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Pequeno estudo sobre o Carnaval do ontem, em São Luís do Maranhão

A PNFT agradece aos colaboradores Jura Castro, Maria de Lourdes Cintra, Lucianna Feitosa e Aracy dos Santos Lima pela pesquisa.

14/02/2026 às 10h46 Atualizada em 14/02/2026 às 13h07
Por: Mhario Lincoln Fonte: editoria de Pesquisa e Extensão da PNFT
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Imagem romantizada da Casinha da Roça, (brincadeira tradicional dos velhos Carnavais de São Luís, no estilo “Pop-Art/Aquarela”. Arte: Mhario Lincoln/GinaiFT
Imagem romantizada da Casinha da Roça, (brincadeira tradicional dos velhos Carnavais de São Luís, no estilo “Pop-Art/Aquarela”. Arte: Mhario Lincoln/GinaiFT

Imagem romantizada da Casinha da Roça, (brincadeira tradicional dos velhos Carnavais de São Luís),  no estilo "Pop-Art/Aquarela". Arte: Mhario Lincoln/GinaiFT

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.

 Entre 1950 e 1970, o Carnaval de São Luís do Maranhão parecia caber inteiro dentro da rua. Bastava o primeiro verso do samba da Flor do Samba para abrir o retrato de uma cidade que se reconhecia na própria fantasia, com Colombina, Pierrot, dominó, baralho e, sobretudo, o fofão, figura que atravessa gerações como máscara e mito da folia ludovicense.

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Decoração (romantizada em Pop-Art/Aquarela), da decoração carnavalesca de São Luís/ 1970. (Arte: mhl/GinaiFT).

 

A rua era o grande salão público. Era nela que se formavam os cordões e passavam todos os tipos de fantasias, incluindo as fantasias especiais e sui-generis usadas pelos componentes dos blocos de sujos e tantos outros personagens que não cabiam numa única definição porque o Carnaval, ali, na época, era justamente a soma de muitas formas de brincar. Essa multiplicidade acabou virando marca e memória, uma espécie de assinatura cultural que dava a São Luís um jeito próprio de existir no calendário.

Mas a cidade também tinha seus espaços fechados, e neles a festa ganhava outro tom. Os bailes de máscaras surgiam como atração central para quem buscava a madrugada ao som de orquestra, num tempo em que o convite ainda era um ritual social e as turmas passavam nas ruas para buscar as moças. O relato de antigos brincantes, relembrando nomes como Bigurrilho, Berimbau e Gruta de Satã, devolve a dimensão de um Carnaval que alternava calçada e salão sem perder a vibração.

Com o passar dos anos, no entanto, a rua virou novamente o palco principal e, com ela, o Carnaval se estendeu como percurso, visita, reencontro, disputa saudável de ritmo e presença. Há nas lembranças dos bambas uma diferença que é mais do que estética. É ética de convivência. A saudade aparece quando se compara o bloco que tocava do começo ao fim com a pressa contemporânea, quando se sai, toca e vai embora.

 

Concepção poética (Pop-Art) de Ferreira Gullar.

Essa sensação ganha corpo quando Ferreira Gullar descreve o corso e sua coreografia urbana. Em sua recordação, meninos carregavam cadeiras para garantir lugar ao meio-dia, e a avenida se enchia cedo. Depois vinham os mascarados, as “mortes”, e os fofões, com um medo antigo que o poeta confessa ter demorado a superar, até que a tarde trouxesse carros alegóricos, serpentinas e confetes, e a cidade, enfim, parecesse viver num fôlego contínuo.

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A força dessas narrativas não está apenas no que contam, mas no modo como reconstroem memórias. Quando essa acende, ela reorganiza a identidade individual e coletiva, e faz o passado voltar não como fotografia imóvel, e sim como experiência compartilhada.

Por isso, a ideia de colocar o Carnaval de São Luís entre os três maiores carnavais do país, seja qual for a posição no imaginário afetivo, atualmente entendemos que diz menos sobre ranking e mais sobre diversidade como valor público.

 

(1)Jornalista e colunista Flor de Lys (anos 70). Foto: Lindberg Leite.

Também por isso a história do Carnaval ludovicense se escreve no encontro entre o que foi vivido e o que pode ser comprovado. A memória guarda desejos, afetos e reações que ficaram submersos, enquanto a história recorta, compara e torna público aquilo que emerge do trabalho do historiador.

(1)- Foto raríssima da colunista Flor de Lys, (em pé) em um Baile de Carnaval, nos salões do Lítero Português.

Na confluência das duas, a cidade não apenas recorda. Ela interpreta. E, ao interpretar, reinventa o passado a partir das perguntas do presente, transformando lembranças em patrimônio simbólico.

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Fontes consultadas: “Memória, sensibilidade e cidade: uma abordagem sobre o carnaval, uma festa popular (São Luís, MA)”, de Fábio Henrique Monteiro Silva, BRATHAIR - Revista de Estudos Celtas e Germânicos, v. 16 n. 2 (2016). Referências citadas no artigo: MARTINS, Ananias. Carnaval de São Luís: diversidade e tradição. São Luís: SNALUIZ, 2000. GULLAR, Ferreira. “Carnaval”, Jornal Pequeno, São Luís, 18 fev. 1958. LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1994. MONTENEGRO, Antonio Torres. História oral e memória: a cultura popular revisitada. São Paulo: Contexto, 2003. ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. História: a arte de inventar o passado. Bauru: Edusc, 2007.

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VÍDEO-BÔNUS

(#PaísDoCarnaval O MAVAM – Museu da Memória Audiovisual do Maranhão está resgatando a história do carnaval de São Luís. Confira matéria do #RepórterBrasil)

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Joizacawpy Muniz CostaHá 4 semanas São luís Agora mesmo eu refletia sobre a desvalorização da nossa cultura, inclusive pelo povo. Parece que a identidade se perdeu. Há uma necessidade urgente em reconstruir nossa identidade cultural. A cultura é a digital de um povo. Obrigada pelo texto.
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