninha do Forró Há 1 ano Aldeias Altas MAAgora senti firmeza. Você quer liderar uma campanha nacional Chiquinho.. fala com teus amigos da TV e rádio. Vc é um.lider nato. Tô dentro.
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