Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes
A presença de mais de dez autores nascidos no Paraná ou vinculados à vida acadêmica e cultural do estado colocou a produção paranaense em posição de destaque na terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Os pesquisadores aparecem distribuídos por cerca de 12 categorias, num processo seletivo que recebeu 2.085 inscrições de obras acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais publicadas em 2025.
Na área de Letras, Linguística e Estudos Literários, Caetano W. Galindo concorre com Na ponta da língua: o nosso português da cabeça aos pés, publicado pela Companhia das Letras. Professor da Universidade Federal do Paraná, escritor e tradutor, Galindo já possui uma trajetória reconhecida nacionalmente: em 2013, recebeu o Prêmio Jabuti pela tradução de Ulysses, de James Joyce. Sua nova indicação confirma uma produção que consegue aproximar rigor linguístico, pesquisa acadêmica e comunicação com o grande público.
O Direito também apresenta uma participação paranaense expressiva. Clèmerson Merlin Clève está entre os semifinalistas com A democracia constitucional e seus descontentes, enquanto Sérgio Cruz Arenhart concorre com Relendo o princípio da demanda: a congruência sob o crivo da proporcionalidade processual. As duas obras discutem fundamentos jurídicos diretamente ligados às tensões contemporâneas da democracia, da Constituição e do processo civil, demonstrando que a produção jurídica desenvolvida no estado mantém interlocução com questões institucionais de alcance nacional.
Na Filosofia, Vivianne de Castilho Moreira participa com Contínuo e contingência 2: Leibniz e a máquina do mundo, lançado pela Kotter Editorial. A pesquisadora mantém ligação com o Departamento de Filosofia da UFPR e desenvolve estudos sobre Leibniz, Aristóteles, lógica e metafísica. A presença da obra entre as semifinalistas evidencia a sobrevivência de uma investigação filosófica de alta densidade num mercado editorial frequentemente dominado por publicações mais imediatas e comerciais.
A diversidade aparece ainda na Arquitetura e na História. Renato Leão Rego, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Maringá, concorre com A beleza da arquitetura contemporânea. Luana Carla Martins Campos Ankiruli, por sua vez, está na disputa com A desconstrução do esquecimento em contexto de conflito socioambiental, obra publicada pela Universidade Federal do Paraná. São trabalhos que partem de campos diferentes, mas convergem na análise da relação entre sociedade, espaço, memória e transformação histórica.
Mais do que uma soma de indicações individuais, o desempenho paranaense revela a existência de uma estrutura intelectual consolidada. Universidades como a UFPR e a UEM aparecem não apenas como locais de formação, mas como centros de pesquisa, produção bibliográfica, orientação de novos pesquisadores e circulação do conhecimento. A variedade das categorias demonstra também que a contribuição do estado não está restrita à literatura: alcança Direito, Filosofia, Arquitetura, História e outras áreas decisivas para a compreensão do Brasil contemporâneo.
Criado em 2024 pela Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Jabuti Acadêmico foi concebido para dar maior visibilidade às obras científicas, técnicas e profissionais produzidas no país. Os cinco finalistas de cada categoria serão anunciados em 27 de julho de 2026, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Niterói. A cerimônia de premiação ocorrerá em 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Os autores vencedores receberão a estatueta do Jabuti e R$ 5 mil, enquanto as editoras responsáveis pelas obras premiadas também serão reconhecidas com o troféu.
Independentemente do resultado da etapa final, a presença paranaense entre os semifinalistas já amplia a visibilidade de pesquisadores, escritores e instituições que transformam estudo sistemático em livros capazes de ultrapassar os limites das universidades. Num país em que a produção científica ainda enfrenta dificuldades de financiamento, circulação e acesso, chegar ao Jabuti Acadêmico representa mais do que uma distinção editorial: significa colocar o conhecimento no centro do debate público.
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Fontes: Câmara Brasileira do Livro; site oficial do Prêmio Jabuti Acadêmico; Universidade Federal do Paraná; Universidade Estadual de Maringá; Jornal Plural.
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