
Joizacawpy Costa, APB-MA
O festival Samuel Barreto acontece em Pedreiras Maranhão, uma iniciativa que alimenta a poesia possibilitando a celebração da mesma do modo como a poesia merece.
Neste ano de 2025 a escritora e poeta Sharlene Serra membro da Academia Poética Brasileira APB e da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritoras do Maranhão AJEB-MA, conquistou o terceiro lugar no festival.
Revestida de poesia que lateja em suas veias a poeta ganha destaque dentre tantos outros poetas.
A poética da escritora é incrustrada de ideias fortes que não perdem o charme e o encanto que a poesia merece. Ela passeia pelos contextos com leveza e com uma marca de segurança literária que se estampa nos versos escritos.
Ela evoca o silêncio como personagem do poema e o verbo como protagonista, o próprio homenageado o verbo que se materializa em ação. Sua poesia, narra o crescimento de modo a nos brindar com a simplicidade que constituiu seu fazer escrito, trazendo a própria rua como metáfora de uma grande escola, sim aquelas que mostram a verdade sem maquiagens, evoca o conhecimento nascido no seio do povo.
Como não poderia deixar de ser o Maranhão se faz presente em seus versos embalados pela dança das palavras como chão fecundo do próprio Samuel, e eu diria também de Sharlene Serra.
A conquista dessa premiação reafirma o vigor da escritora na seara literária, como uma força feminina que se encanta com o mundo do jeito mais profundo que pode ser, de dentro da alma, mostrando que seu campo de visão não se limita a um par de olhos, mas que funciona em conjunto com a mente e o coração.
SAMUEL É VERBO!
Ouvi do verbo o silêncio
que grita
aquele que se esconde
no fundo do quintal.
Silêncio antigo,
que a manhã aquece,
e o vento traduz
em sinal.
Cresci ouvindo a voz da rua
e rua, minha gente,
não erra lição.
Ela ensina que o verbo
não nasce da boca:
nasce da alma,
e só depois
vira ação.
Trago em mim histórias:
algumas colhi do varal,
outras da memória do povo;
todas pedindo rimar,
pedindo vida,
pedindo conta de novo.
Porque o verbo, na história,
não aparece à toa.
Ele vem da lembrança,
vem do chão da nossa pessoa.
Vem do coração do Maranhão,
que pulsa forte,
que rompe entranha,
que cura, que dança,
que na insônia,
sonha.
E quando chega…
ah, quando chega!
Chega manso,
como rio que sabe
exatamente onde quer ir.
Não precisa pressa.
Não precisa regra.
Basta deixar
a palavra
fluir.
E ele corre , corre leve
levando fé, levando brasa,
levando poesia, feito vela
acesa dentro de cada casa.
E quando retorna,
retorna luz,
retorna canto,
retorna chão.
Ilumina cada gesto,
cada canto,
cada emoção.
Porque verbos
não partem.
Não somem.
Não morrem.
Permanecem.
Ficam plantados dentro de nós
como raiz que sustenta,
como semente que faz nascer,
como voz que atravessa a noite
pra amanhecer.
E aí,
no instante em que o silêncio escuta
e o coração responde inteiro,
eu digo
alto, forte, verdadeiro:
Samuel não é nome.
Samuel é verbo.
E quando a gente pronuncia
acaba qualquer dilema.
Porque conjugando esse verbo,
meu povo,
o Maranhão inteiro
se transforma
em poema
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