
Dino de Alcântara
Olavo Bilac e Raul Pompeia, mesmo trilhando os mesmos caminhos – o da Literatura –, pareciam estar em campos opostos. E estavam mesmo – no campo político. Perseguido por Floriano Peixoto, o autor de “Ora (direis) Ouvir Estrelas” ficou furioso quando soube, pelas páginas dos jornais, que Raul Pompeia defendia abertamente e com furor o governo do Marechal de Ferro na chamada Revolta da Armada – promovida por unidades da Marinha contra o Governo Federal. Isso em 1892.
Bilac pegou a pena e lançou no papel em branco, mais tarde estampado no jornal O Combate, no dia 9 de março:
“Talvez seja amolecimento cerebral [a sua defesa do governo de Floriano], pois que Raul Pompeia masturba-se e gosta de, altas horas da noite, numa cama fresca, à meia luz de veilleuse mortiça, recordar, amoroso e sensual, todas as beldades que viu durante o seu dia.”
Não acreditando no que estava lendo, foi com fúria nos olhos e nas mãos, segurando a pena sobre o papel, que Raul Pompeia desferiu contra Bilac um contragolpe certeiro (insinuando uma possível relação entre o poeta parnasiano e um sobrinho deste), publicando-o no Jornal do Comércio no dia 15 de março do mesmo ano (1892):
“O ataque foi bem digno de uns tipos, alheados do respeito humano, licenciados, marcados, sagrados – para tudo – pelo estigma preliminar do incesto.”
Como se sabe, depois de agressões verbais e físicas, os dois tentaram resolver a questão num duelo com espadas, mas os amigos conseguiram um cessar-fogo, restabelecendo uma paz – tênue, mas uma paz. Até que Pompeia terminou por abreviar a sua existência na terra.
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