
Há autores que não apenas escrevem: eles insuflam vida nas palavras, transformando cada letra em personagem, cada sílaba em gesto, cada palavra em respiração. Eloy Melonio — professor, poeta, letrista e escritor da Academia Poética Brasileira — é desses raros artesãos da linguagem. Sua pena não se limita a registrar ideias; ela recria o mundo, devolvendo às letras o frescor da imaginação e o vigor da crítica. Na série “Essas Nossas Letras!!”, Melonio nos conduz por um passeio lúdico e reflexivo, onde o alfabeto deixa de ser mero código para se tornar espelho da vida. Com humor, lirismo e agudeza, o poeta mostra que as letras não são apenas símbolos gráficos, mas criaturas pulsantes que nos ajudam a compreender a condição humana. Ler sua obra é perceber que o alfabeto, em suas mãos, deixa de ser ferramenta para se tornar espetáculo — uma verdadeira celebração da palavra.
Capítulo de hoje:
G (gê ou guê)
Essa lembra o meu pai, que gostava de dizer: “Gente é bicho complicado”. Gravei esse ditado e hoje sei por que governantes gulosos se parecem com gaivotas gordas. E aí, uma constatação: a gente, às vezes, se parece com os bichos.
H (agá)
“H” se joga na canção de Ney Matogrosso. Haja o que houver, na hora "H", acho inadiável impetrar um habeas corpus. É que, hoje, a balança pesa mais do lado da vantagem oportunizada. E, se a hora é agora, que tal uma "ode ao odierno"?
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