
Editoria de Música da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln
O músico, compositor e produtor musical Chiquinho França, uma das peças fundamentais para a busca da valorização da música do Maranhão como um todo, aparece nas redes sociais junto com Paulo Pellegrini num grito elegante em busca de um dos apoios fundamentais para o fortalecimento da cultura e da arte do Maranhão, onde a música é um ponto fortíssimo: o resgate do PRÊMIO UNIVERSIDADE FM.
Isso porque, em um momento histórico em que a globalização tende a uniformizar comportamentos, linguagens e expressões artísticas, iniciativas como esse resgate urgente dessa premiação, tendem a valorizar mais ainda a identidade cultural de cada região em que as Universidades se instalaram. Foi justamente essa urgência que ganhou novo fôlego após a repercussão desses dois depoimentos publicados nas redes sociais por artistas maranhenses que receberam o Prêmio Universidade FM, concedido pela rádio educativa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Os relatos, emocionados e assertivos, reacenderam o debate sobre o papel das universidades como centros de pensamento e, sobretudo, como guardiãs da cultura dos territórios onde estão inseridas. Vale lembrar que a Universidade FM, fundada em 1986, consolidou-se como uma das mais importantes emissoras culturais do estado.
Seu prêmio anual, que reconhecia artistas, produtores e iniciativas culturais, tornou-se uma referência de legitimidade e projeção. Nos depoimentos que circularam recentemente, um dos premiados – o próprio Chiquinho França - relata que, após a honraria, passou a ser convidado para festivais fora do Maranhão, ampliando sua visibilidade nacional.
Já Paulo Pellegrini, Coordenador da Rádio Universidade FM, nesse mesmo depoimento, destaca o reconhecimento da rádio como um “selo de credibilidade”, abrindo portas para editais, parcerias e novos públicos. Esses testemunhos, embora pessoais, representam um fenômeno coletivo: a força simbólica de uma universidade que não se limita à formação acadêmica, mas que deve, por ‘clausula pétrea’ se comprometer com a vida cultural da sociedade que a cerca.
A ideia de que a universidade é “o lugar onde o mundo pensa” encontra eco no pensamento do filósofo francês Edgar Morin. Ele afirma que a missão universitária inclui não apenas globalizar o conhecimento, mas também reconhecer e fortalecer a singularidade das culturas locais.
Em A Cabeça Bem-Feita (1999), Morin lembra que nenhuma sociedade “(...) se sustenta sem compreender e valorizar suas próprias raízes”. No Maranhão, essa reflexão ganha contornos ainda mais profundos. O estado abriga uma das matrizes culturais mais ricas do Brasil, marcada por tradições afroindígenas, pelo Bumba-meu-boi, pelo Tambor de Crioula, pela poesia popular e por uma cena musical que transita entre a música instrumental e a canção autoral contemporânea.
Nesse contexto, o Prêmio Universidade FM deverá voltar a cumprir um papel que vai muito além da homenagem, pois funciona como um mecanismo de preservação, registro e projeção da produção cultural maranhense. Assim, ao reconhecer talentos emergentes e veteranos, a rádio contribui para a construção de trajetórias profissionais mais sólidas, fortalece portfólios artísticos, amplia redes de colaboração e cria um acervo anual que documenta a diversidade criativa do estado.
Para muitos artistas, ser premiado pela “Universidade FM” significa entrar em um circuito mais amplo de oportunidades, onde a chancela institucional da UFMA pesa positivamente em processos seletivos, festivais e editais culturais.
Em um país onde políticas culturais sofrem interrupções frequentes, o papel das universidades torna-se ainda mais decisivo. A cultura não é apenas entretenimento; é memória, identidade e economia. Até onde esses fomentadores culturais brasileiros, não só maranhenses, vão compreender que cultura é moeda forte. Integra as commodities econômicas de um país?
Desta forma, os depoimentos dos artistas premiados pela Universidade FM, (vide abaixo), portanto, não são apenas agradecimentos. São evidências de que, quando a universidade pensa, a cultura floresce. São Luís, por meio da UFMA e de sua rádio universitária, demonstra que a academia pode — e deve — dialogar com a cidade, fortalecendo expressões artísticas, legitimando talentos e celebrando a identidade maranhense.
O Prêmio Universidade FM é, assim, mais que um reconhecimento: é um gesto político, educativo e cultural. É a universidade cumprindo sua função mais nobre — a de pensar o mundo, mas também a de pensar, proteger e valorizar o lugar onde está.
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