
Joizacawpy Muniz Costa Professora/Escritora/Poeta
O Lançamento da obra O Sopro das Flores da poeta Ingrid Fróes foi um verdadeiro mergulho no universo da arte e da cultura como um todo. Tiveram presentes com participação no evento a banda musical APOLO 3, integrantes do Bicho Terra um presente de Zé Pereira Godão para escritora, o cantor Yago Gama a cantora Elisa Lago, o artista plástico Viana Fernandes que tem trabalhos no livro inspirados em poema da autora o que resultou no quadro A cor do sentimento. E uma plêiade de escritores que deram vida a um belo sarau em que foram declamados vários poemas da autora, além da participação musical da escritora que também é homenageia a personagem histórica Ana Jansen. Ela é interprete musical e compositora e fez uma participação com uma música autoral.
Da flor a exuberante nobreza
A alegria que vence a tristeza
A efemeridade de seu instante
Abaixo, o prefácio do livro "O Sopro das Flores".

Nesse grande evento: Bicho Terra um presente de Zé Pereira Godão para escritora, o cantor Yago Gama a cantora Elisa Lago, o artista plástico Viana Fernandes que tem trabalhos no livro inspirados em poema da autora, o que resultou no quadro A cor do sentimento.
Com gosto de eternidade...
Joizacawpy
Tive a honra de prefaciar O Sopro das Flores. Eu já conheço em parte o traçado poético de Ingrid que é cheio de um lirismo abundante que reflete sua sensibilidade.
Já no início da obra, a poeta debulha todo seu amor pela cidade de São Luís. Eu diria que é uma escolha mais que coerente iniciar assim, porque qual maranhense não se rende à beleza de suas cores? E quando ela diz “De onde o sal beija o mar/contos imersos”, a escritora faz a mente se movimentar de forma inigualável, pensando imediatamente em seu lugar, em suas raízes. Nessa tessitura poética, ela é sagaz e sutil, pois rapidamente nos faz lembrar que nessa metáfora há histórias, sim, histórias de cunho popular que regem as águas de nossas praias com a presença da cultura de seu povo.
A autora segue seu caminho sabendo onde quer chegar, percorrendo os mais variados assuntos, pois quer de verdade tocar o leitor e fazer sentido nas múltiplas maneiras de pensar e sentir.
O que dizer do pensamento materializado na "Rosa louca", que nasce vestida de brancura que remete à sua pureza primeira e que, ao longo do tempo, se transforma? *Mesmo nascendo pura, é louca, e finalmente a ideia que surpreende é que a loucura é a própria poesia, e é a vida que brilha e morre dourada*. Esse trecho demonstra uma maturidade poética substancial, ao fazer um jogo não só de palavras, mas de ideias, misturadas a sentimentos escondidos em linguagem figurada, o que, com certeza, demonstra a sua força poética.
Em “Saudades nas gavetas”, a poeta arrisca se desnudar de uma forma mais clara. Ela diz que as gavetas estão abarrotadas e que o maior volume do transbordar dessas gavetas é a saudade. Uma costura atenta, que oferece a oportunidade da brincadeira imaginativa de usar a metáfora das gavetas para mostrar algo que não se vê, apenas se sente.
Esses são aspectos que a escritora usa a seu favor e que, provavelmente, pode conquistar o leitor.
A escritora vai cuidadosamente deslizando seus dedos na escrita como se fossem pincéis pintando lindas telas. Para que visualizem melhor o que eu digo, atentem: “um inventário grifado com as linhas do sol”. Esse verso eleva a habilidade de Ingrid a uma potência consideravelmente superior. Criar linguagens metafóricas talvez não seja tão difícil, mas criá-las totalmente fora do que se espera é fantástico!
O que dizer das fotografias sob o olhar poético da autora? Sim, ela descreve a lente como uma verdadeira feiticeira, capaz de capturar o tempo. Lembrei-me de “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, quando o esperto viajante cigano Melquíades mostra um dos primeiros arquétipos de uma máquina fotográfica como algo de fato mágico aos olhos dos que nunca tinham visto nada igual. Mas essa captura nos versos de Ingrid não vem crua, nem mesmo com aspecto mecânico. Ela dá vida a esse recurso, capaz de captar as nuances de uma imagem não meramente congelada. Para ela, poeticamente, a fotografia é a janela para o que se foi e também o que se é, pois as fotografias têm o poder de não deixar esquecer o princípio que perpassa o tempo e nos mostra a nós mesmos tempos depois, no que chamamos de futuro que vira também presente.
E, como um abraço afetivo sem igual, ela nos traz a infância da melhor maneira possível: no olhar afetuoso do pai, no abraço largo da mãe, e lembra suas descobertas por meio dos sentidos, num mundo de cor e fantasia.
Quisera eu poder falar sobre todos os poemas que fazem parte desta linda obra, uma escrita suave e profunda ao mesmo tempo, num bailado de letras dançantes ou palavras que se juntam e formam um belo quadro pintado a letras. Dentro deste trabalho cabe também o cordel e homenagens a pessoas que a querem bem.
Contudo, quero dizer que este livro de poemas encontrou a poesia mais suave, ativa, colorida, brilhante e profunda que eu creio ser o reflexo da alma da autora, espalhada em letras de vida, lembranças e continuidade de um amanhã cheio de promessas...
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