No Litoral de São Paulo, menino de 5 anos recolhe livros do lixo
Tudo começou quando dois PMs de folga viram o pequeno Matheus, 5, recolher alguns livros em uma caçamba de descarte. Eles seguiram o menino até sua casa e encontraram a casa que ele divide com os pais e os irmãos. A história foi parar na internet e gerou uma corrente de ajuda para a família, que mora em Caraguatatuba (SP). "Eu não imaginava que tinha pessoas passando por necessidade tão perto assim de mim. Vim fazer o mínimo que poderia fazer", afirmou um comerciante. Para ler a história completa. (NE: Quando tem que ser, será!)
Textos Escolhidos: Danilo Sardinha e João Mota, G1 Vale do Paraíba e Região
Em uma caçamba de entulho, onde as pessoas costumam jogar o que para elas não serve mais, Matheus Ferreira de Moura, de apenas cinco anos, encontrou algo que servia muito para ele: livros. Vestido apenas com um shorts, entrou na caçamba, pegou o que desejava e levou para casa. Queria apenas se divertir com o achado, mas, sem saber, estava escrevendo ali um capítulo novo da própria história.
Enquanto recolhia os livros em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, Matheus era observado por policiais militares de folga, que fizeram uma foto da cena e o seguiram, de longe, até a casa onde morava.
Após conhecerem Matheus e a família, os policiais divulgaram a história em uma rede social. A foto de Matheus saindo da caçamba rodou a web e mobilizou pessoas a melhorarem a vida do pequeno e da família.
Matheus é um dos seis filhos que vivem na casa de Claudinei Ferreira de Moura, dona de casa, e Winderson Balbino de Lima, autônomo. A família mora em uma residência simples e, segundo a matriarca da casa, enfrenta dificuldades. Ao mesmo tempo, ela destaca que são felizes e unidos.
A união pode ser provada pelos livros. Matheus os recolheu do lixo não apenas para si, mas para dividir com os irmãos. Questionado sobre qual sonho tem para o futuro, o pequeno mostra que já deu o primeiro passo ao recolher os livros.
"(Meu sonho é) estudar", destacou Matheus.
“O que eu mais quero para os meus filhos é que eles tenham o que eu não tive. A minha felicidade é ver eles crescendo e conquistando os sonhos deles”, disse a mãe de Matheus, Claudinéia Ferreira de Moura.
Olhar atento ao próximo
Matheus recolheu os livros na caçamba de lixo na última segunda-feira (9), no bairro Caputera, de Caraguatatuba, por volta do horário do almoço. Naquela hora, os policiais militares André Pereira e Glaucio Oliveira estavam andando pela bairro quando viram a cena. A princípio, uma imagem curiosa.
"Achamos que poderia ser comida que ele estivesse pegando", contou o sargento André Pereira, que é de Araçatuba e passa férias na casa do amigo em Caraguatatuba.
"Vimos que pegou os livros velhos, colocou embaixo dos braços e saiu descalço. Ficamos observando e vimos onde ele foi. A Beatriz, esposa do Glaucio, pegou umas roupas usadas para doar e fomos fazer contato. Conversamos com a família e perguntamos se eles queriam ajuda, se poderíamos divulgar a história para tentar atrair pessoas", acrescentou.
Na casa, os policiais militares gravaram um vídeo da família e colocaram na rede social junto com a foto do momento em que Matheus carregava os livros. Pensaram que o caso poderia repercutir no município do litoral norte. Ledo engano. A ausência de fronteiras da rede social fez a história chegar em várias cidades do Brasil e atrair pessoas para ajudar a família.
"Eles já ganharam muitas coisas, mas precisam de mais estrutura também como um tratamento odontológico. Existem muitos Matheus pelo mundo e é importante a gente olhar pro lado e ajudar o quanto pudermos", comentou Glaucio Oliveira.
Corrente do bem
A Associação de Combate ao Câncer de Caraguatatuba (ACC), que fica no bairro onde Matheus vive, abriu as portas para receber doações para a família, como cestas básicas e equipamentos para a casa.
A família tem recebido alimentos e uma escola particular da cidade ofereceu uma bolsa de estudos para Matheus. Ao conhecer a história da família, o comerciante Carlos Santana deu um video-game para colaborar com a diversão das crianças.
"Eu não imaginava que tinha pessoas passando por necessidade tão perto assim de mim. Vim fazer o mínimo que poderia fazer", afirmou.
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