
Selma Maria Muniz Marques, convidada da Plataforma Nacion al do Facetubes
É o alvorecer de um novo ano quando somos invadidas (os) por desejos e expectativas positivos para se materializar e dessa forma alimentá-los. Desejos, expectativas, propósitos, dentre outras formas de nomear, tudo o que esperamos. Esse processo ocorre de forma indiferenciada para todas as pessoas, em diferentes faixas etárias. Mas, tem um grupo que ganha destaque: as pessoas idosas.
Quando chega o envelhecimento humano, este se mostra em sua complexidade e contradições. Ao contrário do que é dito, não se materializa como a melhor fase da vida porque a perda de autonomia e liberdade é um algoz feroz. Ultrapassando barreiras de classe, gênero e sociais. A perda da autonomia é materializada sob a batuta da incapacidade, que nas famílias que se sustentam em bases conservadoras e autoritárias, tendem a alienar as pessoas idosas de qualquer vontade e processos de tomadas de decisão. Logo eles deixam de terem sentimentos de pertencimento. A perda da liberdade, alimenta a perda da autonomia. Geram uma ambiência relacional marcadas por perdas e exclusões.
O que esses processos escondem é a ausência de habilidades, das famílias, para lidar com as pessoas idosas, principalmente as acometidas pelas demências, com maior ênfase com os idosos portadores de Alzheimer. Vem à tona elementos psíquicos alimentados por mágoas e ressentimentos, que impedem as famílias de exercitar o amor, a compaixão. Sentimentos que são base para o estabelecimento das relações humanas e com destaque para a alimentação de sentimentos com uma realidade tão difícil com a convivência e cuidado com os idosos.
Esse cenário derruba a visão tão romantizada nas famílias ricas e invisíveis nas famílias pobres de que o envelhecimento humano é a melhor fase da vida. Ao contrário, pode ser a pior fase, marcadas pelo abandono, negligência, omissão, exclusão, perda da liberdade e maus-tratos. Condições estas que podem atingir os dois grupos. O que fazer? Existem muitas saídas, mas todas elas exigem muita vontade, sensibilidade e determinação. Essas saídas exigem envolvimento e ações do Estado, através de políticas públicas, legislações, programas e projetos; da sociedade pelo controle das ações do Estado para que as ações governamentais sejam executadas na integra e das famílias para que assumam os cuidados integrais com seu idosos e participem dos órgãos de controle social.
Por fim, criando ferramentas de socialização de informações sobre o complexo processo de envelhecimento humano para que deixe de ficar no campo da invisibilidade social. Assim, se tratarmos os assuntos pertinentes ao envelhecimento humano como prioridade poder-se-á transformar a exclusão social em recuperação e garantia da dignidade, reconhecendo as pessoas idosas como sujeitos de direitos, para que possam ter sua liberdade e dignidade, respeitadas.
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