
Capítulo 47
Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"
Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB
A FILHA FOI O CUPIDO DA MÃE
O jovem protagonista desta crônica, em um dos seus passeios de motocicleta caíra e quebrara o fêmur; teve que ser operado e passara guardando leito hospitalar por vários dias. Ele tinha 23 anos e tinha medo de ficar com alguma sequela. A jovem enfermeira, que lhe prestara assistência, era dedicada e competente; logo entre eles cresceu uma boa amizade. Os amigos valem muito, e as grandes amizades são para serem conservadas. “...;.”mas há um amigo que é mais chegado do que um irmão “, ensina-nos a Bíblia Sagrada no Livro de Provérbios, 18:24, parte final”.
Mesmo depois de receber alta, eles se comunicavam algumas vezes, através de contatos telefônicos, em busca de notícias o que era muito louvável. Mas com o tempo as comunicações foram escasseando, pois eram comprometidos e casaram-se com os respectivos noivos pela época.
A vida nos reserva mesmo muitas surpresas. Filhos desses amigos, já formados e bem estabelecidos no mercado de trabalho, se encontraram de certa feita, e começaram a namorar. Até que depois de alguns meses, o rapaz resolveu levá-la até sua casa para o pai conhecê-la. Conversaram muito, namorada e candidato a seu sogro.
No decorrer da conversa, ela disse-lhe que era enfermeira, porque passou a admirar a profissão pelo exemplo em casa da sua mãe, que era também enfermeira e uma profissional muito bem-sucedida. O pai do jovem, no desenrolar da conversa, perguntou o nome dela, ao que ela o informou nome e sobrenome.
Continuaram a conversar e ele contou lhe que aos seus 23 anos fora assistido em um hospital por uma excelente profissional que tinha esse nome. E ela lhe disse que seria muita coincidência ter sido a sua mãe quem o tratara; e ele achou-a muito parecida com a enfermeira da qual se lembrava. A moça disse que iria conversar com a mãe para ver se ela se lembrava de ter tido um paciente com o nome dele. O namorado pegou uma foto do pai, quando jovem, e a deu para que ela apresentasse à mãe.
Quando o namorado a levou para casa, lembrou-lhe que não esquecesse de perguntar para sua mãe se lhe ocorria ter tratado um paciente com o nome do seu pai. Ela aguardava a chegada da mãe do plantão, pois queria conversar sobre o pai do seu namorado, embora soubesse que o plantão iria até zero hora. Possivelmente, só conversaria no outro dia. Mas a ansiedade era de tal forma que o sono se foi, e quando a mãe chegou encontrou-a ainda acordada. Feitos os primeiros contatos, perguntou-lhe se tinha tido muito trabalho. A mãe respondeu positivamente, dizendo-lhe que estava era com fome.
A filha se apressou em dar assistência à mãe, providenciando no aquecimento do forno de micro-ondas, uma comida gostosa que pudesse saciar a sua fome. Enquanto a mãe degustava alegremente o seu prato, a filha perguntou-lhe se ela lembrava de um paciente que atendera há muito tempo; fornecendo o nome do pai de seu namorado, explicou que se tratava um jovem de 23 anos pela época, de fêmur quebrado, motivado por um acidente de motocicleta. Ela lhe mostrou a foto dele, e a sua mãe se lembrou dele. Foi então que a filha disse que estava namorando o filho dele. E enfatizou que o potencial futuro sogro fizera excelentes referências dela e informou à mãe que ele agora estava viúvo.
-Tendo em vista que a senhora também está viúva, será que não há possibilidade de um romance? A mãe respondeu: Tudo pode acontecer. Quem sabe...?- Disse que se tivesse o telefone dele iria telefonar-lhe. Não sabia que ele estava viúvo. E indagou da filha se a viuvez era de muito tempo. A jovem disse que tinha o número do telefone e lhe forneceu. Só não sabia quando ocorrera a viuvez. E foram dormir.
A filha não conseguia dormir, pensando em um possível casamento de sua mãe com o seu futuro sogro. Ansiosamente, esperava o dia seguinte. Trocaram muitas ideias para ver se era conveniente telefonar. Ao que a filha replicava: -Mãe, a senhora vai fazer a ligação para prestar sentimentos pela viuvez, que só agora soube? Afinal, foi seu paciente e lhe tem muita estima e gratidão pela forma que o tratou.
Ela ligou. Depois da troca de cortesias recíprocas, lhe informou que soubera pela sua filha, atual namorada do seu filho, que sua esposa falecera, e queria lhe dar as condolências, o que ele confirmou, e agradeceu. Trocaram amenidades, e desligaram o telefone.
O pai ao comentar com o filho a grata surpresa que foi receber uma ligação da sua futura sogra, este ficou muito entusiasmado. Sugeriu ao pai que ligasse de volta, pois ela igualmente estava viúva. Que a convidasse para jantar em um bom restaurante, o que poderiam, inclusive, fazer a quatro, pois certamente teriam uma noite muito agradável. O pai concordou que poderia ser uma boa ideia e, com certa timidez, ligou para convidá-la para um jantar na semana seguinte.
Conversaram por algum tempo amigavelmente, e ele perguntou se ela aceitaria um convite para jantar em um restaurante, o que ela respondeu que seria um prazer. Porém, sugeriu que antes do jantar em restaurante, fossem a um jantar em sua casa, que prepararia com muito prazer. Quanto ao seu convite, ela só poderia aceitar para sexta-feira da outra semana, quando não teria plantão. Estreitariam mais as amizades e conversariam sobre os seus filhos.
Na data marcada para o jantar, como ele se atrasara para a hora combinada em virtude de uma pequena intercorrência de trabalho, quando ele chegou com seu filho, foi uma festa. Parecia que o tempo não havia passado. Conversaram muito durante a refeição e sentiram-se felizes pelo namoro que nascera entre seus filhos.
Conforme combinado, na outra semana foram ao restaurante, somente os dois, e foi um momento mágico para ambos. Ele então lhe disse que soubera que ela estava viúva, o que lamentava, mas com o devido respeito a sua viuvez, queria estreitar mais os laços de amizade. E, assim, lhe perguntou - Será que podemos iniciar um namoro? – Podemos sim - ela disse animadamente.
Deram-se as mãos para selarem o sim. Nesse momento, seus filhos entraram no restaurante e os viram de mãos dadas e perguntaram: -Que houve entre vocês? A mãe respondeu com alegria: -“Estamos iniciando um namoro. Juntem-se a nós e nos digam se estão de acordo.- Os filhos, cheios de alegria, disseram que estavam felizes e juntaram-se aos pais.
Com o avançar do namoro, a felicidade tomou conta do casal de recém namorados. Sempre que possível, procuravam ficar juntos. O romantismo fluía de ambos os lados. Passados três meses de namoro, convidaram os filhos para um almoço familiar e comunicaram-lhes que queriam se casar. Encontravam-se na faixa de 55 anos de idade e não queriam mais esperar.
Foi uma alegria geral!! Cheios de entusiasmo, os filhos iniciaram a conversa sobre a data do casamento. E foi aí que o pai perguntou ao filho: - Porque você não aproveita e pede a sua namorada em casamento, já que é tão apaixonado por ela? Já pensaram a tamanha felicidade que seria com os nossos dois casamentos juntos?
Mãe e filha, eufóricas, começaram a se comunicar pelos pés embaixo da mesa. A vontade da filha era dar um beijo no futuro sogro de agradecimento pela proposta e ficou com o coração a mil esperando pela resposta do namorado. Foi então que o filho se manifestou alegremente, pedindo à futura sogra a namorada em casamento. Ela deu o consentimento tão esperado Ele, no outro dia, compraria as alianças e achou a ideia maravilhosa de casarem no mesmo dia e que certamente seria o dia mais feliz de sua vida. Destacou que a sua felicidade não era somente por ele, mas também pela do seu pai, cuja mudança de astral dos últimos meses era impressionante. E acrescentou: - E se preparem, porque esperamos muito brevemente poder lhes dar um netinho. Após essa fala, a animação dos outros três foi imediata, coadunando-se com a citação bíblica de Provérbios 17:6:... "os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais são o orgulho dos seus filhos".
Iniciaram-se os preparativos para o memorável casamento. A união de pais e filhos, o amor entre os casais e a felicidade que transbordava por parte dos quatro, resultou em uma cerimônia belíssima e inesquecível para todos os presentes. -Que casais bonitos! A mãe está parecendo irmã da filha.- O amor a rejuvenesceu.- . Eram alguns comentários que faziam.
E assim, abençoados por Deus, se sentiam os dois casais que não cabiam em si de felicidade e que tudo fariam para que essa felicidade reinasse sempre presente em suas vidas.
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