
“Segunda Poética” não é só uma editoria temática: é uma política editorial que garante visibilidade contínua, curadoria e memória para a produção dos membros da Academia Poética Brasileira e convidados, em escala nacional. Na web iniciativas como essa do www.facetubes.com.br, com selo, pauta e critério, ajuda o interesse do leitor pelo nicho e facilita a descoberta: os mais de 15 mil acessos mensais confirmam apetite por conteúdo sério em Literatura, Arte e Música. Concentrar a publicação dos acadêmicos e convidados APB numa faixa fixa da semana cria hábito, recorrência e indexação estável, sem dúvida, pilares mensuráveis por ferramentas amplamente reconhecidas como a "Similarweb", referência de mercado para análise de tráfego e rankings por categoria no Brasil. Como escreveu o titular da Plataforma: “A poesia organizada em rito semanal transforma audiência em comunidade.” — Mhario Lincoln, jornalista e poeta.
SOCORRO GUTERRES
POEMINHA DE SÁBADO
Socorro Guterres
Quero desconstruir meu poema:
Desalinhá-lo,
Deixá-lo ébrio
Sem métrica,
Sem rima.
Quero personificar meu poema:
Dá-lhe asas.
Em tua busca,
Dá-lhe rumo.
Por tua culpa
Ele dobrará esquinas perigosas
Em noites soturnas.
Mas num encanto
Te encontrará
Num derradeiro antro.
Então, há de declamar
O que latino mestre
Tão bem propagou:
"A arte de amar".
Assim, numa metamorfose,
Meu poema
Outrora pobre,
É todo criação.
E no teu colo nu
É última revelação
A concretizar em versos,
Desencontrados,
Tua perpétua admiração.
E sussurrar teu nome:
Poesia ... lume.
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CARLOS FURTADO
Primavera em NÓS
Carlos Furtado
Primavera é anúncio de renascimento.
Depois do silêncio do inverno,
a vida desperta em claridade e perfume.
O céu parece mais azul,
lavado pelas chuvas,
e cada manhã se veste de promessa.
As árvores, antes nuas,
agora se cobrem de verde delicado,
bordando o horizonte com esperança.
As flores se abrem num espetáculo de cores:
rosas, amarelos, lilases, vermelhos…
a terra sorri em gratidão.
Os pássaros, mensageiros fiéis,
cantam a alegria do recomeço.
O vento sopra diferente —
mais leve, mais terno —
acaricia a pele,
desperta memórias esquecidas.
Primavera é tempo de renovação.
Assim como os campos,
o coração está ávido para florescer,
abandona a rigidez dos invernos íntimos,
abre-se para acolher novos sonhos.
É a estação da delicadeza
e da força silenciosa:
para nascer, é preciso romper a terra,
para florir, é preciso acreditar na luz.
A primavera nos ensina:
a vida é um ciclo de recomeços.
Cada pétala que se abre recorda:
sempre haverá tempo de reerguer-se,
sempre haverá espaço para o belo,
sempre haverá dentro de nós
uma primavera escondida,
pronta a desabrochar.
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Raimundo Fontenele
NA NUVEM
Raimundo Fontenele
(in memoriam de Nauro, o Poeta)
O precipício é pedra.
Um rombo na Sardenha do intestino.
Quando rezares, poeta, num reino sem ter nuvem e sem mistério,
olha pra nós aqui embaixo
que ainda suamos nas trevas.
A nuvem vai passar.
Não haverá mais lugar para mover-te
entre as criaturas-cadáveres
em zombarias eternas.
Alvíssima toalha numa mesa posta
para a última refeição.
É fim dos tempos, poeta,
chegou a hora de voltarmos
ao mesmo veio.
O canto de um galo místico
se faz ouvir às quinze de um domingo.
Ó bebida! Ó palavra! Ó remissão!
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Rogerio Rocha
A Golpes de Martelo
Rogerio Rocha
Meu martelo constrói a incompletude.
Meu martelo trabalha com afinco,
Destrói o mundo com seu golpe rude.
Meu martelo cria e urde, desafia e
Emudece as formas que surgem,
Mas habita na fala das pedras
Desamparadas do ente mais duro.
Meu martelo titânico destrói e devassa,
Burila e avassala rochas densas,
De natureza inconcussa e magmática.
Bate sobre o solo com firmeza instrumental.
Absorve-se no absurdo que é bater no infinito,
Despejar no monolito a frieza do seu grito magistral.
O arquiteto noviço, o artífice decrépito, o reles
escultor,
Coletam lascas, coletam nesgas, rastejam na praça
Em busca dos restos do objeto perfeito que esculpo.
Um ruído surdo invade os orbes celestes,
devora o mundo, prefere os ataques lascivos,
os dedos massivos do pai dos tormentos.
Meu martelo espanca o ilusório;
Meu martelo trabalha com fúria,
detona todo vulto civilizatório.
Meu martelo desarma, num gesto,
A solene ambição dos que regem
O processo nefasto do estar à mão.
Meu martelo profético desfaz e arrasa,
Com golpes potentes, enormes pancadas,
As torres maciças que o templo resguarda.
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MARLENE RIBEIRO
Frangmentos de mim
Marlene Ribeiro é poeta, cuidadora e humana.
(I)
"Todos temos nossas lutas,
mas só quem sabe suportá--las
pode ser classificado de herói."
(II)
"A verdade pode causar
muita dor, então esteja
preparado quando á procuras."
(III)
"Amo meus cabelos brancos,
O meu sorriso.
Amo ser como sou."
(IV)
"A paciência com um idoso
é a forma mais linda de dizer:
eu me importo com você"
(V)
"O Alzheimer pode
apagar memórias, mas
nunca o direito a ser
cuidado com respeito,
paciência e carinho"
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ESMERALDA COSTA
Soneto do Amor Eterno
Esmeralda Costa
Dentre os poemas tantos que escreveste,
Habita em mim o som da tua voz.
Em cada verso teu, me descreveste,
Com amor puro, autentêntico e veloz.
Teu lume inspira a pena que me guia,
Teu riso em mim desperta a inspiração.
Tu és, meu bem, a luz do meu dia,
A rima exata do meu coração.
És meu destino, amor e transcendência,
Em teus abraços perco a consciência,
E encontro em ti razão para viver.
Se és poeta, sou tua poetisa,
Na tua estrofe, sou verso e sou brisa,
Meu verbo eterno, arte de escrever.
ELOY MELONIO (APB-MA).
Aos confrades e confreiras que não puderam estar na XII FELIS (Feira do Livro de São Luís) no sábado passado, aqui está o poema (crítica social) que declamei nesse evento. Agradeço, antecipadamente, os comentários.
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