O DESAMOR EM CONTOS
por A PENA DO PAVÃO, publicado em Crônicas
Desamar é desarmar o peito para que não pulse o coração pelo amor partido que já foi repartido.
Já que “desamor não tem a impetuosidade dos sentimentos fortes”, como, com autoridade de escritora afirma a autora, julgo que ele apareça como uma luz. Ou como ela mesma fala: “do fastio, da desilusão, da rotina…”.
Foi assim que inferi a declaração de uma das mais brilhantes penas da literatura maranhense contemporânea, elevada ao patamar nacional pela observação pertinente do confrade Daniel Blume – ao considera-la, depois de Lya Luft, a maior contista do Brasil – em memorável noite de múltiplos lançamentos de livros de uma mesma autora: a confreira Ceres Costa Fernandes.
Não sou retratista, novelista, colunista social e muito menos jornalista para narrar com brilho o momento literário histórico singular que vivemos. Mas como observador e aprendiz muito aprendi durante toda a noite com intelectuais como Benedito Buzar, Lino Raposo e Natalino Salgado, com quem mantive um diálogo formidável e frutífero.
Mas do palco também me vieram ensinamentos pelas declarações da autora e dos interlocutores talentosos que são os confrades Alexandre Lago e Daniel Blume.
A mim não compete tecer críticas literárias, mas o desamor como mote me inspirou desde logo a refletir sobre desamores que se fazem necessários. Uns doloridos, outros de alívio, outros sinais de prudência, e assim a vida se constrói entre amores e desamores. – ou amares e desamares.
Ama-se com contemplação também e, por isso, embora se tenha falado em desamor em crônicas, como mote para convidar a todos que sobre o tema façam reflexões, foi de amor que se construiu a noite em que a curiosa criança amadurecida confessou a todos sua imersão na paisagem de um quadro da casa de seus pais, para descobrir os destinos e aguçar ainda mais a curiosidade por saber para onde as pessoas caminham.
Nascia ali a “Chica Dinamite”? Creio que sim – poucos ouviram a revelação pessoalmente.
Se a menina tinha a imaginação fluída ao contemplar um quadro retratando uma paisagem, a escritora – a quem há tempos admiro – revelou sem querer (não poderia supor) a resposta que eu buscava em uma atividade que me impus como exercício acadêmico.
Olhando do espigão da península – eliminaram a Ponta D’areia – no horizonte distante vê-se um barquinho. Estaria ele partindo ou chegando? A conclusão sempre me trazia como resposta que se parte, deixa saudades; se chega, traz alegrias.
A partir de ontem tudo mudou, depois de assistir à manifestação da confreira Ceres. Eu passei a compreender que o barquinho pode estar levando desamor. Não ousaria duvidar disso.
Há seres e há Ceres. Ou seria “Chica Dinamite”?
Bela festa. Belas obras. Bela noite.
Parabéns, Ceres.
*******
O AUTOR
Professor Titular do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão. Pós-Doutorado Universidade de Coimbra ("Ius Gentium Conimbrigae") Doutor em Direito do Estado (Constitucional) - PUCSP Mestre em Direito - FDR-UFPE Professor de Direito Constitucional do Curso de Direito da UFMA Membro da Associação de Ciência Política do Estado de Nova York (NYSOSA), New York State Political Science Association Associado da Associação Brasileira de Direito Processual Constitucional Membro do IBEC Membro da AMLJ Membro da ALL Membro IMADE Pesquisador junto a CAPES-CNPQ - Grupo de Estudos de Direito Constitucional Contemporâneo
JOEMA CARVALHO Joema: Que seja 'húmus', enquanto durar. E 'manejos de poda', enquanto houver luta!
Auxilium duplex Há um grande movimento contra alimentar a biografia de Carolina Maria de Jesus com a 'romantização da miséria humana'.
NERUDA Pablo Neruda e a criança que sobrevive no adulto: brincar também é uma forma de permanecer humano
EDITORIAL DE HOJE Cada livro, é um pedaço da alma de Maria José Lima: lamentos, silêncios e simbioses
Há 1 ANO-TBT A força da música do Maranhão ouvida na região sul do país
ESPECIAIS Uma vitória em versos: a Academia Cearense de Literatura de Cordel escolhe seu Hino Mín. 15° Máx. 25°
Mín. 18° Máx. 31°
Tempo nubladoMín. 17° Máx. 32°
Chuvas esparsas
AUGUSTO PELLEGRINI Augusto Pellegrini: As Cores do Swing - Bill Hollman, Billy Eckstine, Billy May
COLUNA DA AMCLAM - Academia Maranhense de Ciencia, Letras e Artes Militares Rumo aos 200 Anos: PMMA celebra o Dia do Soldado e Dia dos Veteranos
ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA Josué Montello fez de São Luís um território universal da literatura e levou a memória negra do Maranhão ao mundo
Joizacawpy Costa “A força e coragem de Joizacawpy Costa”, colunista do Facetubes