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FEIRA DO LIVRO, 18 PRIMAVERAS:  uma flor que começa a murchar

Linda Barros é membro-efetivo da Academia Poética Brasileira

10/10/2025 às 17h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
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Linda Barros (APB-MA)
Linda Barros (APB-MA)

Linda Barros, escritora e atriz. Membro da Academia Poética Brasileira, da AJEB-MA e da ATHEART

 

       Vivemos em um país desigual, em todos os sentidos, inclusive no que diz respeito ao clima. Asestações do ano são definidas pela inclinação da Terra em seu movimento de translação ao redor do Sol, o que causa a incidência desigual de raios solares nos hemisférios Norte e Sul” (informações geradas por IA). Ao longo do ano, acontecem as mudanças climáticas, ocasionando as estações do ano (verão, outono, primavera, inverno). Cada uma delas dura em média três meses, com suas características próprias e distintas baseadas nas variações climáticas, o que nos distinguem dos hemisférios Norte e Sul, de acordo com o eixo da Terra.

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       Entre todas as estações, a Primavera é a mais singular delas (inicia logo após o inverno e antecede o verão).  Essa estação além de ser uma das mais agradáveis, é possivelmente a mais bonita. No Brasil, ela tem início em 22 de setembro e vai até meados de dezembro.

       

Josimael Caldas & Linda Barros.

E é em meio à estação da Primavera que aconteceu a décima oitava Feira do Livro de São Luís (FELIS). O poeta Carlos Drummond de Andrade já dizia: Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito...”. Tal qual ocorre no texto de Drummond, nossa “Mademoiselle” completou 18 primaveras, mas, como uma jovem calejada pelos anos e pelas críticas, apesar da pouca idade, suas “pétalas” começam a murchar, a cair, a perder o brilho e hoje já quase sem perfume, a singularidade e a força de seus caules tendem a decair, ainda que seja regada com muito carinho, a força negativa que recebe dos visitantes (ou não) faz com que, em vez de brotar novos galhos, tenda a esmorecer.

 

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       Foi uma semana extensa e exaustiva de muitas “pétalas” deixadas na Praça Maria Aragão, local do evento já conhecido e esperado por todos (ou por alguns). A décima oitava FELIS, com o tema: “JOÃO MOHANA: A PALAVRA EM CORPO E ALMA, chegou quase atrasada - e sem dar muitas notícias de que viria – mas desceu as famosas escadas da Praça Gonçalves Dias, trazendo na bagagem a história do Pe. João Mohana - o homenageado desta edição -  trouxe também um pouco da vida e obra do caxiense filósofo e matemático Raimundo Teixeira Mendes (um quase desconhecido para maioria), em que nessa ocasião comemora 170 anos de seu nascimento e o centenário de nascimento de Conceição Aboud.

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Atrações: Alex Brasil, José Ewerton Neto & José Neres e Dino Cavalcante.

 

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       A Feira Literária contou em sua programação com a presença de grandes nomes da literatura nacional, como foram os casos de Itamar Vieira Jr, autor de “Torto Arado”, Rodrigo França (diretor de cinema, ator e escritor), autor de “O Pequeno Príncipe Preto”, Carlos Nejar, poeta e membro da ABL, autor de “Sélesis” e “O Campeador e o Vento”, como também de outro país, como foi o caso da escritora cubana Teresa Cárdenas, autora de obras como “Cartas para minha mãe” e “Cachorro Velho”. Tivemos também nomes da literatura local como o caso da profª. Doutora Márcia Manir Miguel Feitosa (UFMA) que conversou com a plateia sobre Ferreira Gullar, juntamente com o escritor, professor José Neres (AML) que falou sobre os 50 anos de Os Tambores de São Luís. Em outro momento, o escritor Lourival Serejo, presidente da AML, juntamente com Américo Abreu Costa, Luiz Alexandre Raposo e mediado pelo jornalista e historiador Marcos Saldanha, falaram “João Mohana: a palavra em corpo e alma”. Sobre Raimundo Teixeira Mendes tivemos o bate-papo com a escritora Waléria Soares, os poetas Alex Brasil, José Ewerton Neto e André Bogéa.

 

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       Entre tantos nomes falados, comentados e aplaudidos tivemos também Nauro Machado, considerado um dos maiores poetas do século XX, Maranhão Sobrinho, Inácio Raposo, Dilú Mello, Conceição Aboud, entre tantos outros nomes. Entre todos esses nomes, tivemos uma semana de inúmeros lançamentos de autores ludovicenses, entre eles: Rute Ferreira. Jorge Mendes, Antonio Melo, Maria José Silva Lima Vieira, Algemira Macêdo Mendes, Gorete Pereira, Euclides Moreira Neto, Ray Brandão, Euges Lima, Andrea da Silva, Sofia Miranda, Adriana de Jesus Silva e Silva, Ivoni Araújo Silva, Luis Henrique Falcão, Walterline Maia, Tatiana Azevedo, Elany Morais, entre muitos e muitos mais nomes. Tivemos também a presença marcante da Academia Maranhense de Trovas, com a posse de novos membros.

 

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       Em meio a tantos eventos, tantos debates, tantas palestras, tantos nomes, no último dia da 18ª Feira do Livro, houve um acontecimento à parte. Aconteceu a discussão, o bate-papo, o sarau poético, apresentação teatral e o encontro das Novas Vozes da Literatura Maranhense, promovido pelo Grupo de Pesquisa GELMA. A ideia foi mostrar a riqueza literária que a nossa tão calejada “Cidade dos Azulejos”, “Athenas brasileira”, a “Ilha do Amor” possui. Feito. O auditório João Mohana, o espaço principal da Feira, cedeu lugar e voz à nova safra da literatura maranhense. Comandado pelos professores/Doutores José Neres e Dino Cavalcante, o Encontro trouxe à baila uma discussão já bem antiga: a importância de se estudar, de se ler e de se consumir a literatura local.  A plateia foi presentada com a figura de Antonio Henriques Leal (Josimael Caldas) em uma conversa com a profª. Lúcia (Linda Barros), um encontro emocionante entre o passado e o presente, discorrendo sobre o ontem e o hoje na literatura, assim como suas angústias e tristezas pelo “apagamento” de nossos autores.

 

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       Por fim, dizer que até a mais linda flor tem seus dias de glória e de declínio, assim como a Feira do Livro, nesses longos anos de labuta, chega à maioridade com fragilidade em meio a críticas. Nessa perspectiva, se não for renovada, pode perder sua cor e sua essência. Mas como a esperança é a última que morre, que seja infinita  nossa Primavera (que se renova a cada ano), e que nesse  ramalhete de flores, ainda há pétalas que exalam o perfume de um novo amanhã e assim,  possam brotar poesias, romances, crônicas, novelas e... que não possam faltar leitores ávidos para descobrir novas estações. E até ano que vem!

      

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Joizacawpy Há 8 meses São luís Um texto necessário. Obrigada Linda Barros por essa tão bela e oportuna construção textual. A literatura de fato acaba se tornando um movimento de resistência em nossa sociedade. Faço torcida para que um dia possamos celebrar a importância de tão belo fazer humano.
Maria José Lima Há 8 meses São Luís-MA Parabéns pelo texto! Temos tudo pra fazer melhor.
Lima Duarte de AzevedoHá 8 meses Teresina PISe a coordenadora da Feira tivesse realmente apoio, essa seria maior que Parati.
Lindalva SantAnnaHá 8 meses Teresina/piLinda Barros se supera. Merecia estar na AML.
Lucia Azevedo. Artista Plástica Há 8 meses São Luís Parabéns para o stand da Galeria Trapiche. Foi tão importante esse trabalho que na minha modéstia foi 40% do brilho de toda FELIS.
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