
Dino de Alcântara
Aula de Língua Espanhola na Turma 7B do Centro de Ensino Médio Roseana Sarney, no bairro da Ilhinha ou, para muitos, no São Francisco.
A Professora Maria do Carmo, formada em Letras-Espanhol na Universidade Federal do Maranhão, explicava aos seus alunos algumas formas verbais da língua de Cervantes, pondo no quadro branco:
Ruan fue encantado por la belleza de Madrid.
Marcou o verbo, para explicar a relação dele entre o adjetivo e o sujeito.
Estavam nessa explicação, quando o aluno Jeanderley, morador da Ilhinha, questionou não a explicação da docente sobre o verbo, mas o léxico empregado na frase.
– Tá errado, professora.
A professora, que odiava quando errava alguma frase, porque ela tirava ponto da prova dos alunos, quando estes cometiam algum deslize. Certa vez, ela chegou a dar 6,5, e não 7,0, porque o menino não escrevera correto a palavra escola, colocando escoela. Tomou uma decisão drástica: apagou tudo e reescreveu toda a frase. Olhou cuidadosamente e viu que não havia nada de errado. Mas o nerd da Ilhinha continuou com sua voracidade de julgar, como se fosse Sotero dos Reis no Liceu Maranhense nos idos do Século XIX.
– Tá errado, Senhora.
– O que está errado?
– A palavra Madrid.
Ela examinou bem. Deus do céu, será que é sem o D! Estou louca! Não. É com o D sim.
– Está certa!
– Não está, não.
Ela, já aborrecida, perguntou como era, até porque a turma já estava num barulho só, talvez louca para que a mestra se convencesse de que estava errada.
– O que está errado? Me diz...
– Não é Madrid, senhora. É Real Madrid!
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