
ESSAS NOSSAS LETRAS!
A
Antes, antecipo-lhes que “A” é a tal. Autodidata, artista, antenada, a aurora boreal. E é a baliza que puxa uma turma de alfabetizadas que são as personagens desta crônica.
B [bê]
“B” é igualmente bem-afamado. Em grego, a ele (β [beta]) junta-se “A” (alfa) para formar o alfabeto. E, sozinho, puxa uma boa lista de bobagens, mas brilha na inicial do nosso país. Isso é bacana, não é não?
C (cê)
Ouvi isto de um “C” caduco, conceituando uma palavra vulgar: “C é do C”. Pense o que quiser, mas o “C de Asa” é só um bloco carnavalesco da minha cidade. Um conselho aos noivos: “quem coisa, quer casa”. “Câmera na mão e uma ideia na cabeça” e o carismático Glauber Rocha consagrava-se um grande cineasta. Caramba, “C” é mesmo do cacete!
D (dê)
“D” é demais”, disse um devotado às letras. Uns o associam a dinheiro. Outros, a doidos. É que antigamente os doidos rasgavam dinheiro. Hoje, menos doidões, guardam-no em depósitos e cuecas. E declaram: “Pouco dinheiro eu tenho é muito”. Dizem os donos do destino que o “D” serve a Deus e ao diabo. Você duvida, ou apenas discorda?
E (é)
Essa traz a essência de “explicar, ensinar, evoluir”. É tão empoderada quanto elétrica. E não é de fácil elogio, não! Se preciso, enfia, empurra, encaixa. Com ou sem acento (é não é?), entre uma e outra coisa (o bem e o mal), a vida é escolha. "Elementar, caro estudante!"
F (efe ou fê)
"F é f*". Se você inferiu outra coisa, "se ferrou-se". Sim, duplamente. Uma coisa é certa, “F” não é farofeiro. Essa letrinha funcional faz frutas renderem frutos frescos. Feirante, faxineiro, flanelinha. E, finalmente, antes do ponto final, fique frio, pois o fim de uma festa favorece o começo de outra".
G (gê ou guê)
Essa lembra o meu gracioso pai, que gostava de dizer: “Gente é bicho complicado”. Gravei esse ditado e hoje sei por que governantes gulosos se parecem com gaivotas gordas. E, aí, uma constatação: a gente, às vezes, se parece com os bichos. Embora os bichos não sejam assim tão gananciosos.
H (agá)
“H” se joga de gaiato na canção do Ney Matogrosso. O acusado diz ao delegado: “Houça bem, para saber direitinho o que ouve”. Haja o que houver, na hora "H", acho inadiável impetrar um habeas corpus. É que, hoje, a oportunidade pende mais para a hora H. Sim, a hora é agora, mas cuidado com essa "hode ao odierno"?
I (i)
Isto, isso e mais isso. Indiferente, o “I” se posiciona entre ir e vir. Ih! Lembrei-me de John Lennon: "All the people living life in peace". Com ele, é impossível não se inspirar para “imaginar" o inadiável. Porque infeliz é aquele que se deixa levar pela indiferença.
J (jota)
Essa "joia" sempre jogou no meu time. J. Alves (repórter de TV) entrevistou-me quando passei em primeiro lugar no vestibular, em 1974. Jocelyn, a primeira filha, é justa homenagem a uma jovem professora de inglês. E — just in time — jamais esqueceria Josy, a nora que me deu dois netos.
K (cá)
“K” não é uma qualquer, como o "Q" de "quadrilha". É coisa de King, e é tão versátil que ri à toa: “KKK”. Se, por acaso, você acordar e tudo estiver de K para baixo, não se desespere. É só um pesadelo kafkiano.
L (ele ou lê)
Literalmente levado, lava a jato a roupa suja de ladrões levianos. Na mesma vibe de Chico Buarque, eLe “vai levando". Seja essa vida, seja lá o que for: a lei, a lama, a lábia. Lembro, aqui, que “lero-lero” não é nome de pássaro. É papo furado, sem lenço e sem licença poética.
M (ême ou mê)
"Menos é mais". Quem foi o maluco que inventou essa?! “M” é sempre mais, segundo meus melhores mestres. Lembra do "Mr. M", o ilusionista do Fantástico (Rede Globo/1999)? Esse mandava sumir mesmo! Dizem que o “M” é o alter ego de “mandão”. E como diz o ditado: "Manda quem pode". "M é M”, dizem seus amigos, que — megalomaníacos — concluem: "O resto é merda mole".
N (êne ou nê)
Muita gente nega que o "N" seja um “nada”, um “ninguém”. E que "Nadinha" seja nome de mulher. Certíssimo! Nadinha é nadica de nada. A galera do circo político aprendeu com Pedro, o apóstolo, a negar, negar, até ninguém mais acreditar neles. Felizmente Zezé de Camargo não entrou nessa onda. Nunca neguei que sou um fã número 1 do N. Nem hoje, nem never.
O (ó)
Obstinada, essa está na hora do relógio, no hoje do calendário e na oração do obediente. E, obviamente, na primeira palavra do lema da nossa bandeira. Ora bolas! Quem disse que o “O” é só um zero à esquerda?!
P (pê)
Dizem que o “P” tem paixão por podres poderes. E que é pornográfico: pn, fdp, pqp. E desaforado: "Que porra é essa?!" Peço licença à língua padrão para "consertar uma pescada". Calma, pessoal! Nada de errado com a “peixinha”. Vou apenas "escamá-la e tirar suas vísceras". Essa é do livro "How to Speak Maranhês", de Jáder Cavalcante, que, por sinal, já é sucesso na parada editorial.
Q (quê)
Esse é craque em questionar. Queixa-se com qualidade: “Que que isso, minha gente?!" Ou quebra o pau: "E aí, que qui tá pegando?" E, enfim, o "Q" da questão é que esse queridinho sempre bota pra quebrar. "PQP!"
R (érre ou rê)
Sempre rio rios de alegria quando dizem que “rir é o melhor remédio”. E aí, lembrei-me de Risadinha, uma aluna engraçada que ria de tudo, até do resultado negativo. Dava risadas como a “Irene”, do Ivan Lins. Sabe por que o Natal é relevante? Porque reis e rainhas e até um reles mortal celebram o nascimento do Rei dos reis.
S (esse)
Salve-se quem souber! Acho que não sobreviveria entre "ser ou não ser". É muita superação para um supersticioso. Se pudesse escolher suas parceiras em abreviaturas, o respeitável “S” fugiria do "F" e do "T" como o diabo foge da cruz. Por que? Sei lá, pura intuição. Talvez porque o "S" não seja apenas isso que se sabe.
T (tê)
“T” é tudo e mais alguma coisa. E duro, tipo o José do Drummond, não larga do trampo. Também é a tristeza de Alegrete (RS), ao ver seu poeta na “Poeira ou folha levada/ No vento da madrugada”. Talvez, por isso, prefiro o som de "tudo e muito mais", do maranhense Mano Borges.
U
O “U” em “urrar” me lembra de Coxinho, cantador de toadas do bumba-meu-boi do Maranhão. Não precisava dele para expressar o pretérito perfeito: “Urrô, urrô/ Meu novilho brasileiro/ Que a natureza criô”. E, por último, um decote em U certamente deixa qualquer mulher tão bonita quanto a Ursula Andress.
V (vê)
“Viver e não ter a vergonha de ser feliz.” Viu aí? “V” é vivacidade, vigor para viver de vida. Com ela, você vai e volta, viajando nas variações da vaidade. Em dezembro, virada de ano em Viena, na Áustria. Em Varginha (MG), esperar a volta do ET. Só não vale vacilada, nem Valentine’s Day em fevereiro.
W (dáblio)
Essa tem cara de gringa, não tem? Washington, White House. Walker, o Johnny, vive bebendo por aí. E induzindo seus seguidores a trilhar seus passos: Keep walking. E aí, não tem como não curtir My Way, de Frank Sinatra.
X (chis)
Acho que a cantora Lexa (Léa Cristina) sabe que “essa letrinha” serve para checar, dizer que algo já está resolvido. Se faltar alguma coisa, aí, sim, temos o "X" da questão. Avexado, meu amigo Xavier grita: "Xá comigo, xará!"
Y (ípsilon)
Irmã gêmea de “W”, essa é das boas lembranças. De “Yesterday”, dos Beatles. E também das águas melodiosas de "Yellow River" (Christie). E do Frank Sinatra: “New York, New York”.
Z (zê)
Um “Z” sozinho não faz verão, mas três juntinhos (ZZZ) dão um soninho. Que tal ouvir a conversa destes dois caipiras: "Cê sabia que o Zé já é prisidente?"; "Qual Zé, cumpade?"; "O Zé Lensque, da cumade Ucrânia”; "É mermo?! Ah, meu Deus! A coisa tá é russa!"
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NOTA DE GRATIDÃO: Com todas as letras, quero exprezar minha admiração e gratidão aos saudosos Zagalo (5/1) e Ziraldo (2024) que nos deixaram em 2024.
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