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“Horizonte de Eventos”: aceitar que há limites, mas que ainda assim existe movimento.

Poeta e filósofo Rogério Rocha prepara novo livro para 2026, com 'pegada' diferenciada, madura e existencial.

25/12/2025 11h46 Atualizada há 10 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria Facetubes
Original do Texto.
Original do Texto.

Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, poeta e jornalista

Toda que vez que chega em minha caixa de mensagens um poema novo de Rogério Rocha, minhas mãos coçam para resenhá-lo. Principalmente quando esse poema está incluído em uma nova obra para 2026. Assim esse incansável produtor lírico (muito parecido com a produção literária de Augusto Cassas, haja vista a abundância de temas e construções), já prepara material para lançar mais uma obra e o poema “Horizonte de Eventos”, está nele. Na verdade, este, além do poético, é um impacto filosófico ao adaptar um conceito da astrofísica como metáfora moral e existencial.

Acho Rogério diferenciado porque ele busca, a cada lançamento, incorporar em suas novas criações, algo que foge do analógico, que se supera em gênero, número e grau, isto é, a cada passo, sobe mais 10º na escala Richter, isto, novamente: a cada lançamento é um terremoto grau 10, nunca d’antes visto anteriormente. Esse é o milagre! Muito estudo, pesquisa e dom. Essa é a mágica clássica que garante a Rogério uma evolução imensa, até mesmo maior que as tentativas de lançar ao espaço, foguetes na base de Alcântara.

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Sendo assim, este novo poema pergunta por um limite e, ao mesmo tempo, por um retorno possível, como se a consciência quisesse testar a borda do real para saber se há saída para aquilo que já se moveu demais. A imagem da luz que viaja sem fim e faz curvas em “distâncias impensáveis” desloca a ideia de destino fixo e sugere que até o que parece reto carrega uma geometria secreta, uma ética do desvio. Que ideias fantásticas. Mais fantástica ainda, é torná-las poesia.

E uma poesia forte e evidencial quando ele mostra que a vida aparece como um espaço de forças, e não como um roteiro. (É emocionante esse trecho). E olha a hermenêutica incrível quando ele mostra que um campo de escolhas e gravidades, em cada decisão, acaba por inclinar o tempo pessoal para diante, refazendo curvaturas que não voltam ao ponto inicial. Seria então, uma interpretação poética das curvaturas no universo, previstas pela "Teoria da Relatividade Geral", de Einstein, onde é descrito que a massa e a energia deformam o espaço-tempo, criando a gravidade e ditando a forma do cosmos? 

 

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Rogério Rocha. (Álbum pessoal).

Mutatis Mutandi, acredito eu, que o núcleo do poema está nessa convivência entre liberdade e lei. Por outro lado, antes de reler, achava que Rogério Rocha romantizava o livre arbítrio. Depois de pensar um pouquinho mais, descobri o néctar: ele o coloca dentro de uma física íntima em que toda escolha tem massa, todo afeto tem atração, todo erro cria órbita.

Quando diz que existem “dias de fuga do centro” e “manobras irreversíveis”, a linguagem empresta do cosmos uma gramática para narrar a psicologia. Isso chama para a mesma mesa o grande Espinosa quando afirma que o homem livre não é o que escapa das causas, mas o que entende a necessidade que o atravessa.

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Claro que é impossível não arrumar um lugarzinho nesta grande mesa filosófica, também, para Nietzsche, onde ele ensina que é preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante, já que o poema faz do caos, uma matéria de construção e não uma falha.

À princípio empaquei na minha análise quando li a expressão “erros sem culpa”. Porém acabei por entender (depois que fui buscar em outro livros) que essa expressão é praticamente moderna porque separa a responsabilidade do tribunal, da vergonha e desloca o julgamento para um plano mais lúcido. Em vez de penitência, reconhecimento. Em vez de castigo, leitura do movimento.

Enfim, as pequenas partes que separei de “Horizonte de Eventos” - mesmo assim - confirmam Rogério Rocha como voz que combina precisão imagética com densidade reflexiva, “sem transformar filosofia em enfeite”, como me disse o poeta João Batista do Lago, ao me apresentar as obras de Rogério Rocha, há alguns anos.

E isso, mais do que nunca, se confirma nesse novo poema. Então, ao anunciar um livro novo para 2026, ele deixa a impressão de uma poética em expansão, capaz de converter ciência em metáfora moral e de manter, no centro do verso, aquilo que a vida mais cobra de qualquer um; que é aceitar que há limites, mas que ainda assim existe movimento. Parabéns confrade APB-MA.

 

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O POEMA

HORIZONTE DE EVENTOS
(Por Rogério Rocha)

Ainda existe um limite qualquer 
onde o mundo faça um retorno?
A luz viaja sem fim e ensaia
curvas em distâncias impensáveis.
O universo tem passagens sem portas,
fronteiras onde o tempo não nomeia 
as horas.
Sendo a vida esse campo
de escolhas e gravidades,
inclina-se ao futuro
refazendo as curvaturas.
Há dias de fuga do centro,
manobras irreversíveis
erros sem culpa.
Mas há instantes plenos,
com o silêncio 
de estrelas mortas
ou de um peso sem castigo.
O amor, por sua vez,
aceita o escuro, o vazio
e seus excessos,
o que é possível
para um corpo indeciso.
A sabedoria, enfim,
não evita o abismo;
aprende que a queda e
o movimento 
respondem a uma ordem
complexa.


(Poema do livro novo. Deve sair em 2026).

 

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Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, poeta e jornalista.

 

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Irani Souza, poeta da ilógica de SaturnoHá 10 meses atrásCanindé (CE).Intermitente, magnífico, esvoaçante. Eis Rogério em sua Plenitude cósmica.
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