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“Natal dos Invisíveis”, um poema forte de Natal, da poeta e escritora Nauza Luza Martins (APB-DF).

Nauza Luza Martins é convidada da Plataforma Nacional do Facetubes.

23/12/2025 às 17h26 Atualizada em 23/12/2025 às 17h53
Por: Mhario Lincoln Fonte: Nauza Luza Martins
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arte: mhl/ginai
arte: mhl/ginai

Mhario Lincoln*

A mim ficou claro que o poema opera como crítica discreta, porém precisa, ao Natal como rito de consumo e exclusão. O verso “Enquanto o mundo brinda e consome” funciona como diagnóstico de uma festa que pode reforçar fronteiras. Os que participam do excesso e os que apenas atravessam o período “no silêncio das ausências”.

 

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Isso se aproxima da leitura do imenso (eu gosto muito) Zygmunt Bauman sobre a sociedade de consumo, quando ele observa que o consumo produz “vidas desperdiçadas”, gente empurrada para fora do circuito da visibilidade e da proteção social. Vale dizer que o “invisível” do poema não é metáfora abstrata, mas categoria social. A autora evidencia que a carência não é só material: é também simbólica — a falta de “atenção” como forma de abandono.

A última parte recoloca o Natal num lugar quase sacramental, mas sem retórica: “Cristo nasce… não nas vitrines douradas, mas nos pequenos gestos”, e o “pão dividido nas madrugadas” vira síntese de uma espiritualidade concreta, encarnada no cotidiano. Assim, a esperança do poema não é fuga; é teimosa insistência, ou seja, um modo de resistir à ideia de que a realidade está fechada.

 

E o fecho, “o milagre ainda existe / mesmo quando ninguém o vê”, é a afirmação mais radical do texto. Oque significa dizer, pela autora, que o valor do humano “não depende de plateia”.

Sensacional, Nauza Luza. Gostei muito”

Abaixo, a íntegra do poema:

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Natal dos Invisíveis*

Nauza Luza Martins

 

Luzes multicoloridas piscam nas janelas

Mas há casas sem nenhum clarão

Silêncios se penduram nas paredes

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Como velhas guirlandas da solidão.

 

Nas ruas, o vento sopra outra canção

Fala de gente esquecida nas calçadas

Natal vivido no silêncio das ausências

Sem atenção, sem presentes, nem farturas

Na esperança teimosa dos invisíveis

Em promessas de benesses futuras.

 

O Natal chega de mansinho

Cristo nasce de novo todo ano

Não nas vitrines douradas

Mas nos pequenos gestos

Num pão dividido nas madrugadas.

 

Enquanto o mundo brinda e consome

Há quem celebre em silêncio e fé

Um Natal humano e verdadeiro

Porque o milagre ainda existe

Mesmo quando ninguém o vê.

 ******

                  

Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira.

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Selma Maria Muniz Marques Há 3 semanas Sao LuisChamo essa veia poética de Divergente porque rompe com a aparência mimetizada e mostra o real encoberto pelo manto da aparência. E emerge o real com sua força. Parabéns Nauza!
Reinaldo Cruz Há 3 semanas Brasília Que poema lindo! Parabéns, Nauza!!
Maria Nauza Luza Martins Há 3 semanas Brasília/DF Feliz Natal a todos os amigos do Facetubes. Obrigada magnânimo Mhario Lincoln por sempre achar um lugar onde pousar as palavras de forma mágica e acolhedora elevando o nível do que escrevemos a patamares nem sempre imaginados. Seus comentários revigoram minha escrita poética e me inspiram a sempre melhorar e refinar minhas leituras. Salve salve!
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