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Crônica de hoje é do colunista Edomir Martins de Oliveira: "Oito patinhas e um Casamento"

"No dia do casamento, Igreja cheia, foi uma surpresa quando os convidados viram um casal de cãezinhos, compenetrados, entrarem na Igreja seguindo os noivos".

12/03/2021 09h48 Atualizada há 1 mês
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Capítulo 48

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

OITO PATINHAS E UM CASAMENTO

Edomir Martins de Oliveira, vice-Presidente Nacional da APB 

  O casal se conheceu em um elevador quando conduziam seus cãezinhos de estimação para um passeio matutino. -Bom dia! - Ele disse ao entrar no elevador e ela respondeu com outro bom dia. Quando ele viu a linda cadelinha nos braços da jovem, quis logo fazer uma gracinha e ela rosnou. Mas o jovem não esmorecia. - Qual é o nome?  E sorridente, tentava fazer um carinho nela que continuava rosnando. Ela lhe mostrou uma plaquinha de prata que a pet trazia ao pescoço com o nome Tathi, e número de telefone.  

  O rapaz acreditou que a moça estava lhe oferecendo uma oportunidade para conversa. Perguntou-lhe: - Você mora aqui neste prédio? – Ela disse que sim. – Ao chegarem ao térreo, se despediram e cada um foi levando seu animalzinho como habitualmente faziam. Ele portando seu pet chamado Thor.

O rapaz guardara mentalmente o número do celular que vira pendurado ao pescoço da pet, repetindo-o mentalmente, várias vezes, para não esquecê-lo, e no decorrer do dia, resolveu telefonar-lhe. Quando ele ligou, a voz, depois do alô, perguntou-lhe o que desejava e disse que ele era o jovem que se encontrara com ela no elevador portando seu animalzinho de estimação; ao que ela respondeu, delicadamente, que não fora ela, mas a sua filha, e informou o celular dela. Ele disse que ligaria para ela, ao que a mãe da jovem perguntou se podia ajudar em alguma coisa.  Ele informou que não. Tratava-se apenas de querer algumas informações sobre um bom veterinário.

A mãe informou que ela poderia dar essa informação, e então passou-lhe o nome e número do telefone do veterinário que prestava assistência à sua Thati.

O rapaz agradeceu. Ela quis saber mais detalhes, encompridando a conversa, sobre a doença do cãozinho, dizendo-lhe que tinha boa experiência com cãezinhos, ao que ele respondeu que não era nada grave, e agradeceu o interesse dela em querer ajudar. Despediu-se, pois estava mesmo louco para acabar a conversa e telefonar para a jovem.  Quando desligou, ligou para o celular que a mãe dela fornecera e então se identificou como o vizinho que a acompanhara no elevador portando seu cãozinho de estimação para passear. Tendo os dois se identificado nominalmente, quis ela saber como descobriu seu número de telefone, pois o que a sua Thati tinha pendurado ao pescoço era o de sua mãe. 

Ele explicou que telefonara para o número da plaquinha pensando tratar-se da jovem, e sua mãe acabou por fornecer-lhe gentilmente seu número. Conversaram por alguns minutos, e então, ele perguntou se no outro dia, na mesma hora, poderiam se encontrar novamente levando os seus cãozinhos para passear, pois, o seu Thor estava tristonho e só poderia ser falta da Thati. Ela disse também que notou a atração entre os pets. Achou graça, mas concordou em um passeio matutino no dia seguinte com eles.

No outro dia, na hora combinada, eles se encontraram levando cada um o seu pet. Passearam com os cãezinhos, conversaram, e ao retornarem para o apartamento, à porta do prédio, o jovem perguntou-lhe se não seria oportuno fazerem um passeio só os dois, pois já haviam levado os pets para passear. Ela propôs ser bem ao final da tarde, pois o resto do dia estaria em casa fazendo um trabalho de pesquisa. Eles combinaram para as 18 horas, quando ele voltasse do trabalho.

Durante o passeio, o rapaz confessou-lhe que se encantara com ela, logo no primeiro encontro, no elevador, e desejava namorá-la. Ela aceitou o cortejo, dizendo que a história dos cães fora um bom disfarce, ela sentira isso.

Assim, concordaram com o namoro, que foi crescendo a cada dia, sendo envolvidos pelo amor.

Depois de 30 dias de namoro, a jovem desejava que seus pais o conhecessem. E assim foi feito, tendo a família o aceito até com alegria. Em seguida, ele a levou para seus pais a conhecerem, pois estes já haviam sentido que o rapaz devia estar apaixonado por alguém. Estava mais quieto, caseiro, e escutando só música romântica.

Ela quando o levou à sua casa, para ser apresentado aos seus pais, a mãe disse que achou mesmo muito esquisito ele estar telefonando para saber notícias de uma cadelinha que portava um número de telefone pois, com certeza, pensava que era da filha. Todos riram muito!! 

Ilustração ML.

O namoro prosseguiu; seis meses depois noivaram e começaram os procedimentos normais para o casamento, que marcaram para um ano depois. Nesse tempo, providenciariam tudo o que era necessário para realização dos seus sonhos.

O noivo perguntou-lhe se não seria uma boa ideia seus pets serem treinados para conduzirem as alianças e todos com os trajes dos respectivos noivos. Ela achou a ideia genial; o pajem e as daminhas seriam só para compor o cortejo.

Assim fizeram. Um bom adestrador foi contratado, iniciando logo seus trabalhos, e elogiou o casal que tratava tão bem seus animais, lembrando do que recomendava a Bíblia Sagrada no Livro de Provérbios, cap.12:10 –“O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”.  

No dia do casamento, Igreja cheia, foi uma surpresa quando os convidados viram um casal de cãezinhos, compenetrados, entrarem na Igreja seguindo os nubentes.

Os cãezinhos traziam às costas, uma cestinha portando as alianças dos respectivos noivos. Mas quando chegaram ao altar, cada um ficou ao lado do seu dono, fielmente, como que os protegendo. Todos estavam achando muito engraçado. Uma madrinha não se conformava e, de forma inconveniente, foi tentar tirar a cadelinha do lado da noiva e recebeu de volta um rosnar muito bravo de dentes arreganhados. Saiu apavorada e desistiu. 

Um tio mal-humorado do noivo, que estava achando um absurdo aqueles pets no altar, carregou o cachorrinho e, provavelmente em rebeldia, o pet fez xixi em seu paletó caríssimo. Todos da igreja que viram a cena começaram a rir e, como o paletó era claro, o registro urinário ficou evidente, bem como o péssimo humor do tio. Com o vexame da situação, o tio colocou o cãozinho imediatamente no chão, que sem perder tempo voltou para o lado do seu tutor.

Ao sinal do noivo, conforme orientou o adestrador, os pets fizeram tudo certinho e entregaram as alianças de uma forma comovente. Neste momento, foi escutado um ôôhhhh na Igreja, mas com certeza não participaram desse coro o tio mal-humorado e a madrinha inconveniente.

O Reverendo, ao final, deu a bênção sacerdotal, fazendo os procedimentos de praxe nos casamentos, e os declarou casados, tendo os convidados batido salva de palmas pela homilia e a bela cerimônia. Mantiveram os noivos, em seus registros de memória, o que recomendara o padre, sobre a obediência de marido e mulher ao que contem a Bíblia Sagrada, no livro de Efésios, 5:31 – “Eis por que deixará o homem a seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e se tornarão os dois, uma só carne”. 

Ao saírem da Igreja, os cãezinhos os seguiram compenetrados e a doçura do momento com os lindos pets, continuava conquistando a todos.

A recepção foi animadíssima. Os noivos iam de mesa em mesa cumprimentando os convidados e os pets iam juntos, grudados aos seus tutores e todos os achavam engraçados. Mas, como sempre, aparece alguém para se intrometer sem ser chamada: - Ah, isso já está demais, disse uma convidada que nem era amiga de grande intimidade do casal e, sim, da mãe da noiva. Chegou perto da cadelinha para pegá-la, e como os animais parecem sentir quem não gosta deles, a pet a azunhou rasgando a sua finíssima meia calça, antes mesmo que ela pudesse pegá-la. A convidada “metida” saiu praguejando, enquanto que a cachorrinha continuava blasée, e se sentindo a própria noiva que tinha também que ir de mesa em mesa feliz e realizada, ao lado da sua tutora.

E assim, por muitos anos, o casamento ficou sendo lembrado pela graciosidade ímpar das oito patinhas que ajudaram a transformar a cerimônia em um momento inesquecível, que ficou conhecido como o casamento dos quatro, pois realmente tinham dois casais de noivos.

 

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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