
Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes
Nos números mais recentes disponíveis para este final de ano (semana de 01 a 07 de dezembro de 2025), a lista Nielsen-PublishNews deixa uma resposta objetiva: não é uma disputa “clássicos versus juvenis” que define o topo das livrarias brasileiras, mas um tripé de consumo muito claro — ficção pop de grande circulação, não ficção de apelo imediato (devocionais, dinheiro, comportamento) e, correndo forte por fora, o infantojuvenil com títulos que viram presente “seguro”. No Top 20 geral da semana, o líder foi Verity (6.413 exemplares), seguido por Café com Deus Pai 2026 (5.972) e Coisa de rico (5.930), um pódio que mostra como o presente de Natal, em 2025, segue premiando emoção narrativa, fé cotidiana e curiosidade social com linguagem direta.
Quando a comparação é feita com números, a fotografia fica ainda mais interessante: dentro do Top 20, três títulos classificados como Infantojuvenil somaram 9.838 exemplares (11,9% do total do Top 20), praticamente empatados com dois clássicos/long-sellers que, juntos, venderam 9.736 (11,8%) — aqui entram A hora da estrela (5.505) e O homem mais rico da Babilônia (4.231). O grosso do volume, porém, está no “resto do carrinho” (76,4%): o bloco de best-sellers contemporâneos e não ficção de alta rotatividade, que fecha a conta do fim de ano.
E onde entra o “tradicional como Harry Potter”? Nesta semana específica, Harry Potter não aparece nas primeiras posições das listas Nielsen-PublishNews consultadas; o espaço de franquia juvenil está sendo ocupado por outras escolhas de presente, como Melhor que nos filmes e Quarta asa, que também entram no Top 20 geral (3.135 e 3.034 exemplares, respectivamente). O recado do Natal é pragmático: o que vira sucesso agora não é apenas “o clássico consagrado”, mas o livro que combina identificação imediata, boca-a-boca e leitura rápida — e isso explica por que, no recorte Infantil e Juvenil, convivem lado a lado um título ilustrado de apelo infantil (Perigoso! Este Livro Contém Coelhos!, 3.687) e romances YA que circulam como presente entre adolescentes (Melhor que nos filmes, 3.135; Assistente do vilão, 2.676).
Para presentear de 13 a 20 anos, a aposta mais “na mosca” — porque está vendendo e porque conversa com o gosto atual — é Melhor que nos filmes (Lynn Painter), com alternativa para quem prefere fantasia e trama mais épica: Quarta asa (Rebecca Yarros). Para 21 a 30 anos, o presente ideal, hoje, costuma ser o que combina enredo viciante e conversa de redes: Verity (Colleen Hoover) se sustenta como escolha certeira, enquanto A empregada e A biblioteca da meia-noite aparecem como opções igualmente fortes para quem gosta de suspense ou de ficção com dilema existencial em ritmo de entretenimento. Para 31 a 60 anos, o que mais “fecha” com o espírito de fim de ano é o livro-ritual: Café com Deus Pai 2026 funciona como presente-agenda afetiva para o ano inteiro; e, se a intenção é dar um clássico que não falha, A hora da estrela volta ao centro do mapa como lembrança de que literatura também é presente com densidade e permanência.
--------------------------
Nota (01) - Verity é um fenômeno editorial, por que? O livro é de Colleen Hoover, e narra um suspense psicológico com clima de romance sombrio. A história acompanha Lowen Ashleigh, uma escritora em dificuldades que recebe uma proposta irrecusável: terminar a série de livros de uma autora famosa, Verity Crawford, que ficou incapacitada após um acidente. Ao se mudar para a casa da família para pesquisar o material, Lowen encontra um manuscrito/diário não publicado com relatos íntimos e perturbadores sobre o casamento de Verity com Jeremy — e isso muda completamente a forma como ela enxerga aquela família, enquanto a atração entre Lowen e Jeremy cresce e a sensação de perigo dentro da casa só aumenta. É um livro de leitura rápida, cheio de tensão e reviravoltas, mas com temas pesados (violência, trauma e conteúdo sexual explícito).
Mín. 17° Máx. 27°