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EXCLUSIVO: “AGUA E FOLHAS DA AMAZÔNIA – EPISÓDIO XXII”

João Ewerton é membro da Academia Poética Brasileira.

11/08/2025 às 13h21 Atualizada em 11/08/2025 às 16h25
Por: Mhario Lincoln Fonte: JOÃO EWERTON/Facetubes
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Diretor/roteirista JOÃO EWERTON
Diretor/roteirista JOÃO EWERTON

João Ewerton, especial para o Facetubes. 

 

Enfim se cumpriram as 3 noites de Festival em Parintins, onde se teve um grande diferencial nas apresentações, pois este ano, o Caprichoso seguiu a linha da resistência indígena, enquanto o Garantido manteve seu estilo lírico e mitológico, com os temas isolados distribuídos nas três noites, sendo: na primeira noite, "Jurupari: O Guardião da Floresta"; na segunda noite, "Carimbó: o Tambor da Amazônia"; e na terceira noite, "O Reino Encantado da Vitória-Régia". O Garantido manteve a divisão tradicional de espetáculos específicos por noite, o Caprichoso apostou num enredo político e ancestral, dividido em três atos: um ato para cada noite.

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Este ano o Boi Garantido foi o grande vencedor do Festival Folclórico de Parintins 2025, conquistando seu 33º título e encerrando um jejum de vitórias que durava desde 2019. O Garantido venceu o Caprichoso por uma diferença de 1,1 ponto, totalizando 1.259 pontos contra 1.257,9 do Boi Azul, deixando as torcidas sem fôlego durante a apuração do resultado que faz a cidade parar.

Só quem presencia este espetáculo magnífico pode entender por que o Festival Folclórico de Parintins, hoje em dia, é considerado um dos maiores tesouros culturais do Brasil, representando muito mais que uma competição entre os bois Garantido e Caprichoso. Sua relevância se destaca em três importantes dimensões: sendo a primeira delas a sua colaboração para a preservação da identidade amazônica, mantendo vivas as lendas, rituais e tradições da região, além dos cantos indígenas, integrando elementos caboclos, afro-brasileiros e nativos.

Além disso, o Festival de Parintins é uma celebração da cultura ribeirinha, com toadas, danças e alegorias que retratam a vida na floresta e nos rios, e o imaginário desses povos que habitam esse universo das águas.

Na arena do Bumbódromo, as expressões artísticas e as inovações se tornaram a tônica principal desses espetáculos de arte em movimento, combinando teatro, música, esculturas gigantes e performances que rivalizam com o Carnaval do Rio ou de São Paulo em criatividade, além de servir como palco para artistas locais, compositores e artesãos, movimentando a economia criativa da região.

Devido à sua singularidade e apelo inovador, o Festival de Parintins hoje é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil. Foi esse festival que projetou a Amazônia no imaginário nacional, mostrando sua riqueza cultural pulsante, além do seu exuberante bioma.

O Festival de Parintins, no meu ponto de vista, é a materialização de um trecho da letra da canção visionária, “Um Índio”, de Caetano Veloso, quando ele diz:
“Um índio preservado em pleno corpo físico, em todo sólido, todo gás e todo líquido, em átomos, palavras, alma, em cor, em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico. Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico, do objeto sim resplandecente descerá o índio. E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer assim de um modo explícito!...”

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É isso que senti ao ver a exuberância e a ousadia estética dos espetáculos dos dois bois de Parintins, dando uma roupagem singular à alma dos povos originários e aos temas atuais como resistência indígena e preservação ambiental, que são abordados com muito vigor, transformando o evento num manifesto político-cultural. Como por exemplo, quando o Caprichoso aposta na estética engajada com o sociocultural e com as tecnologias cênicas.

Em resumo, Parintins não é só um festival: é a alma da Amazônia materializada naquela arena do Bumbódromo, em todo um conjunto titânico de performances, no número de figurantes e nas gigantescas alegorias, que se tornaram um símbolo de resistência cultural e uma das mais autênticas expressões culturais do Brasil.

Aliás, considero que as alegorias colossais dos bois de Parintins não são apenas estruturas de aço, espuma e tinta: elas são monumentos em movimento, erguidos com a força da coletividade, da ancestralidade e do sonho amazônico. Elas desfilam, não sobre o chão, mas sobre o imaginário do povo, materializando lendas, mitos, encantarias e memórias. Cada figura gigantesca que se revela na arena é uma entidade viva, uma oferenda de cor e som à floresta, ao rio e aos espíritos que habitam a cultura cabocla. É como se a alma do Brasil profundo se tornasse visível em forma dos mitos que habitam os rios e florestas. E o que se vê ali, diante dos olhos extasiados da multidão, não é apenas um espetáculo — é um ritual de pertencimento, uma afirmação visual da grandiosidade amazônica. O colosso das alegorias não está apenas no tamanho: está na potência simbólica de uma arte que resiste, encanta e canta o que é visível, assim como revela o que há de mais precioso dos ícones do invisíveis. Aquelas obras titânicas não são apenas alegorias restritas ao espetáculo na arena; elas simbolizam a grandiosidade de tudo aquilo que compõe o universo amazônico, gigantesco em todos os seus aspectos.

Mas Parintins não é o único festival do Amazonas, pois ali ocorrem outros importantes festivais, como:

O Festival Folclórico de Barreirinha, realizado anualmente nesse município próximo a Parintins, é uma manifestação tradicional que celebra a cultura local por meio da disputa entre dois bois folclóricos: o Touro Branco e o Touro Preto. A edição de 2025 acontecerá agora em agosto, entre os dias 28 e 30, na Arena do Touródromo, e inclui eventos como Encontro das Torcidas, Ensaio Técnico e a noite decisiva de competição, além de atividades paralelas que valorizam artes plásticas, economia criativa e identidade amazônica.

A Festa do Guaraná de Maués, realizada anualmente em novembro, na cidade amazonense de Maués, é um dos festivais folclóricos mais tradicionais da região Norte, celebrando o guaraná como símbolo cultural, econômico e mítico do povo local. O evento foi concebido a partir de lendas indígenas sobre a origem do guaraná, nascido das lágrimas de uma criança sagrada, valorizando a história local da tribo Sateré-Mawé em Maués. Consolidou-se como evento socioeconômico e turístico, focado no fruto e na identidade regional.

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Temos ainda o Festival Folclórico de Humaitá — às vezes chamado de “Mangabafest” —, combinado com o Festival Folclórico, um evento real e tradicional no município de Humaitá, localizado no sul do Amazonas, próximo à divisa com Rondônia.

Esse evento ocorre normalmente em agosto, com programação de dois a três dias, e reúne apresentações de diversos bois-bumbás e quadrilhas juninas, criadas por agremiações locais como os grupos: Filhos da Selva, Fogo Azul, Marupiara e Flor da Mangaba.

Outro importantíssimo evento amazônico é o Festival das Tribos do Alto Rio Negro, que acontece no município amazônico de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Amazonas com a Colômbia e Venezuela. São Gabriel da Cachoeira é um dos municípios mais indígenas do Brasil, com predominância das etnias Baniwa, Tukano, Yanomami e outras, e tem como principal evento o Festival Cultural das Tribos Indígenas do Alto Rio Negro, conhecido como Festribal, que reúne as principais etnias da região, Tukano e Baré. O evento é realizado no Ginásio Arnaldo Coimbra, entre agosto e setembro, e celebra a diversidade cultural indígena por meio de danças, músicas, alegorias e exposições, sendo a maior manifestação cultural dos povos originários da floresta amazônica e um espaço fundamental para preservar e difundir suas tradições ancestrais.

Diferentemente dos bois-bumbás de Parintins, este evento é focado nas tradições indígenas, sem influência do folclore caboclo ou afro-brasileiro.
Durante o festival, os grupos de diferentes etnias se apresentam com trajes típicos, pinturas corporais e instrumentos tradicionais, tais como as flautas de taboca e maracás. Paralelamente ao evento, acontecem exposições de artesanato, vendas de comidas típicas e debates sobre direitos indígenas e sustentabilidade.

Embora não seja no estado do Amazonas, o Festival de Parintins influenciou a Festa do Sairé, realizada anualmente em Alter do Chão, Santarém, no Pará — uma celebração tradicional que combina rituais indígenas e influências jesuíticas, destacando-se pelo Ritual dos Botos, uma disputa entre dois grupos folclóricos denominados Boto Tucuxi e Boto Cor-de-Rosa, que encenam a lenda do boto amazônico. Essa competição artística segue o modelo do tradicional Boi-Bumbá de Parintins, com apresentações coreografadas, figurinos elaborados e enredos temáticos. O festival, que ocorre anualmente em setembro, é considerado a maior manifestação cultural do oeste do Pará e atrai milhares de visitantes. Esses festivais fortalecem a identidade cultural da Amazônia, especialmente nas comunidades ribeirinhas, e são uma extensão da tradição do Boi-Bumbá de Parintins.

Além da disputa dos botos, o evento reúne manifestações culturais, religiosas, danças, artesanato e culinária típica, sendo reconhecido como patrimônio cultural nacional pela sua importância na preservação da identidade amazônica.

Após a última noite do festival, sigo pela rua da Marujada em busca de atravessar a Avenida das Nações, num trajeto super demorado, tentando abrir espaço entre o mundo de gente que se acotovela em busca de caminho para seguir em frente e chegar a qualquer lugar onde se possa respirar e aliviar o calor infernal que faz naquele momento. Agora, sigo minha aventura pelo Rio Amazonas, em busca das memórias do meu avô.

 

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João EwertonHá 10 meses São LuisEngraçado que até aqui, escrevendo sobre cultura a gente é importunado por aqueles que nunca produziram nada, senão inveja e recalque. As pessoas bem informadas e do bem, conhecem a minha trajetória de 50 anos, no Brasil e no mundo. Incrível como os pobres diabos inúteis, trabalham exclusivamente para prejudicar aqueles que produzem.
João EwertonHá 10 meses São LuisMalu Costa Ferreira, O negócio é a agenda combinar. rsrs
João EwertonHá 10 meses São LuisJosé Benedito, amigo, eu estive com Jesus até uma semana antes do seu falecimento, estávamos certos de fazer uma exposição com os últimos trabalhos dele, onde eu faria a curadoria, mas de repente ele faleceu, e tudo foi por água abaixo. Não tenho a mínima ideia do que foi feito como o se acervo, muito menos com os seus projetos, pois ficaram com a sua atual esposa com quem não tenho a menor aproximação.
João EwertonHá 10 meses São LuisLaura Amelia Souza, comungo da mesma angústia. Completo 50 anos de estrada pelo mundo e quando olho para o Maranhão vejo cada vez mais subtraído.
João EwertonHá 10 meses São LuisLaura Castilho, que bom que vc tem gostado. abraço
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