
ANDRÉA MOTTA, (Centro de Letras do Paraná e União Brasileira de Trovadores) convidada especial da Academia Poética Brasileira.
Mariana Coelho, nasceu em Sabrosa, Distrito de Vila Real em Portugal, a 10 de setembro de 1857. Filha de Manoel Antonio Ribeiro Coelho e de Maria do Carmo Teixeira Coelho, irmã dos poetas Teixeira Coelho e Thomaz Coelho. Em 1892 fixou residência em Curitiba - Pr. Trabalhou como educadora, fundou e dirigiu o Colégio Santos Dumont, para o sexo feminino, e a Escola Profissional República Argentina. Como escritora, circulou tanto pela poesia quanto pela prosa, além de livros de poemas também é autora de livros de contos, de estudos de história da literatura, traduções e de inúmeros artigos publicados em periódicos, sempre com o mesmo cuidado estético e intelectual; ocupou-se ainda com a crítica literária e de outras artes. Seu livro Paraná mental recebeu a medalha de prata na Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro. O Paraná mental retrata a história literária do Paraná onde Mariana também apresenta um trabalho de catalogação crítica em matéria de teatro, literatura e artes plásticas realizada no estado no início de século XX; é uma reação ao livro O Brasil mental, editado em 1898 em Portugal, com o objetivo de “provar que a antiga colônia não possuía sinais de vida intelectual apreciável” (palavras de Mariana Coelho).
Foi uma defensora aguerrida do feminismo e, expôs entusiasticamente seu ponto de vista em várias obras, dando mostras que o feminismo tinha raízes profundas em seu ideário, dentre tais obras destaca-se: A evolução do feminismo, obra pioneira no assunto publicada em 1933. Nela, a autora se propôs a fazer, e fez, uma coletânea de informações sobre fatos, dados científicos e pessoas que, de alguma forma, seja com suas ações, produções literárias, projetos de lei e atitudes, puderam subsidiar a defesa da tese feminista, da igualdade intelectual e de direitos entre homens e mulheres; enfim buscou, com os meios disponíveis na época, fornecer subsídios para a história do feminismo. E o fez com muito bom humor e estilo. Publicou além das obras anteriormente mencionadas: Discurso (1902); Um brado de revolta contra a morte violenta (1935) – conferência; Linguagem (1937) – Tese; Cambiantes (1940) – Contos e fantasias e colaborou em diversos jornais e revistas de Curitiba. Pertenceu a diversas entidades literárias, entre as quais: Centro de Letras do Paraná. É Patrona da cadeira nr. 30 da Academia Paranaense da Poesia, e da Cadeira nr. 28 da Academia Feminina de Letras do Paraná.Autora, entre outros, do poema intitulado Íntimo Rebate, também publicado no livro Um Século de Poesia, Poetisas do Paraná. 1959. Pág. 147
Íntimo Rebate
Um alvoroço indistinto,
Bem como quando a ilusão
Nos revolta o coração,
Há muito n’alma o pressinto.
Se escuto o alarme que eu sinto
Causar-me funda impressão,
Revela-se o amor, distinto,
Como autor da sedição!
Sondo toda a sua grandeza...
Subtil, como quem perscruta
Desígnios da Natureza!
E receosa...irresoluta...
Vou fugir-lhe! E ele me apresa
E alto grita “A luta! A luta!”
Andréa Motta
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