
Título: A Verdade Deve Ser Contada: memórias, fatos e versões
Autor: Garibaldi Segundo Farias e Silva
Ano: 2025
Categoria: 1. Memória autobiográfica.
Edição:
14 x 21cm | 194 g | 124 páginas
Josemar Pinheiro*
Terminei de ler o livro de autoria do Dr. Garibaldi Segundo Farias e Silva. Conheci Garibaldi, salvo engano, no lançamento do livro “Escritura do Silêncio” do saudoso poeta Chagas Val, primo de Lúcia, minha esposa, em uma concorrida noite de autógrafos na Escola de Música Lilah Lisboa. De lá para cá, tenho acompanhado sua trajetória notável na vida literária maranhense. Primeiro, lançando uma obra que muito me tocou, “Cajapió, sua História, seu Povo e seus Encantos”, e, após, com mais fulgor e fôlego, “Cajapió, 100 Anos de História Política”, e, finalmente, agora, o desafiador “A Verdade Deve Ser Contada - Memórias, Fatos e Versões” (Relatos do que viu e ouviu um funcionário público na passagem pelo serviço público do Estado do Maranhão), que se encontram a disposição dos leitores na Livraria AMEI (Associação Maranhense dos Escritores Independentes), localizada no Shopping São Luís , com prefácio primoroso do bacharel em Direito, professor e escritor Flávio Braga, um dos meus prediletos e fulgentes discentes de Direito Agrário na UFMA, autor de Dicionário do Baixadês e de Vultos Ilustres da Baixada Maranhense.
Garibaldi chega ao ponto de expressar com rara capacidade descritiva, acontecimentos verídicos, sérios e graves, com sutileza e fundamento impecável, baseada em consagrados nomes de nossa historiografia local, como o jornalista e acadêmico, Benedito Buzar, de nossa Academia Maranhense de Letras, autor dos antológicos “Vitorinismo no Maranhão (1945-1965)”, Politiqueiros, Politicalha, Politiquice, Politicagem, Política no Maranhão”, dentre outros títulos, o não menos ilustre Eliézer Moreira Filho, que nos brindou recentemente com a publicação de “Histórias que os Jornais não Contaram” e “Maranhão Novo – A Saga De Uma Geração”.
Nessa sua obra de imenso valor contextualizado, Garibaldi revela sua entrada no serviço público, na pequena COHAB-MA, ilustrando suas alegrias, conquistas, dissabores e desenganos, com a posterior saída da empresa pública, onde exercera tarefas importantes e valiosas, tal como o amanuense Machado de Assis, que sem dúvidas permanecem vivas em seu rico currículo, com bravura profissional, intelectual, moral e ética, de elevação e dignidade do exercício do encargo e função pública.
Com verve de cronista, Garibaldi narra acontecimentos burlescos, humorísticos e até mesmo contraproducentes, que domina com singeleza, cuja complexidade e surrealidade até hoje se encontram presentes em nossa governança pública, com denúncias e escândalos intermináveis e deprimentes nas três esferas de poder, Executivo, Legislativo e Judiciário, como, por exemplo, o arremate de que na política “a traição é tolerada, mas o traidor não”!
Como já dizia o professor, poeta e ecologista Nascimento Morais Filho o que premia o autor de uma obra é a leitura, por isso, recomendo trazer à mão esse livro de Garibaldi porque a verdade dói, mas deve ser contada como nas linhas tão bem traçadas em “A Verdade Deve Ser Contada” “doa em que doer” como no bordão cunhado pelo famoso radialista Jairzinho da Silva.
Penso ser de inigualável valor para o público ledor dessa obra do Dr. Garibaldi Segundo Farias e Silva não só para todas as bibliotecas como para a classe acadêmica e universitária, jornalistas, historiadores, e pesquisadores, aos quais é recomendada para compreensão e reflexão, como contribuição inestimável do autor, pela sua coragem, determinação e capacidade resolutiva de reviver fatos e meticulosamente ajustá-los como legado de conhecimento indispensável para as atuais e futuras gerações.
Creio ser essa impressionante e revolucionária obra “A Verdade Deve Ser Contada” uma colaboração singular, especialmente, se observada com o olhar ímpar para compreensão, avaliação e visão crítica, atualizada e contemporânea do chamado sistema nacional de habitação, em nível local e regional, por igual.
Com seus percalços, dificuldades e contrapontos, mas de inegável contribuição para a construção urbana e residencial não só de São Luís, nossa Capital, como de grandes e pequenos municípios do Estado do Maranhão. O autor Garibaldi pode se dar por feliz e satisfeito e dizer como Júlio César ao atravessar o Rubicão: “Vim, vi e venci”! Assim fez o autor ao publicar com dedicação e esmero essa obra para agora, sempre e posteridade.
(*) Josemar Pinheiro é graduado em Direito e Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal do Maranhão, mestrando em Direito Público pela UFPE/CEUMA, advogado, jornalista e radialista. Ex-professor da UFMA, ex-promotor de justiça (Cândido Mendes) e ex-procurador geral do Município de São Luís .
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