
Editoria de Cultura e Literatura – Plataforma Nacional do Facetubes c/site da Academia Brasileira de Letras
O professor, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Candido Mendes de Almeida faleceu no Rio de Janeiro, em 2022, vítima de embolia pulmonar, aos 93 anos.
Com o fardão que pertenceu ao acadêmico e jurista Candido Mendes, o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto prepara-se para assumir seu lugar na Academia Brasileira de Letras. A médica Margareth Dalcolmo, viúva de Candido, decidiu em gesto de emoção e amizade oferecer ao novo imortal a peça guardada com devoção desde o falecimento do marido, em 2022. “Paulo Henriques era o tradutor de Candido, havia entre eles uma admiração mútua. Tenho certeza de que Candido estaria honrado de vê-lo com o fardão”, disse Margareth.
O gesto comoveu o poeta, que aceitou de pronto a homenagem. O fardão precisou apenas de pequenos ajustes — uma calça levemente larga, fitas douradas trocadas — trabalho feito pelo alfaiate Macedo Leal, no Rio de Janeiro. A ligação entre as famílias vem de longa data: Santuza, esposa de Paulo Henriques e professora da PUC-Rio, era grande amiga de Maria Isabel, filha de Candido Mendes. Ambas já faleceram, mas deixaram laços de afeto que persistem no tempo. Margareth recorda que socorreu Santuza, quando ela foi vítima de um aneurisma durante o lançamento do livro Formas do Nada, dedicado a ela em 2012.
Com mais de quatro décadas de docência na PUC-Rio, Paulo Henriques Britto vive dias de intensa emoção e trabalho. Ele confia à nora, Fernanda, a organização da cerimônia de posse, que promete reunir amigos e admiradores em clima de celebração literária. Entre reuniões e aulas, o poeta já anuncia seu propósito como acadêmico: levar a ABL a mergulhar na poesia. Pretende promover ciclos de debates sobre tradução poética e poesia contemporânea brasileira, áreas que domina e que representam o coração de sua trajetória intelectual.
EM TEMPO
O escritor e professor Paulo Henriques Brito tomou posse na cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras dia 12 de setembro passado, na sucessão da escritora Heloisa Teixeira, que faleceu em março deste ano. O Acadêmico Geraldo Carneiro fará o discurso de recepção; o colar será entregue pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin o diploma, pelo Acadêmico José Roberto de Castro Neves e a espada, pelo Acadêmico Arnaldo Niskier. Na comissão de entrada estarão a Acadêmica Ana Maria Machado e os Acadêmicos Antônio Torres e Edmar Lisboa Bacha; na comissão de saída, os Acadêmicos Ruy Castro, Edgard Telles Ribeiro e a Acadêmica Miriam Leitão.
Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro, 1951) é escritor, tradutor e professor de tradução, literatura e criação literária. Publicou quatorze livros: oito de poesia — Liturgia da matéria (1982), Mínima lírica (1989), Trovar claro (1997), Macau (2003, publicado também em Portugal em 2010), Tarde (2007), Formas do nada (2012), Nenhum mistério (2017) e Fim de verão (2022); dois de contos — Paraísos artificiais (2004) e O castiçal florentino (2021) —três de ensaios — Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio (2009), Claudia Roquette-Pinto (2010) e A tradução literária (2012) — e um infantojuvenil, As incríveis aventuras do super-herói Cupcake Gigante e seu fiel escudeiro Jarbas (Editora 34, 2025).
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