
Celebrando os 100 anos de João Mohana. A Academia Maranhense de Letras AML, produziu uma bonita celebração realizada em seu espaço acadêmico em memória aos 100 anos do grande escritor João Mohana, cujo legado permanece nas linhas do tempo sob a forma de sua escrita e sob testemunhos de sua trajetória de vida.
Inicialmente o presidente da AML Lourival Serejo falou sobre o autor, ressaltando seu jeito não só de escrever, mas também seu jeito de viver. Falou de sua linha de pensamento ligado ao sentido da vida sobre seu sacerdócio, ressaltou obras como O Outro Caminho e Maria da Tempestade. Lembrou ainda de sua experiência pessoal com Mohana, pois as suas famílias tinham forte ligação, Mohana passou um período de sua vida em Viana, Terra Natal de Serejo, pontuou ainda a grande habilidade que o escritor tinha de acolher os jovens e de orientá-los no caminho da vida. Ressaltou que em sua obra Mohana trazia muitos traços de autoajuda, embora nessa época ainda não se falar no estilo autoajuda como temos hoje, destaque para habilidade de tocar em temas a frente do tempo. Outro ponto muito relevante trazido por Lourival foi a questão do resgate da música maranhense, João Mohana foi responsável por resgatar muitas partituras da música maranhense num incansável trabalho de pesquisa, o que oportunizou para nossa cultura um passo muito importante para preservação da nossa memória musical inicial.
Seguindo o ciclo de palestra a professora Doutora Sônia Almeida nos brindou com uma "narrativa" sobre O Outro Caminho não meramente uma leitura, mas uma viagem muito bem feita pela capacidade perfeita que Mohana Imprimiu em seus escritos. O texto foi intitulado Os sons da Culpa em uma partitura romanesca, nessa perspectiva de entregar ao público um recorte interessante sobre o romance, destacando as diversas possibilidades de interpretações e entendimento que pode se encaixar em diversas linhas de pesquisas. Entre doutrinas, dogmas, e a vida humana comum. Destacou os aspectos locais escancarando a linguagem do desejo contidos em momentos importantes da vida.
E assim viajou pelas memórias numa gostosa narrativa que trouxe aspectos comuns de um dia comum, cenários, sabores impregnados de uma linguagem poética muito presente. Ela mostrou a intensidade da fruição literária capaz de ocupar os pensamentos de tal forma que os personagens lidos acabavam ocupando espaços na mente de modo a visualizar as especificidades de um arquétipo específico numa história específica.
Fala ainda sobre a metafórica da Pororoca ambientado na lembrança narrada tendo como cenário o Rio Pindaré, como um prenúncio do que o personagem iria viver.
E nessa tecitura narrativa, Sônia Almeida nos levou a viajar nos caminhos de padre Mohana e suas histórias tão significativas do ponto de vista do intercalar a ficção e os sentimentos e pensamentos humanos. Sônia de fato nos levou numa gostosa viagem nas asas de Mohana oferecendo leveza para tão importante momento
O terceiro palestrante o magistrado Américo Abreu, trouxe uma fala muito próxima das ideias de Mohana ambientando-o a uma realidade própria do escritor principalmente destacando o trabalho com a juventude que era de extrema importância para o desenvolvimento de uma sociedade melhor organizada capaz de tocar suas ideias com muita convicção. Falou ainda sobre as orientações diversas para cada indivíduo que atendia, que aconselhava que esclarecia, dando destaque para evolução espiritual de cada um de modo individual.
Ele falou no semeador que semeava sem sair de seu gabinete, mas também semeada quando ia ao encontro das multidões quer em suas pregações litúrgicas quer em suas falas em palestra.
Mohana tinha uma consciência de influenciar seus meios da melhor forma para não correr o risco de ter abafado o bom ensinamento por influências negativas. Um grande ser a iluminar os jovens que conviveram com ele em sua é poca.
Por fim um representante da família de João Mohana tomou a tribuna e falou, na ocasião relatou sobre uma carta que tratava de um representante da FUNART para avaliar os feitos de Mohana em 1977, o pesquisador o qualificou como coletor de partitura, o que ficou registrado em carta sob a forma de indignação de Mohana pelo fato de ter sentido ser ele reduzido a mero coletor de partitura o que diminuía a importância da valorosa contribuição de resgate das partituras absolutamente necessárias para remontagem dos primórdios da música maranhense, que se constituiu ao longo do tempo. Mohana na verdade foi um verdadeiro salvador de um patrimônio imensurável que foi o resgate da música maranhense primeira herança de qualidade musical e cultural, feita por meio de um sério trabalho de pesquisa do escritor.
A cerimônia culminou no relançamento do livro Sofrer e Amar, uma edição comemorativa dos 100 anos.
João Mohana ocupou a cadeira de nº 3 da Academia Maranhense de Letras, destaque para o prêmio “Coelho Neto” outorgado pela Academia Brasileira de Letras.
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