
Gracilene Pinto, convidada da Academia Poética Brasileira.
Faz algum tempo já que deixei de considerar o dia primeiro de janeiro como um recomeço de vida. Afinal, a vida recomeça todos os dias e cada amanhecer é uma nova oportunidade de mudança e crescimento. Portanto, a transição de um ano para o outro é só uma questão de organização cronológica para que os eventos históricos não se confundam no tempo. Talvez a contagem regressiva da nossa estadia no planeta Terra.
Nem por isso deixo de me juntar a alegria geral para festejar a vida, mas a verdade é que não carece de muita reflexão para observar que os dias se sucedem igualmente, apenas com as mudanças propiciadas pelas estações do ano ou pelas mudanças operadas pelo homem.
Sendo assim, o que de fato pode mudar alguma coisa são as promessas cumpridas de que ao menos tentaremos ser cada vez melhor a cada nova etapa para que a luz renasça dentro de nós e ilumine os nossos recantos mais sombrios.
Infelizmente, na maioria das vezes esquecemos das promessas feitas tão logo se inicia a nova contagem e continuamos a cometer os mesmos erros.
Como obter resultados diferentes agindo do mesmo modo?
A vida é como a roda de um carroção em movimento que ora está em cima ora embaixo, assim pensam os ciganos. Isto significa, que a vida é feita de momentos, uns bons e outros nem tanto.
Mas, não se pode esquecer que o que realmente determina se uma coisa é boa ou ruim é o modo como a vemos. O que para alguns pode ser considerado algo negativo, para outros é o milagre de que necessitavam para dar um salto quântico. Encarar os acontecimentos como milagre ou provação é uma decisão inteiramente nossa, e de mais ninguém. E milagres acontecem todos os dias. A vida, por si só já é um milagre. Só que a maioria de nós não percebe isso e considera provação tudo aquilo que não se encaixa em nosso projeto pessoal.
Pouquíssimas pessoas sabem que foi a fundação de Roma, em um passado distante, o marco inicial para contagem do tempo no mundo ocidental. Poucos sabem que a chamada Era Cristã, que ora vivemos, foi inventada pelo religioso Dionysius Exiguuos, no ano 525 d.C., a pedido do Papa João I, para sincronizar as celebrações pascais nas igrejas.
Até então, o parâmetro para contagem do tempo a fim de estabelecer o período da Páscoa, seguia o modelo criado pelo Bispo da Alexandria. Porém, como cada igreja seguia diferentes sistemas, criava-se muita confusão.
Foi então, que Dionysius achou por bem não mais seguir o modelo do Bispo de Alexandria, até mesmo porque o marco inicial era o Imperador Diocleciano, o grande perseguidor de cristãos, e criou uma nova contagem dos anos a partir do nascimento de Jesus. Assim iniciou-se a Era Cristã.
No entanto, apesar de vivermos no mesmo planeta, cada povo, cada religião, tem seu próprio modo de contar o tempo. E o nosso tempo é a Era Cristã. Porém, deixemos de lado a História e voltemos a falar do Ano Novo, que é o assunto do momento. Do que se viu, observa-se que a contagem por anos realmente é apenas um modo de controle do processo temporal para sintoniza-lo com os fatos políticos e sociais. Assim, o que realmente muda na virada do ano são os nossos propósitos. Quem faz o ano ser novo, somos nós. Se continuarmos a pensar e agir como antes do 31 de dezembro, de fato nosso ano continuará velho. Porque nosso pensamento sempre retroagirá aos antigos hábitos e nossa vida continuará como antes.
Se no amanhecer de primeiro de janeiro estivermos pensando que a vida é uma droga amarga, será esse remédio difícil de engolir o que iremos tomar nos próximos 365 dias.
Mas, se acreditarmos que a vida é uma dádiva e que podemos aproveita-la de maneira positiva para construir coisas boas, porque merecemos o que a vida tem de melhor para nos oferecer, assim será.
Isso é como sermos convidados para uma festa, onde serão servidas as mais finas iguarias em um salão luxuosamente bem-posto e iluminado, e não nos sentirmos merecedores de estar ali. Deste modo, tensos e desconfiados, imaginando até se o convite não nos foi remetido por engano, ficaremos sempre vigilantes e com medo de ser expulsos do recinto a qualquer momento, e não conseguiremos desfrutar do momento esplêndido. Porém, se acreditarmos que o banquete foi preparado para nós, que somos merecedores de desfruta-lo, com certeza iremos nos esbaldar achando tudo maravilhoso.
Assim é a vida! Assim é a mudança de ano! Se vibrarmos negativamente, se acreditarmos que não temos como e porque esperar coisas boas da nova etapa, de fato não teremos nada de bom. Mas, se acreditarmos que Deus nos está preparando um banquete para o novo ano e, como seus filhos, somos merecedores dessa festa, certamente iremos tê-la. Pois, cada um tem aquilo que acredita merecer.
Que possamos, então, viver um ano realmente novo, e, como fazem as árvores no outono, permitamos que as folhas mortas se desgarrem de nós para que a primavera possa trazer brotos novos, para que nossa alma possa reflorir e frutificar nessa nova etapa da vida.
Descartemos as dúvidas, tristezas, mágoas, medos, ódios... e nos permitamos brilhar com as energias do amor, da harmonia, da saúde, da prosperidade, do otimismo, da alegria, tendo a certeza de que a vitória será sempre nossa parceira na maratona para uma nova vida, com novos sonhos, novos projetos.
Esqueçamo-nos do que passou, para pensar no que está por vir. Para pensar somente em como poderemos ser úteis a nós mesmos e ao mundo que nos cerca e, lembrando sempre que palavra tem poder, decretemos HARMONIA, AMOR, VERDADE, JUSTIÇA, SAÚDE E PROSPERIDADE em nossas vidas!
Levantemo-nos! Movimentemo-nos! Sigamos o fluxo da vida, buscando sempre evoluir, produzir algo novo, algo bom, porque o mundo não para. A terra em constante movimento não permite a estagnação e a natureza prova isto, pois até mesmo a água parada dos charcos gera vida e dela nascem flores.
FELIZ ANO NOVO 2026!
(Gracilene Pinto)
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