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A Academia Maranhense de Letras completa 118 anos no dia 10 de agosto de 2026 com uma programação que articula preservação histórica, publicação de novos títulos e formação de leitores. A solenidade será realizada a partir das 18 horas, no Salão Nobre da instituição, na Rua da Paz, Centro Histórico de São Luís, com entrada gratuita.
Fundada em 10 de agosto de 1908, a Academia surgiu da mobilização de 12 intelectuais, entre eles Antônio Lobo, Astolfo Marques, Barbosa de Godóis, Clodoaldo Freitas, Fran Paxeco, Godofredo Viana e Ribeiro do Amaral. A reunião de fundação ocorreu no edifício que então abrigava a Biblioteca Pública do Estado e que posteriormente se tornou sede definitiva da instituição. Ao longo de mais de um século, a chamada Casa de Antônio Lobo consolidou-se como espaço de conservação, produção e circulação da literatura maranhense.
O núcleo da programação será o lançamento de cinco livros integrantes do Plano Editorial 2025/2026 da Academia. Serão apresentados Grades e Azulejos, de Maria da Conceição Neves Aboud; Apetrechos de Amor, de Ribamar Galiza; A Última Viagem de Gonçalves Dias e Outros Contos, de José Ewerton Neto; Aluísio Azevedo Gótico, organizado por Lourival Serejo; e uma nova edição de Úrsula, de Maria Firmina dos Reis.
A seleção aproxima escritores contemporâneos de autores fundamentais para a compreensão da literatura produzida no Maranhão. Nesse conjunto, a republicação de Úrsula adquire dimensão histórica. Publicado originalmente em 1859, o romance de Maria Firmina dos Reis é reconhecido como obra pioneira da literatura antiescravista brasileira e como um dos primeiros romances publicados por uma mulher negra na América Latina. Sua presença no plano editorial recoloca em circulação uma narrativa decisiva para o estudo das relações entre escravidão, autoria feminina e formação do romance brasileiro.
A cerimônia também terá a exibição de um documentário dedicado aos patronos das cadeiras da Academia. Produzido pelo Museu da Memória Audiovisual do Maranhão, o Mavam, o filme tem direção do acadêmico Joaquim Haickel e criação do escritor Kissyan Castro. A produção apresenta personagens que ajudaram a formar o patrimônio intelectual maranhense e transfere parte dessa memória para a linguagem audiovisual, ampliando suas possibilidades de acesso público.
Pela primeira vez, a instituição homenageará pessoas que atuam diretamente no incentivo à leitura. Os primeiros reconhecidos serão o estudante Daniel Oliveira Santos, de 11 anos, e a professora Rúbia Oliveira, destacados pelo trabalho de formação de novos leitores. Ao incluir um estudante e uma educadora na solenidade, a Academia aproxima a tradição institucional do cotidiano escolar e assinala que a permanência da literatura depende também daqueles que ensinam, compartilham e despertam o interesse pelos livros.
O encerramento reunirá um recital com poemas de autores ligados à Academia e uma apresentação de música instrumental. Para o presidente da instituição, Lourival Serejo, a comemoração reafirma o compromisso de manter viva a memória literária do Estado, cuja história pode ser parcialmente compreendida por meio da própria trajetória da AML.
Mais do que uma data comemorativa, os 118 anos representam a continuidade de uma instituição que atravessou diferentes períodos políticos, sociais e culturais sem abandonar a missão de registrar a produção intelectual do Maranhão. A programação de 2026 mostra uma Academia voltada simultaneamente para o passado, ao recuperar autores, patronos e obras históricas, e para o futuro, ao publicar novos livros e reconhecer quem trabalha pela formação de leitores.
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DATA/HORA/LOCAL:
10 de agosto, a partir das 18 horas, no Salão Nobre da Academia Maranhense de Letras, situado na Rua da Paz, nº 84, no Centro de São Luís. A participação é gratuita.
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