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Algumas poesias e textos aplaudidos, publicadas no suplemento ACERVUM, revista da APB

Academia Poética Brasileira indica

24/11/2020 12h47 Atualizada há 2 meses
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
Prfojeto Poético
Prfojeto Poético

LAÇOS POÉTICOS 

Resumo do projeto 

Laços Poéticos é um projeto de cunho  artístico-cultural que visa reunir artistas das mais diversas áreas para um evento mensal, que ocorrerá no salão térreo do BASA CLUBE, na Av. Neiva Moreira, 1 - Calhau, para um evento com 2 horas de duração. Esse evento será sempre aos domingos, das 10h30 às 12h30. Excepcionalmente, o evento inaugural acontecerá no dia 4-12 (sexta-feira), das 20h às 22h (a confirmar). 

Em cada evento teremos uma programação variada e alegre, com apresentação de poetas e/ou declamadores (poesia), cantores e compositores (música), música instrumental (músico[s] e/ou banda/orquestra), dança (clássica ou de salão), fotografia, cinema, artes plásticas (artesanato), literatura (escritores e livros) etc. Os interessados em fazer uma apresentação devem submeter à nossa apreciação uma proposta resumida de sua  apresentação: tipo de arte, ideia da apresentação (tempo máximo de 20/30 minutos). Todos os custos (equipamento, transporte etc.) são de inteira responsabilidade do artista, não cabendo ao projeto nenhuma contrapartida financeira.

O evento é aberto ao público, com entrada franca. E o público que acompanhará as apresentações são artistas, amigos dos artistas, amantes das artes, parentes e amigos, pessoas em geral.

 

ELOY MELONIO 

Coordenador 

WANDA CUNHA e ROGÉRIO ROCHA

 

Colaboradores

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Manoel de Barros.

POESIAS E FRASES MARAVILHOSAS

(Academia Poética Brasileira indica)

Difícil fotografar o silêncio

(Manoel de Barros)

 

Difícil fotografar o silêncio.

Entretanto tentei. Eu conto:

Madrugada, a minha aldeia estava morta.

Não se via ou ouvia um barulho, 

ninguém passava entre as casas. 

Eu estava saindo de uma festa.

Eram quase quatro da manhã.

 Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. 

Preparei minha máquina.

O silêncio era um carregador?

Estava carregando o bêbado.

Fotografei esse carregador.

Tive outras visões naquela madrugada.

Preparei minha máquina de novo.

Tinha um perfume de jasmim 

no beiral do sobrado.

Fotografei o perfume. 

Vi uma lesma pregada na existência 

mais do que na pedra.

Fotografei a existência dela.

Vi ainda um azul-perdão 

no olho de um mendigo. 

Fotografei o perdão.

Olhei uma paisagem velha 

a desabar sobre uma casa. 

Fotografei o sobre.

Foi difícil fotografar o sobre. 

Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.

Representou pra mim 

que ela andava na aldeia 

de braços com Maiakoviski -- seu criador.

Fotografei a nuvem de calça e o poeta. 

Ninguém outro poeta no mundo 

faria uma roupa mais justa 

para cobrir sua noiva.

A foto saiu legal.

***

Clarice Lispector.

REFLEXÕES:

Estive lendo no meio de semana, novamente, Clarice. E cada vez mais fica a ideia real de um conflito entre a subjetividade descentrada e a identidade burguesa constitui a personagem feminina na obra de Lispector, prestando-se, simultaneamente, ao questionamento da tradição patriarcal e da tradição moderna. (Mhario Lincoln).

Como diz Arnaldo FRANCO JUNIOR, na revista eletrônica ACADEMIA. EDU, a obra de Clarice Lispector postula um permanente questionamento dos limites que reificam a natureza fluida do sujeito em uma identidade burguesa, alienando-o e encarcerando-o no limite das funções que ele cumpre institucionalmente. Isso, particularmente, por meio da trajetória das personagens femininas, heroínas que protagonizam uma crise que pode ser lida como sintoma de um mal-estar em relação à cultura e como efeito de um estar mal posicionada, porque cindida entre os apelos e pressões da tradição e àqueles que caracterizam a

condição moderna da mulher na sociedade. A identidade feminina é um dos principais temas problematizados na obra da escritora, que se vale do descentramento para, simultaneamente, questionar o legado da tradição patriarcal e o legado da tradição moderna, construído, com o auxílio nada neutro da indústria cultural, a partir

da inserção da mulher no mercado de trabalho e dos paradigmas que regem a idéia de emancipação social feminina. Vejamos como isso se dá por meio da análise de três dos romances da escritora.

 

Quer ler a análise completa do professor ARNALDO FRANCO JUNIOR? Então siga o link: file:///E:/Pictures/clarice.pdf

 

Texto indicado pela confreira APB, Goreth Pereira:

Oficina de Culinária em Carrancas

Aquele sábado de manhã cedo se mostrava insólito em Carrancas, município de Buriti. O terreno de Vicente de Paulo privilegiava uma visão de boa parte das áreas de Chapada do povoado e do povoado vizinho (Matinha). A propriedade do Vicente se pronuncia como uma grande reserva florestal para o povoado e para os moradores já que os plantios de soja da família Introvini, ao circularem-nos, reduziram as áreas de Chapada para pequenas posses. Vicente de Paulo e sua família vivem bem no meio da Chapada em um terreno de mais de 120 hectares e nesse terreno se refugiam várias espécies de mamíferos, insetos, aves, de repteis e de árvores que por lá encontram água, proteção e alimentos. Escuta-se o canto da sabiá que chega perto das casas, mas evita ser vista. Não importa tanto a visão do pássaro e sim a audição do seu canto e de outros pássaros como o Cancão. Nesse espaço tão vistoso e majestoso, o Forum Carajas realizou a terceira oficina de culinária do projeto financiado pelo Fundo Casa no âmbito do edital Casa Cidades Nordestina. (Autor: Mayron Regis).

 

Jorge Bento.

Sugestão do confrade Leopoldo Vaz, da APB.

Direto de Portugal: JORGE BENTO

 

 

 

 

Cartas à universidade

“Todas as cartas de amor são / Ridículas. / Não seriam cartas de amor se não fossem / Ridículas./ Também escrevi em meu tempo cartas de amor,/ Como as outras, / Ridículas. / As cartas de amor, se há amor, / Têm de ser/ Ridículas. / Mas, afinal, / Só as criaturas que nunca escreveram / Cartas de amor/ É que são / Ridículas. / Quem me dera no tempo em que escrevia / Sem dar por isso/ Cartas de amor / Ridículas.”

Álvaro de Campos

Carta primeira: Por causa do amor

Estou ciente de que não gostas de cartas. Desaprendeste de as escrever e ler. Aprecias mais os ‘papers’; estes não são exigentes no tocante à observância de regras gramaticais e de padrões estéticos, nem é preciso um vocabulário extenso para os redigir.

Também sei que não aprecias os velhos. São uns chatos; citam nomes e livros antigos, e falam uma linguagem que te custa a entender. O pior é que fazem isto de propósito, pelo menos assim parece, para te chatear e causar fastio. Têm a mania de invocar coisas arcaicas e carcomidas pela poeira do tempo; nomeiam princípios, sentimentos e valores gastos e ultrapassados, sem préstimo para orientar o presente. O que é isso de ‘amizade’ e ‘fraternidade’, de ‘comunidade’ e ‘convivialidade’, de ‘partilha’, de ‘compromissos’ e ‘projetos comuns’?! Essa joça passou à história.

Mas não desisto de ti. Por muito que te sintas incomodada, vou enviar-te uma série de cartas de amor. Não te rias! Nós, os idosos, podemos perder a capacidade de realizar a função, mas amamos cada vez mais com os olhos e o coração. Devias até estar orgulhosa da nossa conduta, porquanto te honramos e não deixamos ficar mal. Sim, não negamos a ciência e a formação intelectual e racional, nem fazemos a apologia da ignorância. Por exemplo, nunca publiquei no Facebook textos a afirmar que o Covid-19 é invenção de interesses obscuros, e outras atoardas. Olha que isto não é de somenos importância. Devias encarar a hipótese de tirar o diploma e o lugar a gente ‘tua’ (mestres, doutores, professores e editores de revistas) que procede assim. Ela é fontela inquinada de descrédito, de desonra e vergonha para ti. Tu não te importas?!

Não te abespinhes, pois, com as missivas que vou enviar. São uma prova do quanto te quero. Lê, com atenção, as palavras; não censures e deturpes a intenção que as inspira e determina.

 

 

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