
SHARLENE SERRA, da Academia Poética Brasileira, seccional DF
Existem histórias que nascem em solos simples, regadas por lágrimas de esforço, atravessadas por silêncios profundos e iluminadas pela determinação. A trajetória de Dr. Osmar Gomes é uma dessas narrativas que permanecem, ensinam e inspiram. Conheci sua história ao assistir ao programa Fala Sanches e fui profundamente tocada, refleti e acredito que aprendizados precisam ser compartilhados. Enquanto ele relatava sua infância, um filme se fez em minha mente inquieta, imaginei aquela criança que, aos quatro anos, precisou lidar com a perda do pai, e imaginei também a força de sua mãe, uma mulher quebradeira de coco que, com mãos calejadas e amor inabalável, sustentou seis filhos, sem jamais permitir que a dureza da vida apagasse os sonhos que ela mesma plantava.
Essa mãe fez da luta um gesto de amor e da educação um caminho. Entre o trabalho árduo e os limites impostos pela realidade, ensinou aos filhos que estudar era um ato de resistência e esperança. E assim o pequeno Osmar cresceu, compreendendo desde cedo a importância do acreditar em si, do trabalho e de buscar ser melhor a cada dia.
Mesmo sem um começo fácil, viu sua mãe transformar cada dificuldade em aprendizado e fortalecimento. No ritmo duro do trabalho diário, ela sustentou a família e ensinou, sem discursos, que desistir não era uma opção. Foi a partir desse exemplo que Osmar aprendeu a acreditar no poder transformador das palavras, dos livros e dos estudos.
Essa história, quando chega até nós, traz uma lição clara e necessária: por mais que as dificuldades se acumulem, a educação permanece como uma porta sempre aberta. Os sonhos não precisam ser pequenos só porque a realidade é dura. Ao contrário, é justamente na adversidade que eles ganham força, e é essa adversidade que nos ensina.
Ao observar a trajetória do Dr. Osmar Gomes, somos convidados a refletir sobre eixos fundamentais para nossas próprias vidas: especialmente neste início de um novo ano.
O valor da educação se revela como herança permanente. Livros, conhecimento e leitura são instrumentos que ninguém pode nos tirar. Mesmo nas condições mais simples, estudar abre caminhos e amplia horizontes.
A resiliência. Cada obstáculo enfrentado foi convertido em fortalecimento de valores e fé no futuro, construído dia após dia.
O direito de sonhar grande, mesmo começando pequeno, nos lembra que nossa origem não determina nosso destino. O Dr. Osmar nos ensina que o ponto de partida não limita o ponto de chegada. Sonhos grandes são motores silenciosos que nos impulsionam para frente. Mas quem determina se os sonhos serão realizados ou não, é o agir individual. Não adianta apenas sonhar.
E a transformação pessoal atravessa toda essa história como um fio condutor. As dificuldades não nos definem. O que nos define é a forma como escolhemos enfrentá-las, aprender com elas e permitir que nos transformem.
Assim, essa narrativa deixa de ser apenas a história de um homem e se torna um espelho. Um convite para olharmos para a nossa própria trajetória. As perguntas inevitáveis surgem: o que estamos fazendo da nossa história? O que estamos construindo? Que aprendizados estamos transmitindo? A vida precisa ter sentido para que, de fato, tenha significado.
Que o novo ano não nos exija apenas metas ou promessas, mas consciência. A mudança não está fora. O acreditar não vem de fora. A transformação começa dentro de cada um de nós, quando decidimos não abandonar nossos sonhos, mesmo quando tudo parece difícil.
Durante o programa Fala Sanches, o Dr. Osmar menciona uma crônica que carrega como princípio de vida: “a vida é efêmera, mas o amor jamais.” Essa frase ecoa como fundamento de toda a sua trajetória e digo também da nossa. Porque o amor é a base de tudo o que permanece.
Na antologia da Academia Ludovicense de Letras, intitulada Flores no Jardim do Palácio, o Dr. Osmar escreve sobre Pepetela e Ayrton Senna, construindo entre eles, no meu olhar um paralelismo baseado no compromisso absoluto com aquilo que se escolhe viver. Onde destaca no escritor angolano a palavra, o escrever com o coração e no piloto, um exemplo de comprometimento, dedicação e perseverança, ambos demonstram que acreditar e agir com excelência transforma trajetórias individuais em legados coletivos. E parafraseando digo: A vida é efêmera, mas o propósito vivido com verdade, jamais.
Ao iniciarmos um novo ano, essa trajetória do Dr. Osmar, nos oferece aprendizados essenciais. A educação surge como herança que ninguém pode nos tirar. A resiliência se revela no exemplo de uma mãe que sustentou não apenas uma casa, mas futuros inteiros. O trabalho aparece não como peso, mas como dignidade. E o viver se transforma em um exercício diário de evolução humana.
Que esta história seja, neste início de ano, mais do que um relato. Que seja um convite. Um lembrete de que mudar o calendário não basta se não estivermos dispostos a mudar por dentro. Que possamos trabalhar com propósito, viver com presença e buscar, a cada dia, ser um pouco melhor do que fomos ontem. Lições do Dr. Osmar Gomes que vão além de títulos e cargos.
Porque, quando a história é verdadeira, a vida bate o martelo.
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