Terça, 25 de Agosto de 2026 13:35
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A História Conta Mhario Lincoln

O amor e o respeito não são genéticos: precisam acontecer de verdade!

Hoje, 03 de novembro, se viva fosse, a jornalista Flor de Lys completaria 95 anos.

06/11/2025 11h41 Atualizada há 10 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Mhario Lincoln e Flor de Lys.
Mhario Lincoln e Flor de Lys.

*Mhario Lincoln

 

“(...) e onde há alguém aprendendo, havia minha mãe ensinando”. Orquídea Santos sobre a mãe, jornalista Flor de Lys.

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Hoje, 3 de novembro de 2025, escrevo com a voz embargada e o coração agradecido: se viva fosse, minha mãe, Flor de Lys, completaria 95 anos. Em São Luís, o nome dela ainda abre portas de memórias; a jornalista e colunista social que atravessou cinco décadas de trabalho, presença e afeto. Quando partiu, aos 82, vítima de parada cardiorrespiratória, foi como se a cidade perdesse uma luz de sala: aquela claridade doméstica que orienta passos e aquece conversas.

 

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Minha mãe foi pioneira na televisão maranhense com um programa social que permaneceu no ar por quase quatro décadas, entre 1973 e 2011, e transformou bailes e encontros em momentos inesquecíveis. Na maioria dos casos, a renda das festas que organizava ia para entidades assistenciais. A vida profissional, elegante em forma, mas rigorosa em método, tinha propósitos simples e inegociáveis. O objetivo sempre foi o de ajudar, aproximar, reparar gente, momentos e ideias. A crônica social, com ela, deixou de ser mera vitrine e virou ponte. Os registros de época lembram a maratona de eventos, a coordenação de concursos de Miss Maranhão e o vigor de um ofício exercido com disciplina diária e compromisso público.

 

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Em 55 anos de carreira, Flor de Lys colocou a cidade no meio de um furacão de intensa atividade. Trouxe artistas, abriu salões, formou plateias sociais do mais alto nível humano. Entre as visitas que a memória coletiva guarda com carinho, a eterna Miss Brasil Martha Rocha, presença de festa e de história, testemunha da força com que minha mãe transformava cerimônias em encontros, moda em linguagem e elegância em ensinamentos.

 

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Para mim, filho, ela foi escola antes de ser manchete. Aprendi com Flor de Lys a escrever como quem ouve, apurar como quem respeita, publicar como quem cuida. O método dela nunca me saiu da cabeça quando escrevi minha primeira crônica para o “Jornal Pequeno” – eu tinha 14 anos – cujo tema era o “Sítio do Físico”. Ela me ensinou uma sequência lógica: rigor na apuração e delicadeza na escrita (sem deixar a raiva ou a felicidade máxima intercederem). O texto só poderia ser finalizado, após a escuta das partes; a foto, só depois do consentimento; o crédito, esse, se fosse de terceiros, era obrigatório.

 

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Quando a pauta pesava, ela repetia: “não esqueça de quem vai ler, meu filho. Nem todos pensam como você, nem tem a sua ideologia. Não coloque para fora ‘podres’ sem provas. Nunca!”. E a pauta mudava. Essa é a herança profissional que guardo. Isso também moldou o caminho de minha irmã, a jornalista Orquídea Santos, a voz que muito colabora na editoria séria da Plataforma Nacional do Facetubes, (www.facetubes.com.br), cujo objetivo primordial é o respeito pelo leitor, amor pela cultura, entusiasmo pela notícia boa que, quando chega, melhora a vida comum.

 

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Volto às fontes e percebo como a cidade inteira reconheceu o que pressentíamos em casa. Uma de suas grandes amigas, a Dulce Prado, colega de Tribunal Regional Eleitoral (sua fonte única de renda), disse em um dos aniversários de minha mãe: “Flor de Lys é mais que um nome de coluna social; ela é amiga querida, porque é uma voz pública exercida com doçura e firmeza”. (JP). Após sua morte, em 2011, guardei muitos dos obituários publicados na imprensa local. Todos, sem exceção, mostraram Flor de Lys autêntica, incansável no trabalho; de uma grandeza sem ego exacerbado e sem ruído de pompa, que ajudou a erguer, por tantos anos, a autoestima social de São Luís. Agora, a cada novembro, a cada aniversário que não celebramos no abraço, a cidade dá um jeito de reacender essa luz.

 

Quando escrevo “mãe”, ouço passos no corredor de um tempo que não passa. É assim que o meu luto se confunde com a minha eterna gratidão. Penso em todos os jovens que ela encaminhou para os estudos, no apoio silencioso que transformou o destino daquelas pessoas. Penso, sobretudo, no gesto final de todo o seu trabalho. Certa vez eu perguntei: “Por que a senhora com 79 anos continua tão ativa?”. Ela me olhou e disse: “Minha função é fazer com que a cidade se reconheça no espelho; e a tratar bem o próprio reflexo”. De uma profundidade incrível que só fui entender alguns anos mais tarde, sentindo o amor com que São Luís do Maranhão expressa saudades dela.

 

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Sem nenhuma dúvida afirmo: minha mãe Flor de Lys continua a nos orientar (a mim e as minhas irmãs, bem como a nossa família inteira). Na sala iluminada de cada causa que prospera, no sorriso de cada leitor que se sente visto, no ofício do filho e da filha que seguem escrevendo sobre a vida. Desta forma, sei que Flor de Lys honrou o jornalismo maranhense; São Luís a reconheceu; o Maranhão inteiro se beneficiou de sua elegância ativa. E só temos como agradecer a toda essa lição humanitária. É por isso que repito: o amor e o respeito não são genéticos: precisam acontecer de verdade! Parabéns, Mãe!

 

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*Mhario Lincoln é jornalista profissional e Editor-sênior da Plataforma Nacional de Curitiba. (Curitiba-PR).

VÍDEOS-BÔNUS

Em tempo: (01) - A entrevista concedida a mim, em 2007, em Curitiba -Paraná, 3 anos antes de seu falecimento:

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(02) - A letra de Flor de Lys, transformada em melodia pelo saudoso Wellington Reis e interpretada pelo grande Salomão Junior.

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SusanaHá 10 meses atrásSão Luís Certa vez ela escreveu uma nota sobre mim, numa das primeiras exposições que eu participava! Mulher de força e coragem! Sempre tocante falar sobre nossas mães! Importante e necessário seu registro! Lindo quando ela se emociona no vídeo! Parabéns!!
Lana FurtadoHá 10 meses atrásWhatsApp CuritibaPrMhario que lindo!! Cresci vendo Flor de Lys na TV, sensacional deixou um legado lindo ,meu amigo! Bom ver essa entrevista que você fez com ela foi e sempre será maravilhosa!!
Domingos Tourinho Há 10 meses atrásSão Luís VIVA A NOSSA FLOR! 95 ANOS DE FLOR DE LYS!
João Pedro Borges Há 10 meses atrásSão Luís Lindo e comovente artigo, meu Confrade e para mim que tive o privilégio de conhecer sua mãezinha o significado de suas palavras é muito grande e verdadeiro! Toda a minha solidariedade sentimental e meus melhores desejos de que Deus a ampare na sua vida espiritual!
JORGE CRUZ DE OLIVEIRA JUNIORHá 10 meses atrásCuritibaParabéns, meu amigo. Que linda sua mãe e a sua tenacidade e profissionalismo. Já sei a quem você puxou.
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