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“BILAC E POMPEIA: UM DUELO”, por Dino de Alcântara

Dino de Alcântara é convidado da Plataforma Nacional do Facetubes

12/02/2026 às 06h49 Atualizada em 12/02/2026 às 07h33
Por: Mhario Lincoln Fonte: Dino de Alcântara
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Original do Texto.
Original do Texto.

Dino de Alcântara

Olavo Bilac e Raul Pompeia, mesmo trilhando os mesmos caminhos – o da Literatura –, pareciam estar em campos opostos. E estavam mesmo – no campo político. Perseguido por Floriano Peixoto, o autor de “Ora (direis) Ouvir Estrelas” ficou furioso quando soube, pelas páginas dos jornais, que Raul Pompeia defendia abertamente e com furor o governo do Marechal de Ferro na chamada Revolta da Armada – promovida por unidades da Marinha contra o Governo Federal. Isso em 1892.

Bilac pegou a pena e lançou no papel em branco, mais tarde estampado no jornal O Combate, no dia 9 de março: 

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“Talvez seja amolecimento cerebral [a sua defesa do governo de Floriano], pois que Raul Pompeia masturba-se e gosta de, altas horas da noite, numa cama fresca, à meia luz de veilleuse mortiça, recordar, amoroso e sensual, todas as beldades que viu durante o seu dia.”

Não acreditando no que estava lendo, foi com fúria nos olhos e nas mãos, segurando a pena sobre o papel, que Raul Pompeia desferiu contra Bilac um contragolpe certeiro (insinuando uma possível relação entre o poeta parnasiano e um sobrinho deste), publicando-o no Jornal do Comércio no dia 15 de março do mesmo ano (1892): 

“O ataque foi bem digno de uns tipos, alheados do respeito humano, licenciados, marcados, sagrados – para tudo – pelo estigma preliminar do incesto.”

Como se sabe, depois de agressões verbais e físicas, os dois tentaram resolver a questão num duelo com espadas, mas os amigos conseguiram um cessar-fogo, restabelecendo uma paz – tênue, mas uma paz. Até que Pompeia terminou por abreviar a sua existência na terra.

 

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jaime aranhaHá 1 mês BSB/DFUma publicação que trás a baila, um assunto, que talvez poucos tinham conhecimento.
Lindalva FenixHá 1 mês Belo Horizonte MGProf. Dino. Pompeia sempre foi uma pessoa difícil. Vale acrescentar ao artigo que o autor morreu por suicídio na noite de Natal de 1895, aos 32 anos, atirando no peito com uma pistola, após enfrentar intensas perturbações pessoais e profissionais, incluindo críticas e desavenças públicas, Sendo um artigo injurioso sobre seu apoio a Floriano Peixoto um dos gatilhos para seu estado depressivo, segundo relatos. Só um detalhe. Esse artigo foi escrito por Um 'amigo' chamado Luís Murat.
Professor Alfredo BoaisHá 1 mês São Luis MAIndiretamente esses resquícios de história são importantes porque resgatam e fazem permanecer na cabeça das pessoas fatos que "ouviram falar". Assim, o Facetubes e o escritor Dino de Alcântara ratificam esses casos interessantes e nãos os deixam morrer.
Maria ReginaHá 1 mês São Luís, MANem mesmo a Literatura abrandou o coração destes escritores fabulosos. Olavo Bilac e Raul Pompeia se deixaram mesmo influenciar pelas desavenças políticas. E Dino de Alcântara nos narra, com primor, esse atrito!
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Sobre o blog/coluna
Colunista convidado da Academia Poética Brasileira. (Professor, Escritor, Editor e Pesquisador brasileiro).
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