
Linda Barros, escritora e atriz. Membro da Academia Poética Brasileira e ATHEART
Houve um tempo em que só se falava em Gonçalves Dias, Aluísio e Arthur Azevedo, Coelho Neto, João Lisboa, Humberto de Campos, Odorico Mendes, Sotero dos Reis, Trajano Galvão, Graça Aranha, Astolfo Marques, Sousândrade, Gentil Braga, Gomes de Sousa, Henriques Leal e... Tem muitos outros nomes, todos pertencentes ao período áureo da literatura maranhense/brasileira – século XIX. Mas, afinal, o que todos esses nomes têm comum? Não sabem? Sim, TODOS são maranhenses e todos marcaram uma época. Que orgulho para nós e para o Brasil, não é mesmo? E o mais impressionante: todos eles atravessaram “O Estreito dos Mosquitos”, o único ponto geográfico que separa a Ilha de São Luís do resto do continente – na época deles ainda era por mar, pois o Estreito ainda não existia.
São Luís, a capital do Maranhão, Cidade dos Azulejos, a Ilha Magnética, cidade do Reggae (Jamaica brasileira). Além de todas essas alcunhas, a capital maranhense ainda “carrega nas costas” o epíteto de "Atenas Brasileira" – obviamente que não é nenhum fardo, pelo contrário, é um orgulho. Devido à sua rica história cultural, sua arquitetura colonial com azulejos e por ser um celeiro de grandes escritores e poetas (além daqueles mencionado anteriormente) como Ferreira Gullar e Maria Firmina dos Reis, Josué Montello, Nauro Machado, Arlete Nogueira da Cruz, Laura Amélia Damous, Ceres Costa Fernandes, Wanda Cunha, Silvana Menezes, Luiza Cantanhede, Ana Liz Ribeiro e tantos e tantas mais. A homenagem é à antiga cidade de Atenas, berço da filosofia e cultura.
Mas será que a literatura, a boa literatura, parou no tempo? A resposta é NÃO. Basta explorar um pouco mais as inúmeras Academias de Letras que existem no Maranhão. O que se tem notícias é que há um total de sessenta e cinco agremiações espalhadas por todo o espaço geográfico maranhense. Na nossa capital, os eventos literários são recorrentes, os lançamentos de novas obras literárias estão por todas as partes, sejam livros físicos ou no formato e-book. São nomes consagrados, como é o caso decano José Sarney (lançou recentemente um box com três obras), tal como Bioque Mesito com seu “Revoada de Interrogações”, Silvana Meneses que lançou junto com Ana Liz seus “Poemas Mínimos”, Abel Ribeiro Santos, que também trouxe “Caminho da Paixão e tantos e tantos mais. A Associação de Autores Independentes, AMEI – um espaço somente de autores maranhenses - está ai para provar, são várias obras lançadas toda semana.
Em todo este percurso de literatura e autores, o GELMA – Grupo de Estudos Literários Maranhense – tem feito um trabalho primoroso ao resgatar obras como “O Diabo”, de João Clímaco Lobato, em e-book – aliás, esse é um formato que tem se popularizado a cada dia, pois possibilita a publicação independente via internet e permite também um alcance maior de leitores em todas as partes do Brasil e no exterior.
Sob a coordenação do prof. Doutor Dino Cavalcante, o GELMA tem elevado a muitos patamares a literatura maranhense. O grupo tem como objetivo pesquisar, debater, examinar e, principalmente, divulgar as novas vozes da literatura maranhense, mas sem deixar de lado nomes consagrados da cultura letrada do Maranhão, em reuniões periódicas às quintas-feiras, às 20h.
Em 2025, o Grupo lançou o II Concurso Literário do GELMA, tendo como homenageado o escritor Humberto de Campos e teve como título “A vida em micro-flashes”. O gênero escolhido foi o de micro-contos no formato e-book e contemplou autores de diversas partes do Brasil. Segundo o próprio GELMA, a obra “reúne textos selecionados a partir de um processo que teve como objetivo incentivar a produção literária, valorizar a literatura maranhense e estimular a escrita breve como forma estética e crítica, reafirmando o compromisso do GELMA com a difusão da criação literária e com o diálogo entre universidade, escritores e leitores”.
O e-book contemplou 20 autores pela ordem de classificação no certame. São textos curtos, divertidos, densos, enigmáticos e todos com uma mensagem para uma possível reflexão dos leitores, que se deleitam com cada história nele contado. Os dez primeiros autores classificados foram:
1º – FILA de Kissyan Pereira Castro
2º – O OUTRO LADO DA RUA de João Victor Lago Costa
3º – VINGA de Jonatas Rodrigues Perote
4º – EVENTO Tayane Fernandes dos Santos
5º – LUA NEGRA de Allyson Augusto de Jesus Ferreira
6º – BISCOITOS de Diego Isaac Rocha Ferreira
7º – MEMÓRIA DE PEDRA E GIZ de José Augusto Borges Vaz
8º – MARÉ de Marlus Regis Alvarenga
9º – ENCONTRO NA BEIRA RIO de Gabriel Alves da Silva
10º – TODAS AS NOITES de Lucas Cássio Silva Ferreira
O e-book lançado recentemente, atravessou fronteiras, tanto físicas quanto imaginárias, e assim pôde dar voz e vez a autores com suas histórias envolventes, fazendo que com o leitor tire suas próprias conclusões. Segundo os organizadores, “Estas histórias, neste e-book, são como itinerários com caminhos imprevisíveis que atiçam, em quem anda por eles, o desejo de trilhá-los exatamente por promover uma ida ao encontro do que é ou pode ser impactante, misterioso”,
Abaixo segue o link para quem quiser acessar, ler e se divertir:
https://drive.google.com/file/d/1WByl7rzgo_sRcLGFlEN6SEPMlY8dlg8Y/view
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