
ORQUÍDEA SANTOS, editora da Plataforma Nacional do Facetubes
“Segunda Poética” não é só uma editoria temática: é uma política editorial que garante visibilidade contínua, curadoria e memória para a produção dos membros da Academia Poética Brasileira em escala nacional.
Na web iniciativas como essa do www.facetubes.com.br, com selo, pauta e critério, ajuda o interesse do leitor pelo nicho e facilita a descoberta: os mais de 15 mil acessos mensais confirmam apetite por conteúdo sério em Literatura, Arte e Música.
Concentrar a publicação dos acadêmicos numa faixa fixa da semana cria hábito, recorrência e indexação estável, sem dúvida, pilares mensuráveis por ferramentas amplamente reconhecidas como a "Similarweb", referência de mercado para análise de tráfego e rankings por categoria no Brasil.
Como escreveu o titular da Plataforma: “A poesia organizada em rito semanal transforma audiência em comunidade.” — Mhario Lincoln, jornalista e poeta.
1 - MAURA LUZA FRAZÃO
O DESPERTAR DA AFRICANIDADE
Maura Luza Frazão. São Luís – MA/Brasil
A melanina em mim pulsa
Grita!
Despertada ao badalar das horas tardias
Nasci novamente
Em realidade supostamente desconhecida
Na verdade, renasci!
Agora meus versos carregam
Reminiscências, lamentos, dores
Resquícios da escravidão
Histórias de luta, resistência
São meus ancestrais
Sacudindo meus alicerces tão bem camuflados.
Sinto na pele as dores, sofrimentos
Dos meus irmãos e irmãs
Aprisionados, açoitados
Marginalizados
Despojados das suas crenças,
Dignidades
Agonizando à margem das decisões
Que lhe roubaram suas verdades.
Ouço o som dos tambores
Reverberando em minhas veias
Me contando histórias de um passado ancestral
Delineando as mazelas sofridas
Desde a pátria mãe
Até o destino incerto, cabal.
Urge o momento de me apropriar
Da minha história
Legados dos meus antepassados
Relegados ao apagamento de suas memórias
Guerreira da resistência
Empoderada sou
Minha missão literária
É o meu legado de amor.
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HOMENAGEM A GABRIELA
Marconi Caldas. (Poeta fundador da
Academia Maranhense dos Novos).
Vai meu beijo
Vai meu sonho
Tudo em min
En bunca dela.
Vai meu sorriso
De antanho
Vai minhas lágrimas
Tristonho
Menino, embusca dela
Vai meu estandarte ao vento
De vendavais que já tive
Da salvação de nós todos
Que esse ritual revive.
Vai no céu minha gaivota
Vai na nuven meu anseio.
Vai no espanto que creio
Graciosa primavera...
Fica una porta fechada
Do ontem que nunca tive.
Fica meu sonho intrineado
Pica meu predio sombrio
Com sua janela aberta
Salve! Salve! Eu lhes digo
Agora é dia de festa
Agora é só dia dela.
Somos todos semi-deuses
Se nos chegou GABRIELA.
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ALMA DE POETA
Por José Carlos Castro Sanches
Será que o poeta tem alma?
Ele não seria a própria alma?
O pensamento divaga como boia solta n'água.
O tempo reprime os versos e o poeta passeia na areia.
O vento sopra, balança os cabelos da sereia...
O sol imponente reluz por trás da vidraça transparente.
Eu daqui observo a natureza, escuto o canto dos
pássaros, contente.
A vida segue ligeira, eu penso, sonho, escrevo, durmo,
aprendo,
leio, respiro, suspiro no devaneio....
A cabeça distante do corpo transitório.
A alma, sou eu, poeta.
Não aquela que imaginava ser.
Um manto branco reluzente, aura ilusória e utópica.
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48 horas/48 dias
Elias Azulay
Saimos, como nunca
Duas tarefas,
Dois a quatro dias.
De repente,
Mais que de repente,
Tudo se multiplicou:
Quarenta e oito
Auroras radiantes
E crepúsculos extasiantes.
Encontros,
Recepção, atendimento,
Aconchegos,
Entrevistas, debates,
Passeios, consultas,
Exames, vexames,
Coisas em montão,
Programa mutante,
Xarope, mel, tosse
Avião vira ônibus.
Bus, airplane mode.
O tempo passa
E com ele caminhamos
Ora juntos,
Ora separados.
O coração abarrotado:
Gratidão aos montes,
Saudade (já?)
Reconhecimento
Lembranças
Devaneio, um sonho.
Acordou, acabou!
Quarenta e oito dias?
Ou quarenta e oito horas?
Tudo o que é bom dura pouco
A lembrança, porém,
Como a amizade verdadeira,
Jamais acaba.
Fica guardada
No lado esquerdo,
No coração.
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Partida de Dominó
José Maria Nascimento
Numa tarde de verão.
Temos razão de estar mortos,
antes do tempo preciso.
Pode ser pobre e estranho
o cortejo de nossos sonhos
para aqueles que acreditam
serem grandes pelo tamanho
da inércia que os consome
em minutos lentos e vagos.
Pode parecer absurda a ideia
de tantos mortos em corpos vivos
para aqueles que ressuscitam
em uma secretaria de vidro.
CEM MIL SONHOS
Fátima sampaio
Sem nenhum sonho...
A mordaça ata
O som da voz contrária
Utopias que tecem a liberdade
Silêncio...
A multidão passa
Rasgando o véu da imposição
Tramado pelo fio da esperança
Tecendo a couraça abstrata do sonho
Contra o revés da injustiça
Sem receio,
Sem recuo,
Sem medo.
Cem mil sonhos! ...
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