
Crédito: Editoria de Literatura e Arte — Plataforma Nacional do Facetubes.Com Mhario Lincoln (www.facetubes.com.br).
Obs: o vídeo inclui matéria do lançamento do livro “Histórias de um Louva-a-Deus”.
Aquele 2 de setembro ficou como um sopro inaugural. A TV “Mhario Lincoln do Brasil”, em plena fase de expansão e já mirando a futura TV AQUI BRASIL, decidiu que poesia não cabia apenas em estúdios. Precisava respirar os paralelepípedos coloniais, o asfalto, cruzar esquinas e encontrar olhos reais. Nascia, assim, “Poetas na Rua”, um formato simples e ousado (câmera na mão, microfone aberto, cidade por cenário), que trocou o silêncio da ilha de edição pela música viva dos ônibus, dos comerciantes, das janelas.
Em São Luís, no bairro da Cohama, a cidade virou plateia e partitura. Ítalo Gondim, com sua delicadeza cortante, recitou versos que parecem cochichar verdades no ouvido intimistas, porém públicos, como se cada palavra encontrasse morada no passo apressado de quem passa.
“Histórias de um Louva-a-Deus” apareceu ali como metáfora de atenção e recolhimento: o poeta que observa, espera, devora silêncios e devolve sentido. Entre buzinas, vento cheirando terra molhada e a luz solitária de um poste da CEMAR (Centrais elétricas do Maranhão), a poesia ganhou corpo e suor; ou seja, uma prova de que inovar é tão somente devolver o poema ao seu habitat natural: a rua, onde tudo começa.
Dez anos depois, a lembrança permanece como prova de que a televisão pode, sim, ser ponte afetiva. “Poetas na Rua” mostrou que quando a palavra desce do púlpito e pisa no chão, ela deixa de ser discurso para virar encontro. Foi ali, com Ítalo Gondim que a TV aprendeu a escutar; e a poesia, a se multiplicar.
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