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Ó calhordas! Tirem as máscaras porque a poesia é a arma mais poderosa contra as injustiças humanas!

“(..) entre as pessoas, que se dizem ‘curadoras da cultura no Brasil’, nem o amor conseguirá sobreviver/apenas o ódio extremo serve de bússola para tentar transformar esse ódio em não-poesia” (Anônimo).

03/04/2026 às 14h48 Atualizada em 03/04/2026 às 15h36
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, jornalista e poeta
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A poesia como força de luta!
A poesia como força de luta!

 

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Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, jornalista e poeta

Então, comecemos do ‘começo’: se há um nome brasileiro que sustenta, com fonte real, a ideia de que a poesia pode enfrentar as injustiças humanas, esse nome é Thiago de Mello. E esse nome vem exatamente no sentido da construção dessa manchete forte.

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Assim, quando se procura, na literatura brasileira, uma voz capaz de aproximar poesia e justiça humana, Thiago de Mello se impõe com clareza. O poeta amazonense não tratou a palavra como ornamento, mas como dever moral diante do sofrimento do seu tempo.

Ao afirmar que o compromisso do escritor é com a vida, com a realidade histórica do país e com a eliminação da injustiça, ele deu à poesia um papel que ultrapassa o lirismo íntimo e alcança a esfera pública.

E foi isso que deixou calhordas travestidos de executores de cultura furiosos e sem compreender que a grandeza da poesia, pode ser expressa através de próprios desejos políticos ou sociais ou psicóticos ou sexuais ou românticos ao extremo.

Por isso, ninguém pode ‘destituir’ o dom poético de ninguém, como aconteceu em recente concurso de poesia em uma certa cidade onde aconteceram “abusos poéticos extremos”, rechaçando a inscrição de poetas de linguagem simples, sem condições financeiras ou por outras condições inaceitáveis. Um deles, (foi pedido anonimato) ainda rebateu essas atitudes insanas, em uma longa carta solicitando revisão normativa:

 “(..) entre as pessoas, que se dizem ‘curadoras da cultura no Brasil’, nem o amor conseguirá sobreviver/apenas o ódio extremo serve de bússola para tentar transformar esse ódio em não-poesia”.

 

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Sim! Fatos como esse acontecem muito. São mais comuns que um ‘gol de placa’ na Copa do Mundo que se aproxima.

Mesmo com tudo isso, com tantas injustiças à poesia e à cultura de um país ou quando a violência já se instalou, quando a política vira máquina de esmagamento; ou ainda, quando a linguagem pública perde delicadeza, é quase sempre o poema que reaparece para lembrar que ainda existe poetas – sim – poetas, dentro da multidão.

Isso não é romantização. É por isso – por existirem poetas - que a história da poesia resiste. E resiste muito, mesmo que seus autores sejam feridos e, algumas vezes, mortos brutalmente. Federico García Lorca foi preso em Granada em 16 de agosto de 1936 e fuzilado por forças nacionalistas na noite de 18 para 19 de agosto, no início da Guerra Civil Espanhola.

Osip Mandelstam, perseguido pelo stalinismo, morreu em 27 de dezembro de 1938 num campo de concentração perto de Vladivostok. Miguel Hernández, depois da guerra espanhola, teve a pena de morte comutada, mas morreu preso em 1942. Em tempo: Mandelstam ficou ligado ao acmeísmo, corrente que reagiu ao excesso de abstração do simbolismo russo e buscou mais precisão verbal, densidade intelectual e imagem concreta. Entre suas obras mais lembradas está Tristia.

"Tristia" (ou "Tristeza") é o título de um dos livros mais importantes de Osip Mandelstam (1891-1938), publicado em 1922. O título faz referência à obra homônima do poeta romano Ovídio, que foi exilado. O livro reflete a angústia, o luto e a melancolia vividos durante a Revolução Russa e a subsequente guerra civil. O eu-lírico de Mandelstam frequentemente explora a "ciência da separação", a perda, a fragilidade humana e a beleza do que é inevitável. Sua obra é marcada pela tensão entre a liberdade artística e a opressão política. Sua poesia é profunda, metafórica e frequentemente foca em uma "pedra viva", sugerindo perenidade em meio à destruição.  O livro Tristia, por sua vez, é considerado uma obra prima da poesia russa do século XX, registrando o "rumor do tempo" e o sofrimento individual em uma época de grandes transformações e violência.

 

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O livro original, em francês, edição moderna.

Isso leva a um outro lado da produção literária: os livros perseguidos – mais do que nunca - ajudam a entender essas perseguições com maior nitidez. Exemplo: em Paris, em 20 de agosto de 1857, Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire, foi levado ao banco dos réus; seis poemas foram retirados da edição sob acusação de ofensa à moral pública. O gesto não foi apenas jurídico. Foi também presunçoso: o Estado dizia que certos abismos da alma não podiam ser nomeados.

E, no entanto, o livro sobreviveu ao tribunal. Seu choque estava justamente em mostrar que a experiência humana não é limpa, reta nem obediente. Um de seus versos mais célebres, curto e cortante, continua atravessando o tempo: Hypocrite lecteur,—mon semblable,—mon frère!”. Paris tentou enquadrar o livro em 1857; a literatura o devolveu ao mundo como clássico.

Numa paráfrase simples: “Leitor, não finja inocência: você é parecido comigo e participa das mesmas misérias humanas.” Isto é, mesmo sendo o sentido poético forte e direto, Baudelaire não chama o leitor de “hipócrita”, simplesmente. Mas quer alertar o leitor como coparticipante da leitura que compartilha das mesmas fraquezas, contradições, desejos escondidos e misérias morais que aparecem no poema.

Quando ele diz “meu semelhante, meu irmão”, aproxima autor e leitor no mesmo plano humano. Não há superioridade do poeta. Há cumplicidade incômoda. Assim, Baudelaire olha para quem lê e afirma que ambos carregam dentro de si a mesma condição moral, as mesmas sombras e a mesma fragilidade. Por isso, é um verso de acusação, mas também de fraternidade; um recado duro para o ‘seu leitor’ não fingir inocência: porque esse é muito parecido com o autor e participa das mesmas misérias humanas.” (Isso é fantástico).

Pois bem! O mesmo se deu com Leaves of Grass, de Walt Whitman. Lá no fundo, ler Whitman é emoção pura. Basta apenas citar versos marcantes desse Folhas de Relva:

 “Celebro a mim mesmo e canto a mim mesmo, / e o que eu tomo para mim você também tomará, / pois cada átomo que me pertence também pertence a você. / Entrego-me ao repouso e convido minha alma”.

 

Para um bom entendedor, esses versos representam uma das afirmações mais generosas da modernidade poética, porque Whitman transforma o “eu” em ponte, não em vaidade: ao celebrar a si mesmo, ele afirma também a comunhão entre os seres humanos, a igualdade essencial entre os corpos e as almas, e a ideia de que viver plenamente só faz sentido quando se reconhece no outro a mesma matéria, a mesma dignidade e o mesmo direito de existir.

Porém, em Boston, em 1º de março de 1882, o promotor Oliver Stevens classificou o livro de Whitman como obsceno e pressionou seu editor a retirá-lo de circulação; Whitman se recusou a mutilá-lo. O alvo ali era a ousadia de um livro que fazia do humano, da democracia e da dignidade comum matéria alta de poesia. Por isso o verso inaugural continua parecendo um ato de resistência civil: I celebrate myself, and sing myself” - Celebro a mim e canto a mim mesmo”.  Porém, o que escandalizou parte da moral vitoriana foi o que depois se tornou uma das grandes aberturas da poesia moderna. E o magistrado deu um tiro no pé ao querer interditar o excesso de vida: Whitman transformou a proibição em consagração.

Dizer, então, que a poesia ainda pode repercutir em favor da paz não é ingenuidade. É leitura histórica. Ela talvez não detenha tanques, não anule decretos e não desarme fanáticos num único golpe. Mas reorganiza a consciência moral, que é onde toda paz precisa começar. Um poema não assina tratados, mas devolve medida à linguagem, compaixão ao olhar e dignidade ao sofrimento alheio. E isso, em tempos duros, não é pouco. É quase tudo. Quando o mundo enlouquece, a poesia continua sendo uma das últimas formas de a humanidade não desaprender o próprio rosto.

Vídeo-Bônus

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/ Mhario Lincoln, jornalista e poeta

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Lirvana TrintaHá 2 meses Cohama/Sluís-MAMário. Isso deveria servir para aqueles que atacam Bioque Mesito também. Por ser um poeta livre de preconceitos.
Anastácia Garrido, de S.Luís-MAHá 2 meses Lisboa PTSalgado Maranhão é outro poeta forte nascido no Maranhão. Deveria ser citado.
Jornalista Amaury Junior BeletteraHá 2 meses São Paulo SPIlustre jornalista, dr. Mhario dos Santos Lincoln. Aproveito a oportunidade para parabenizá-lo pela organização insofismável deste trabalho jornalístico, levando avante a inestimável bravura de Vossa Senhoria em levar a arte e a cultura do Brasil como um verdadeiro sábio, um jornalista preparado, estudado que só dignifica a nossa profissão tão descambiada para outros vergonhosos lados ideológicos.
Lívia Moraes Há 2 meses Brasília DF" E o magistrado deu um tiro no pé ao querer interditar o excesso de vida: Whitman transformou a proibição em consagração." Acredito que isso irá acontecer também no Brasil.
Cel. Carlos DutraHá 2 meses ParáUm texto para ser transformado em ensaio e publicado. Muito bom. Avante!
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