Marcus Saldanha – Historiador, jornalista e escritor
No dia 28 de outubro, uma efeméride não pode “passar batida” pelos educadores, gestores e pesquisadores da Educação no Maranhão: os 120 anos de nascimento do pioneiro em vários campos da educação maranhense, professor Luiz de Moraes Rêgo (1906-1987).
Primeiro aluno normalista matriculado no Colégio Rosa Castro, até então restrito para meninas, fundador do Colégio de São Luiz na rua Rio Branco, implantou o ensino de Física e Química no currículo escolar maranhense, estudou nos Estados Unidos com Jonh Dewey e ajudou a inovar com as ideias da Escola Nova no Maranhão.
Foi ainda precursor da inclusão na educação com a construção de uma escola na antiga Colônia do Bonfim para pacientes de hanseníase e filhos, lutou por escolas mistas e foi fundador da Universidade Federal do Maranhão.
Contemporâneo de Laura Rosa e Rosa Castro, dirigiu a Escola Normal de São Luís, onde além de implantar clubes de leitura e de ciência e organizar concursos de cálculo enfrentou o conservadorismo local ao lutar por aulas de Educação Física para as meninas e contrariar a Assembleia Legislativa que planejava fechar a escola sob alegação de cortes de gastos.
Um homem criticado por seus posicionamentos, mas nunca por sua intelectualidade. Tinha profunda consciência do papel transformador da Educação, não à toa lecionou para operários e foi professor da Escola Técnica, participou ativamente da fundação da Universidade Federal do Maranhão e fundou uma escola em sociedade com Luiz Viana para atender uma grande parcela da população que não conseguia vaga ou não queria estudar no Colégio Maranhense (Marista) que era confessional.
Localizado na rua Rio Branco, no centro de São Luís o Colégio de São Luiz lembrado como Colégio São Luiz, funcionou sob sua gestão de 1934 a 1977. Depois disso, teve continuidade com seu filho mais velho Luiz Augusto com cursos supletivos no noturno até meados dos anos 90 com entrada pela rua das Hortas, quando foi vendido para o Colégio Rosa Castro.
O casarão antigo, ao longo do tempo foi transformado em um prédio moderno e hoje está parcialmente fechado (parte defronte à Rio Branco coberto com tapumes) com indicação de demolição pelo Corpo de Bombeiros e a parte da rua das Hortas, de propriedade da Escola Ana Nery, seguindo em funcionamento.
Além de ativista da Educação, Esportes e da Cultura (Publicou a Revista de Educação, foi membro e presidente da Academia Maranhense de Letras e sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão), professor (Lecionou Física, Química e idiomas na Escola Normal, Rosa Castro, Colégio Cisne, Liceu Maranhense e Santa Teresa) e gestor público (ocupou importantes cargos a frente da Instrução Pública/Secretaria de Educação e Conselho de Educação) também foi um grande empreendedor.
Além da própria escola, construiu a Vila Inah Rêgo, na rua Rio Branco defronte a Colégio São Luiz, um conjunto de casas para aluguel que batizou com o nome da primeira esposa com quem teve 6 filhos (Maria Julia, Luiz Carlos, Luiz Fernando, Luiz Augusto, Luiz Rodolfo e Luiz Henrique.
Ficou viúvo na década de 60 e casou-se novamente com a colega de trabalho Valdefia Souza de Moraes Rêgo, 32 anos mais jovem. Apesar da polêmica que causou na São Luís extremamente provinciana da época, seguiram trabalhando, viajaram o mundo e ficaram juntos, até sua morte em 1987 aos 80 anos, acometido por demência. Fruto dessa união, a hoje educadora Alessandra Souza de Moares Rêgo.
Apesar do grave problema de coluna que nunca o permitiu praticar esportes, foi entusiasta da prática desportiva no Maranhão e mantinha vida social ativa com engajamento no Rotary Club onde ocupou cargo de liderança e viabilizou o intercâmbio de muitos jovens maranhenses no exterior.
Apesar das fortes dores na coluna, era presença fácil em casamentos, batizados, velórios, missas de sétimo dia, aniversários, formaturas e claro, as reuniões do Rotary Club e da Academia Maranhense de Letras.
Na Casa de Antônio Lobo, teve o imortal Jomar Moraes como secretário e o fez sucedê-lo após seus mandatos como presidente nos anos 80. Organizou revistas e jornais, publicou muitos artigos e alguns livros que urgem reedições e deixou relevante leva de discursos que esperam por publicação.
Eis mais um caso, onde o passado revisitado pode apontar caminhos seguros para realização de seu sonho maior, que segue em andamento desde quando falava com seus discípulos, “Meus jovens, meus jovens!”: Educação para todos.
O homem que sofreu com a deficiência física na coluna agravada com anos de estudos à luz de velas sobre caixotes de tomate chegou longe. Mas acreditava que para vencer não podia voar sozinho, era preciso muita gente também alcançar seus sonhos através da educação.
Que assim seja! Ao mestre com carinho.
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