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Em entrevista exclusiva para a TVFACETUBES, o idealizador do Diáspora Maranhense, artista, escritor, diretor de Cinema e pesquisa João Ewerton, revelou que teve esse projeto aprovado pela Lei Rouanet, onde é apresentada uma iniciativa que promete reposicionar a história sobre a presença e a resistência negra no Maranhão. A proposta, de caráter documental e educativo, pretende revisitar episódios históricos pouco conhecidos e, muitas vezes, distorcidos pela historiografia tradicional.
O autor destaca que o projeto mergulha na trajetória das comunidades negras do estado, especialmente aquelas situadas no interior, buscando resgatar memórias, práticas culturais e referências comunitárias que correm risco de desaparecer. Um dos pontos centrais é a reinterpretação dos chamados “encontros de tambores de etnia”, eventos que, segundo documentos históricos, reuniam grupos africanos que se reconheciam entre si — contrariando teorias que afirmam que esses povos teriam perdido suas identidades ao chegar ao Brasil.
Esses encontros, realizados sobretudo nos trapiches de São Luís, geravam denúncias de moradores incomodados com o som dos tambores durante a noite. Registros policiais da época confirmam que tais reuniões eram autorizadas pelos proprietários dos trapiches, como o de Donana Jansen, localizado na região da Liberdade, na cidade de São Luís do Maranhão, onde hoje funciona o Matadouro. Esses documentos reforçam a tese de que havia, sim, reconhecimento étnico e organização comunitária entre os negros recém-chegados.
Além da investigação histórica, o projeto pretende aproximar lideranças tradicionais das novas gerações, promovendo rodas de conversa, oficinas e ações educativas em escolas da capital. A intenção é fortalecer o sentimento de origens e combater a falta de reconhecimento entre comunidades que, apesar de compartilharem raízes profundas, muitas vezes desconhecem suas próprias histórias.
Todo o processo será registrado em uma websérie de oito episódios, que acompanhará desde a pesquisa documental até as atividades comunitárias, compondo um retrato amplo da memória negra maranhense e de sua contribuição para a formação cultural do estado.
O vídeo, ao apresentar essa iniciativa, evidencia um movimento crescente de valorização das narrativas afro-brasileiras e reforça a importância de projetos que devolvem às comunidades o protagonismo sobre suas próprias histórias.
VÍDEO-BÔNUS
c/JOÃO EWERTON
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