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Seja sincero: você sabe realmente ler um livro? Quantos leu ano passado?

Em tempos de excesso literário, Mortimer Adler ensina como escolher, entender e aproveitar melhor cada leitura.

08/06/2025 às 21h28
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria do Facetubes
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Arte: Ginai/mhl
Arte: Ginai/mhl

Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes

 

Diante do turbilhão de obras que se acumulam em livrarias, bibliotecas e acervos digitais, a angústia de selecionar o que ler – e o que deixar passar – se tornou um dilema silencioso do leitor contemporâneo. Afinal, quantos livros cabem em uma vida? E, mais ainda: como distinguir o que vale realmente a pena ler, sabendo que nosso tempo é irremediavelmente finito?

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Essa inquietação não é nova. Em 1940, o filósofo e educador americano Mortimer J. Adler propôs uma resposta ambiciosa e refinada: Como Ler Livros (How to Read a Book), obra que se tornaria um marco no pensamento crítico sobre leitura. Revisitada em 1972, em coautoria com Charles Van Doren – nome destacado do mundo editorial e intelectual norte-americano –, a obra apresenta um método sistemático para transformar a leitura em ato consciente e profundamente analítico. Adler não se contenta com o consumo passivo do texto; ele exige do leitor um exercício quase socrático de interação com a obra, uma busca por camadas, sentidos e conexões.

 

O método propõe quatro estágios: leitura elementar, inspecional, analítica e sintópica. Cada um deles exige do leitor um nível crescente de envolvimento. Na leitura sintópica, a mais complexa, o leitor confronta diversas obras sobre o mesmo tema, buscando sínteses e articulações inéditas – um verdadeiro trabalho filosófico. Longe de sugerir uma leitura veloz ou meramente pragmática, Adler propõe um pacto: a leitura como uma forma de pensar o mundo e a si mesmo.

 

Além deste tratado, Mortimer Adler esteve à frente do projeto Great Books of the Western World, um ambicioso compêndio das obras que moldaram o pensamento ocidental. Mais do que um organizador de ideias, Adler foi um defensor do espírito crítico e da formação intelectual sólida, atributos que hoje parecem submersos na avalanche de conteúdos instantâneos e efêmeros.

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Ao ler Adler, não lemos apenas sobre leitura. Lemos sobre responsabilidade diante do conhecimento, sobre o direito – e o dever – de sermos leitores atentos em um mundo que nos quer distraídos. A pergunta que abre este texto, então, não deve nos paralisar, mas nos orientar: não se trata de ler tudo, mas de ler melhor. E Mortimer J. Adler, ainda hoje, oferece uma bússola elegante para essa travessia.

 

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